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Associação Comercial de Búzios aguarda alta temporada com otimismo

Confira entrevista com o vice-presidente da entidade, Rodrigo Sobral

27 novembro 2021 - 11h23Por Rodrigo Branco

Cidade famosa pela atmosfera solar e pelo charme, Armação dos Búzios promete estar ainda mais radiante na próxima alta temporada, que começa daqui a pouco menos de um mês. Com a retomada gradativa da economia, ponteada pelo Turismo, as expectativas do empresariado são as melhores a poucas semanas do verão. 

Nesta entrevista para a Folha, o vice-presidente da Associação Comercial de Búzios (ACEB), Rodrigo Sobral, fala sobre as ações da entidade que completou recentemente 28 anos de fundação; e das iniciativas realizadas em conjunto com a Prefeitura, dentro do celebrado modelo de parceria público-privada. O empresário também comentou sobre o processo de reinvenção forçada para os comerciantes em razão da pandemia de Covid-19.

– Reaprendemos a viver, a trabalhar e a ver as coisas de outra maneira. Do ponto de vista comercial, passamos pela pior crise econômica vivida pela nossa geração.

Folha dos Lagos – Qual a expectativa da Associação Comercial de Búzios para o verão que se aproxima? Quanto espera faturar nessa retomada plena deste ano?

Rodrigo Sobral – Existe uma expectativa muito grande para a alta temporada deste ano por diversas razões: esta semana, passamos os Estados Unidos em percentual de pessoas com primeira dose e ciclo completo de vacinação, o que é um indicador extremamente positivo para o Brasil. Esses dados irão impactar de forma direta em nossa temporada. As pessoas estão carentes de viajar, e como o mercado externo ainda é uma barreira para muitos, devido às restrições impostas pelos países e alto valor do câmbio, o mercado interno estará altamente aquecido, e Búzios é um dos principais destinos no Brasil. Por outro lado, estamos sentindo novamente, de forma muito gradual, o retorno de alguns estrangeiros, como é o caso dos argentinos, e, principalmente, dos chilenos.

Folha – Especificamente para o Natal deste ano, há otimismo no comércio comparado ao ano passado? Por quê?

Sobral – Sim. Normalmente as nossas vendas de temporada de Natal (ou fim de ano), ao contrário do que acontece nas grandes cidades, ocorrem pós-Natal e não antes. No entanto, este ano, a Prefeitura irá realizar o Natal Luz em Búzios, o que pode fazer com que esses dados históricos mudem e haja um aquecimento forte da economia antes do Natal. Além disso, excepcionalmente este ano, houve um aumento populacional na cidade de pessoas que estão usando as casas de veraneio de forma permanente ou turistas que estão morando de forma provisória na cidade, em home office, o que pode impactar positivamente nas vendas do comércio de final de ano de 2021.

Folha – Quais ações estão sendo planejadas para o Natal deste ano? Alguma campanha será lançada? Em caso positivo, poderia nos dar detalhes?

Sobral – Este ano, a Prefeitura de Búzios irá organizar um evento chamado Natal Luz, no qual serão instaladas luzes de Natal e enfeites na cidade. Será um investimento alto no qual acreditamos que trará um bom retorno econômico para cidade através de maiores contratações de emprego, direto e indireto, trazendo um aquecimento da economia local. Além disso, a Prefeitura solicitou a colaboração do comércio local, para que cada um enfeite seu local interna e externamente. Desta forma, acredito que com a Prefeitura fazendo esse investimento na decoração e o comércio fazendo a sua parte teremos um resultado extraordinário.

Folha – Quantas vagas estão abertas para contratações temporárias no comércio de Búzios?

Sobral – Muitas empresas que diminuíram as folhas durante esse um ano e meio complicado devido à pandemia, estão acreditando que será uma temporada muito boa. De acordo com dados do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (SindSol) do município estima-se que cerca de 1.500 vagas devem ser preenchidas nos próximos meses, levando em conta o número de associados.

Folha – A ACEB tem feito parcerias com a Prefeitura para a realização de eventos, como o Degusta Búzios, entre outros. Qual o balanço dessas ações? As parcerias público-privadas são a solução para o Turismo e em outras áreas?

Sobral – Acreditamos que seja muito favorável toda e qualquer tipo de parceria, seja com o setor público ou privado. Este ano tivemos o evento Degusta Búzios, que marcou o início da retomada econômica, já que se tratou do primeiro evento desde que começou a pandemia do Covid-19. O grande diferencial este ano foi que os participantes não tiveram que pagar para participar do evento, o que foi uma contrapartida excelente por parte da Prefeitura, depois de 1 ano e meio sofrendo os efeitos da crise econômica. Existe um projeto que está sendo trabalhado que é a criação da TurisBúzios, ainda de figura jurídica não definida, mas que vem a ser de maneira simplificada uma parceria público-privada, ou seja, uma administração conjunta de ambos os setores. Se o Legislativo conseguir aprovar e o Executivo criar a TurisBuzios, seria um avanço importante para o setor turístico da cidade, tanto em administração, como em captação de novos recursos para a área turística.

