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Walmir Porto volta a defender posição do PR no caso PCCR

Candidato ao Congresso diz que a Justiça é que vai decidir

01 agosto 2014 - 15h01
Walmir Porto volta a defender posição do PR no caso PCCR

Marinheiro de primeira viagem na disputa por um cargo eletivo nas próximas eleições, o presidente da Associação Comercial, Industrial e Turística de Cabo Frio, Walmir Porto (PR), em entrevista à Folha dos Lagos, declarou que não vê a política como um bicho de sete cabeças e se diz preparado para representar o povo em Brasília. Candidato a deputado federal, Porto comentou sobre as  alianças partidárias no estado e as  considerou normais.

Porto é de opinião que só com a mudança de pensamento do eleitor e do político, a Região dos Lagos conseguirá uma maior representatividade política. Para ele, os eleitores se acostumaram a votar nos candidatos forasteiros que, depois de eleitos, não fazem nada pela região, desaparecem e não podem ser cobrados. Porto defendeu a  posição do PR na ação de inconstitucionalidade do PCCR. e disse que compete a Justiça decidir se o plano tem ou não que ser corrigido.

Folha – As alianças partidárias no estado têm dado um nó na cabeça dos eleitores. Eles não entendem como que partidos opositores, ideologicamente contrários e com objetivos diversos possam estar unidos. O que o senhor pensa desse tipo de coligação?

Walmir Porto O fato de dois partidos serem de ideologias diferentes não significa que eles não tenham algo em comum. E quando esse algo em comum é maior do que as diferenças, natural que a coligação seja feita. Levando isso pra uma linguagem mais popular, o fato de eu ser flamenguista não me impede de me juntar a um vascaíno para assistir a um jogo da seleção brasileira.

Folha – O PR está unido ao PROS e ao PT do B no estado e ao PT a nível nacional. Essa união também não pode confundir o eleitorado desses partidos?

Porto – Acho que não. A união PR, PROS e PT do B no estado foi uma coisa natural, que surgiu em função desses três partidos entenderem que o melhor para o Rio de Janeiro é Garotinho governador. Quanto à união do PT em nível nacional foi uma escolha democrática, através do voto de todos os filiados do PR durante as prévias. Entre a opção pelo nome de cada um dos candidatos e uma candidatura própria, a maioria escolheu apoiar a presidente Dilma.

Folha – A Região dos Lagos tem apenas dois representantes da Assembleia Legislativa (Alerj) e um na Câmara Federal. Ou seja, uma baixa representatividade política. O que  fazer para mudar isso?

Porto – Se existisse receita para isso, acho que teríamos vários deputados eleitos por nossa região (risos). A resposta para essa pergunta é meio como responder quem veio primeiro: o ovo ou a galinha, porque de um lado temos alguns candidatos mais preocupados em se atacar do que em realmente mostrar ao eleitor do que são capazes, e por consequência, eleitores cada vez mais cansados dessas picuinhas e votando em qualquer um somente pela obrigação de votar. Por outro lado, temos o eleitor que está tão desacreditado na política local, que opta por votar em candidatos de fora. Na verdade acho que a mudança tem que vir dos dois lados: do político e do eleitor.

Folha – Nessas eleições, será possível termos um número maior de representantes nas duas casas legislativas?

Porto – Torço muito pra isso, porque nossa região precisa de pessoas que realmente representem nossa população, que estejam por perto quando a população precisar cobrar.

Folha – Por que as regiões do interior do estado são tão esquecidas pelos partidos?

Porto – Não diria que são esquecidas pelos partidos. Essa sensação de esquecimento vem exatamente do fato da população eleger candidatos de fora, que não possuem nenhum tipo de relação com a região, e por isso, depois de eleitos desaparecem e não podem ser cobrados.

Folha – Como candidato a deputado federal, o senhor é a favor da reforma política? Em sua opinião quais as mudanças que o senhor considera fundamentais?

Porto – Acho que temos muitas coisas que precisam ser revistas, e a questão da obrigatoriedade do voto é uma delas. Não entendo como democracia uma coisa que te obriga a fazer algo. Acredito que o voto consciente é muito mais poderoso do que o voto por obrigação.

Folha – Muitos políticos acreditam que a adoção do voto distrital ajudaria mais as cidades do interior no que diz respeito à representatividade política. O senhor pensa da mesma forma?

Porto – Pessoalmente acho que o voto distrital misto atende mais ao interesse dos eleitores. 

Folha – Essa é a primeira vez que o senhor se candidata a um cargo eletivo. O senhor se sente preparado para assumir uma vaga na Câmara Federal?

Porto – Claro que sim. Não vejo a política como um bicho de sete cabeças. O fato de nunca ter exercido um cargo político não significa que eu nunca tenha participado da vida política da minha cidade ou de outras cidades onde minhas empresas atuam. Existem pessoas que são políticas sem nunca terem se candidato a nada, da mesma forma que tem muita gente que foi eleita pra um cargo público sem nunca ter tido nenhuma vivência na vida política da sua cidade. Não é o voto que transforma alguém em político, mas o seu comportamento e o seu posicionamento diante das situações que vão surgindo no dia a dia.

Folha – O político brasileiro, de um modo geral, não goza de muito crédito perante a opinião pública. Em sua opinião, o que uma pessoa que está tentando tornar-se um político tem que fazer para conquistar a confiança dos eleitores?

Porto – Não sei se existe uma receita para conquistar a confiança do eleitor. Eu, por exemplo, valorizo algumas características como histórico do candidato: quem ele é, o que tem a oferecer, quais são seus envolvimentos em áreas sociais, qual seu histórico de participação na sociedade... Até porque ninguém vira corrupto porque foi eleito. Na verdade é o contrário: o eleitor elege o corrupto, mas só se dá conta disso quando já é tarde. Se você parar e analisar o histórico de vida dessas pessoas que aparecem hoje, na mídia, em escândalos de corrupção, vai perceber que em algum momento elas já tinham dado sinais de desvio de conduta. Acho que o eleitor deveria ter mais cuidado na hora de escolher seus candidatos, e as redes sociais estão aí, hoje, pra ajudar.

Folha – O PR municipal é o autor de uma ação de inconstitucionalidade contra o PCCR. O senhor acha que isso pode prejudicar os seus interesses políticos no município?

Porto – Procurar saber se um plano elaborado por um governo errático, como o do ex-prefeito, foi bem feito é proteger o beneficiário para que se conserte o que estiver errado caso a Justiça entenda que o plano tem erros. A origem desse plano é, no mínimo, pouco confiável na medida em que foi todo criado e formulado, na gestão do ex-prefeito, que hoje é destaque em vários sites e jornais pelo seu recorde em condenações pelo mau uso do dinheiro público. E o resultado inicial desse plano nós todos acompanhamos na imprensa: pagamentos sendo feitos de forma errada, uns recebendo mais, outros menos. E, justamente por ter sido criado sem uma análise maior, o PR entrou com essa ação que, ao contrário do que muitos dizem por aí, não pode ser extinta até seu julgamento: a lei não permite. Com esta ação o PR não diz que o PCCR é inconstitucional: ao contrário, o PR apenas questiona. Quem vai decidir se é ou não inconstitucional é a Justiça. O PR é apenas um partido, e não tem poder algum para declarar inconstitucional o que quer que seja. Da mesma forma o PR também torce para que o PCCR tenha sido totalmente feito da legalidade para que cada servidor tenha seu direito garantido. Mas, caso a Justiça declare que ele realmente é inconstitucional, nós, do PR, seremos os primeiros a cobrar da prefeitura que o plano seja totalmente refeito na lei.