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ELEIÇÕES 2020

Tom Viana: "Vou até o final para devolver a dignidade do povo de Búzios"

Candidato a prefeito de Búzios pelo PSL conversou com a Folha dos Lagos

23 outubro 2020 - 16h00Por Rodrigo Cabral e Rodrigo Branco

A Folha dos Lagos abre espaço nesta sexta-feira (23) para ouvir as propostas do candidato a prefeito de Búzios pelo PSL, Tom Viana. Cleristom Viana da Silva tem 49 anos e é administrador. Esta é a segunda experiência eleitoral de Tom, que foi suplente de vereador em Duque de Caxias, em 2008. O analista de sistemas André Castro, de 37 anos, é o candidato a vice-prefeito na chapa. 

Folha dos Lagos – Por que deseja ser prefeito? Qual legado quer deixar para a cidade?

Tom Viana – Inicialmente, não tinha desejo de ser prefeito de Búzios. Sou empresário e comerciante e possuo um hostel no centro da cidade. Passei por uma dificuldade enorme para obter o alvará do meu estabelecimento comercial. Nesse momento me deparei pela primeira vez com a máfia dos alvarás. Sou policial militar há mais de 20 anos. Tenho um histórico de combate contra o crime e principalmente contra as mazelas do sistema. O meu perfil combatente e um pedido do meu mentor político, o delegado da Polícia Federal Felício Laterça me levaram a tomar a decisão de colocar o meu nome à disposição para, como prefeito, acabar com a corrupção em Búzios. Como não fujo à luta, aceitei o convite e aqui estou enfrentando um município tomado por grupos ligados à corrupção. Já denunciei dezenas de contratos superfaturados e empresas fantasmas e vou até o final no meu propósito, que é devolver a dignidade do povo de Búzios. Montei uma equipe multidisciplinar, com profissionais de altíssima qualidade, responsáveis pelo melhor plano de governo que Búzios já teve. Todas as propostas do nosso plano, que se chama 40 anos em quatro, foram elaboradas por especialistas. Não tem viagem na maionese, todas são baseadas em dados, estatísticas, e estudos de viabilidade. Queremos transformar Búzios na Punta del Este do Brasil. Isso é possível, mas colocando profissionais competentes à frente das pastas. Não negociei secretarias por apoio politico ou econômico. Enviaram lobistas me oferecendo milhões por contratos e não aceitei. Não estamos à venda. 
 
Folha – Como retomar o desenvolvimento, gerando emprego e renda, após um cenário de pandemia?

Tom – Fortalecendo nossa natural vocação. Búzios é um destino turístico e tudo gira em torno do Turismo e da construção civil. Todos os comércios em Búzios estão direta ou indiretamente ligados às duas atividades. No nosso plano de governo, pontuamos várias ações diferentes que atendem o objetivo de gerar emprego, renda e desenvolvimento econômico e social. Ampliar os nossos produtos turísticos aproveitando o nosso potencial natural é uma delas. Por exemplo, Búzios tem 96 espécies de aves identificadas em três locais principais de avistamentos. Nos Estados Unidos, 34 milhões de pessoas praticam o Birdwatching ou Observação de Pássaros - em português – e o segmento movimenta mais de 30 bilhões de dólares anuais. Nós temos todas as condições de criar um roteiro de Birdwatching para atender essa crescente demanda mundial. Como esse, existe a possibilidade de criar dezenas de outros produtos turísticos que nos colocariam nas prateleiras das operadoras e agências especializadas pelo mundo afora. Esses projetos trazem mais turistas, o que significa mais hospedagem, mais alimentação, mais transporte, mais locações, mais passeios, mais emprego e renda, mais desenvolvimento econômico e social.

Folha - Os municípios da região tiveram índice baixo no Ideb. Como mudar esse cenário e quais seus planos para a Educação?