Folha – Como a associação avalia as ações da atual gestão municipal ao longo desses quase 11 meses? O que há de positivo e o que é necessário melhorar?

Sobral – Positiva. Primeiramente temos que ressaltar que o Governo deu continuidade a praticamente tudo o que havia ficado por terminar na gestão anterior, o que dá sinais muito favoráveis da nova administração de não interromper uma ação por conta de ter começado por outra administração. Além disso, o Executivo se aproximou das entidades, e em particular da ACEB, para dialogar e entender as angústias e necessidades dos empresários e comerciantes locais. Estamos tendo um diálogo direto e sincero com a administração pública o que é muito útil e que seguramente trará grandes resultados nos problemas cotidianos, como poluição visual e sonora, coleta de lixo, criação de eventos, entre outros.    

Folha – Qual o aprendizado que o empresariado buziano pôde tirar desse período de pandemia? É possível dizer que o pior já passou?

Sobral – Difícil descrever tudo o que aprendemos durante essa pandemia. Reaprendemos a viver, a trabalhar e a ver as coisas de outra maneira. Do ponto de vista comercial, passamos pela pior crise econômica vivida pela nossa geração. Por outro lado, para Búzios foi uma grande oportunidade de recomeçar alguns fatos que não estavam funcionando bem. No entanto, acredito pessoalmente que desaproveitamos algumas questões que poderiam ter sido dadas mais atenção como é o caso do ordenamento da cidade, em um momento em que tudo parou e poderia ter sido recomeçado do zero. Mas nunca é tarde. Alguns setores sofreram mais que outros, como é o caso da hotelaria, sobretudo a que focou de forma quase exclusiva no mercado de estrangeiros (argentinos e chilenos). Alguns setores do comércio de varejo (lojas de roupas e acessórios) também sentiram de forma contundente a crise econômica.  Mas de maneira geral, este ano de 2021 vivemos algo inédito que foi quase uma ausência da baixa temporada, devido a um incremento na procura pelo destino nacional.

Folha – Recentemente, a associação anunciou que pretende levar sugestões para a realização de eventos no ano que vem para preencher o calendário. Quais eventos são esses?  A proposta já foi entregue à Prefeitura? Houve comprometimento da parte dela em aceitar as sugestões?

Sobral – Sim, pretende. As sugestões envolvem desde a revitalização de eventos já existentes, como o Festival Gastronômico e de Cinema, o retorno de outros que com o tempo deixaram de acontecer, como do Jazz e Blues, e a indicação de novos como uma Feira Literária, por exemplo.

Folha – Como andam as ações referentes ao combate à poluição visual na cidade?

Sobral – Ainda estamos muito longe do que desejamos para nossa cidade. Búzios está crescendo a níveis nunca visto, seja por conta de novos empreendimentos imobiliários, seja pela migração das grandes cidades para cidades menores, e, recentemente, devido ao Covid-19 e a possibilidade do home office, o que está permitindo que muitas pessoas possam trabalhar fora das grandes urbes. No ano passado, a ACEB em parceria com a Secretaria de Turismo e o IAB (Instituto de Arquitetos de Búzios), conseguimos trabalhar e aprovar um novo Decreto de Empachamento para o Centro da cidade, na qual regulamenta o tamanho dos letreiros nas fachadas, o tamanho dos toldos, o número de mesas nas calçadas e a proibição de abordadores, entre outros tópicos. Foi uma vitória extraordinária para Búzios, já que o decreto foi amplamente discutido com as principais entidades privadas, os arquitetos buzianos e o Executivo. É uma daquelas parcerias que nos fazem acreditar novamente na união entre os setores. No entanto, agora falta o principal que é uma campanha institucional (até sugerimos uma campanha ACEB e Prefeitura) de conscientização por parte do comércio para cumprimento da normativa, assim como uma fiscalização forte para que se cumpra o decreto e possamos manter uma certa padronização de escala nas fachadas.

Folha – A ACEB acaba de completar 28 anos. Independentemente do verão, quais são os planos da entidade para curto, médio e longo prazo?

Sobral – A ACEB completou recentemente 28 anos de idade. A entidade atravessou diversas fases de nossa cidade, desde a participação prévia à emancipação de Cabo Frio, assim como o crescimento populacional e o desenvolvimento do comércio em diversas partes do município. Acredito que a maior lição desses últimos anos é que o comerciante voltou a entender a necessidade de estar unido e discutir de forma construtiva soluções para os problemas presentes e futuros. Recentemente, somente para citar, a ACEB participou de algumas soluções para a cidade através da indicação da criação do QR Code de acesso à cidade ou da formulação do Decreto de Empachamento do Centro, ou até mesmo da verba do Degusta Búzios, através de conversa na Câmara de Vereadores. Acredito que uma das pautas principais que devemos focar no médio e longo prazo é a discussão do Plano Diretor, já que como comentei anteriormente a cidade passa por um crescimento exponencial e devemos estar preparados para as mudanças que ocorrerão nos próximos anos, e não quando o problema já existir. Essa antecipação aos problemas é o segredo do bom planejamento para que não voltemos a repetir os erros do passado.

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