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Coluna

8 de março, luta e resistência

08 março 2023 - 19h19

A origem do Dia Internacional da Mulher era dedicada às 129 operárias de uma fábrica em Nova York que morreram em um incêndio provocado por forças policiais em 1857. Mulheres trabalhadoras que estavam em luta por melhores condições de trabalho. 
Diversos pesquisadores se dedicaram a compreender melhor como se deu a criação dessa data e nesses estudos foram descobertos documentos mostrando que na 2ª conferência internacional de mulheres socialistas, realizado em 1910, Clara Zetkin propôs a criação de um dia internacional da mulher, sem definir uma data, mas que esse dia se caracterizaria pelas grandes mobilizações pela redução das horas de trabalho e por mais direitos às mulheres trabalhadoras. Segundo anotações de Alexandra Kollontai, uma das lideranças comunistas da Revolução Russa, o que determinou de fato o dia 8 de março foi as mulheres russas tomarem as ruas contra o sistema czarista.
“Em 1917, no dia 8 de março (23 de fevereiro no antigo calendário russo), no Dia das Mulheres Trabalhadoras, elas saíram corajosamente às ruas de Petrogrado. As mulheres – algumas eram trabalhadoras, algumas eram esposas de soldados – reivindicavam ‘pão para nossos filhos’ e ‘Retorno de nossos maridos das trincheiras’. Nesse momento decisivo, o protesto das mulheres trabalhadoras era tão ameaçador que mesmo as forças de segurança czaristas não ousaram tomar as medidas usuais contra as rebeldes e observaram atônitas o mar turbulento de ira do povo. O Dia das Mulheres Trabalhadoras de 1917 tornou-se memorável na história. Nesse dia as mulheres russas ergueram a tocha da revolução proletária e incendiaram todo o mundo. A revolução de fevereiro se iniciou a partir deste dia”.
Apesar da memória das operárias estadunidenses, o 8M tem sua origem comunista e revolucionária pois a partir da luta das trabalhadoras russas, organizou-se diversas manifestações e greves que derrubaram o regime czarista para então chegada da sociedade nova, mais igualitária, o socialismo. A história das mulheres de todos os países do mundo é marcada por esse acontecimento que traz como lição que só é possível termos uma verdadeira transformação na sociedade que ponha abaixo o sistema que nos oprimem se estivermos organizadas e em luta.
No Brasil, nós, mulheres, derrotamos o fascista Bolsonaro e seu governo misógino nas urnas em 2022 e no pleito de 2020 também não deixamos espaço, nas urnas, para esses embriões reacionários da nossa cidade. 
Essas vitórias indicam que precisamos seguir ocupando as ruas para combater tudo o que nos violenta diariamente: o machismo, e LGBTfobia, o capacitismo, o racismo, a fome, o desemprego e a miséria. E o dia 8 de março desse ano, daremos um grande início às lutas que as mulheres terão de enfrentar ao longo de 2023.
A verdade é que, no Brasil, não há o que comemorar, com felicidade, o dia 8 de março. Seguimos sendo vítimas de feminicídios e estupros, principalmente entre crianças e adolescentes. Milhões de mães encontram-se desempregadas, tendo que lutar todos os dias para garantir o alimento para seus filhos e ainda sendo responsáveis por todo trabalho doméstico e do cuidado de crianças e idosos em milhares de lares. Já as mulheres que estão empregadas, convivem com baixos salários e assédios constantes. As mulheres pretas, indígenas e PCDs do nosso país seguem lutando contra o racismo e a violência que se volta a elas com ainda mais crueldade.
Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), a Região dos Lagos é a segunda região que mais violenta as mulheres no Estado do Rio de Janeiro, depois da Baixada Fluminense. No último ano 3.176 mulheres foram atendidas por terem sofrido algum tipo de violência apenas nos municípios de Búzios, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Araruama, e só em Búzios 5 mulheres foram vítimas de feminicídio. Nos primeiros dias do mês de janeiro deste ano, nos deparamos com a triste notícia do assassinato de Rosilene Silva (38), morta com 4 tiros pelo ex-marido, no local onde trabalhava, no bairro Jacaré, mesmo possuindo medida protetiva contra o agressor. A realidade é que as mulheres da Região dos Lagos, não estão em segurança em nenhum lugar. Faltam delegacias especializadas em atendimento à mulher, casas de referência de acolham mulheres vítimas de violência e políticas públicas que protejam as nossas vidas e nos deem condições de viver com dignidade, longe da exploração, miséria e desemprego.
Por isso, não só neste 8 de março, mas enquanto não tivermos direito à nossa vida estaremos nas ruas para denunciar a opressão que o sistema capitalista impõe às mulheres e levantar as bandeiras contra a miséria, contra o fascismo e pela urgência da construção de uma sociedade em que nós, mulheres, tenhamos possibilidade de viver e sonhar com dignamente.