Tom – Investir em Educação em tempo integral e no nosso programa de militarização das escolas para trazer um diferencial na nossa Educação. As escolas militares têm excelentes contraturnos com atividades formativas não só do ponto de vista docente, mas  fundamentalmente na formação do caráter dos alunos. Melhorando a educação moral e cívica dos alunos, estaremos incentivando a formação de adultos responsáveis e conscientes dos seus deveres e obrigações. Um ponto importante é a qualificação da merenda e das refeições escolares. Muitos alunos dependem da escola para comer. Não há qualidade de aprendizagem com alimentação deficiente. O aluno precisa se alimentar bem para ter o seu corpo e o cérebro aptos para estudar mais e melhor. Precisamos alimentar bem as nossas crianças com dietas balanceadas elaboradas por nutricionistas especializados em nutrição infantil. Precisamos também incentivar a prática de esportes e a educação física dos alunos para combater a obesidade infantil e melhorar a saúde das crianças. Temos hoje crianças com diabetes e colesterol alto por conta da alimentação deficiente.

Folha – Quais suas principais propostas para a Saúde?

Tom – A nossa principal proposta para a Saúde é, de fato, fornecer atendimento adequado para a população. Vamos usar a tecnologia para que as pessoas não passem mais por essa covardia de enfrentar uma fila às 4 ou 5 horas da manhã para conseguir um agendamento de exame ou consulta. Vamos criar um aplicativo cidadão baseado no E- CIDADE para que todos os buzianos possam ter acesso a marcação de consultas, exames, resultados, receituário e coleta de medicamentos; tudo pelo  celular.  Chega de filas intermináveis e exames que demoram meses para ser feitos. Muitas vezes os pacientes dependem de laudos e resultados de exames para fechar um diagnostico, onde o tempo é fundamental para alcançar a cura. A demora em fazer um exame pode ser a diferença entre a vida e a morte. Outro projeto que vamos implantar com muito carinho é o atendimento nas escolas. Nossos alunos terão acompanhamento nas escolas com exame de vista, vacinação, oculista, exame dentário, exames de glicose, de doenças sexualmente transmissíveis e vermifugação. Isso é medicina preventiva. Nos propomos a identificar o problema antes que ele seja grave.

Folha  – Quais as principais políticas que serão adotadas para o Turismo?

Tom – Precisamos primeiro criar um plano estratégico de promoção turística que norteie as nossas ações pelos próximos cinco, dez e 15 anos. Precisamos criar uma indústria forte que se mantenha ao longo da história e que deixe um legado para a cidade. Precisamos melhorar os nossos equipamentos turísticos para que possamos almejar mais turistas de diferentes segmentos. Não podemos só pensar em sol e mar. Temos 24 praias? Ok. Mas temos muito mais que isso. Temos trilhas e roteiros que podem ser aproveitados para caminhadas, biking e cavalgadas. Temos potencial em observação de pássaros como foi falado. Temos potencial na pesca esportiva, no turismo náutico, no golfe, no Hipismo com a reativação do novo Búzios Country Club, antigo Centro Hípico. Precisamos de uma vez por todas criar um verdadeiro calendário de eventos. Búzios nunca teve um de verdade. Para isso precisamos trabalhar o primeiro ano com uma equipe especializada, captando eventos em 2021 para formar o calendário para 2022. Mais do que nunca, precisamos pensar no turismo a longo prazo. Criar infraestrutura turística e abrir novos mercados. Abrir e consolidar um mercado até ele atingir o seu auge demora de quatro a cinco anos. Mas o seu resultado é colhido por décadas. Todos os que já sentaram na cadeira de prefeito só investiram em ações a curto prazo. E por quê? Porque os políticos oportunistas não investem em ações que possam trazer resultados que ultrapassem a fronteira do mandato. Nós queremos deixar um legado. Trabalhar para nossos filhos e os nossos netos. Não para encher os bolsos em quatro anos com desvio de dinheiro público.

Folha – O que o candidato pensa em relação a políticas afirmativas para mulheres, negros e LGBTs?

Tom – Não fazemos discriminação de pessoas de nenhuma espécie. Temos amplo respeito por aquilo que nos iguala, que é a condição humana, não havendo qualquer discriminação de gênero, raça, cor, credo ou condição social. Porém, entendo que devemos atender as especificidades de todos os grupos sociais, com atenções específicas às minorias e grupos em fragilidade social, buscando sempre a equidade. Governaremos para todos. Todos precisam de atenção médica adequada, Educação de qualidade, emprego e renda. Nossa proposta é pautada em desenvolver politicas públicas e se fazer presente em todas as parcelas da sociedade buziana, sempre respeitando as particularidades de cada uma. Precisamos ter politicas afirmativas para o ser humano não importando raça, cor, opção sexual ou idade, ou coisas do tipo, pois a meta é desenvolvimento e ampla prosperidade para todos.

Folha – Quais suas principais propostas para o Esporte?

Tom – O nosso principal objetivo em relação ao Esporte é incluir Búzios nos programas federais de incentivo. Búzios, às vezes, parece que nem está no Brasil. O governo federal possui verbas para os municípios incentivarem os programas de esporte, mas Búzios não participa em nenhum deles. Ao todo, são sete programas desenvolvidos pelo governo federal que poderiam estar trazendo muitos benefícios para Búzios. Vivemos numa bolha, isolados sem contar com suporte federal no município. Por isso estamos fazendo alianças e parcerias com deputados federais como o Felício Laterça e o Otoni de Paula para termos os nossos defensores no Congresso Nacional. Queremos trazer também uma famosa escola de voleibol e uma escola de tênis para Búzios. Vamos desenvolver o programa ‘Adote um Atleta' para que empresários tenham benefícios fiscais apoiando atletas locais com potencial em seus respectivos esportes.

Folha – Quais as principais propostas para a Cultura? 

Tom – Vemos a Cultura por três prismas diferentes. Primeiro, a preservação do patrimônio histórico e cultural de Búzios, ligado ao legado histórico do município, aos usos e costumes dos antigos e as raízes históricas. Neste quesito, criaremos o Museu Municipal Histórico e, dentro dele, o Museu da Pesca e o Museu Virtual de Búzios. Também queremos criar o Oceanário de Búzios, projeto do grande arquiteto Oscar Niemeyer e, dentro dele, um Instituto de Pesquisa Oceânica para estudo e preservação da flora e fauna marinha da região. Segundo, ações culturais que visam ao fortalecimento do coletivo buziano e promovam o desenvolvimento social, artístico e cultural dos buzianos. Neste ponto, propomos a criação da Escola Municipal de Música, Escola Municipal de Dança, a Orquestra Municipal de Búzios, a Companhia Buziana de Dança e a Escola Municipal do Artesão. Por fim, as ações culturais que visam à criação e captação de eventos que possam incentivar o desenvolvimento econômico e social de Búzios. Neste ponto, propomos a criação da Concha Acústica, com capacidade para cinco mil pessoas, e o objetivo de incluir Búzios nos circuitos mundiais de música, dança e teatro. Esse palco também vai ser usado para manifestações artísticas locais. Como exemplo, o Festival Rio Montreaux Jazz Festival teve um impacto econômico na ordem dos R$ 50 milhões. Um evento gerou quase um sexto do orçamento do município. Este projeto também é uma oportunidade para que os buzianos tenham acesso a eventos artísticos de altíssima qualidade com parte dos ingressos destinados às escolas locais.

 Folha – Quais os projetos do candidato para qualificar e ampliar a atuação da Guarda Municipal na Segurança Pública?

Tom – Queremos nos aliar a outros municípios para ampliar a colaboração da Guarda Municipal no policiamento ostensivo da cidade. Com a guarda armada e o devido treinamento podemos ter um aumento significativo de agentes de segurança pública. Qualificar o trabalho dos servidores com plano de cargos e salários e reconhecer a periculosidade da atividade no sentido de que possam receber um adicional pelo desempenho da função. Criar uma guarda turística especializada atendendo os turistas em pelo menos três idiomas, e que esta seja responsável pela segurança de trilhas e roteiros turísticos do município.

Folha – Quais suas prioridades em relação à infraestrutura da cidade?

Tom – Precisamos devolver à população os seus impostos em benfeitorias que impactem diretamente em sua qualidade de vida. E isso passa pelo básico: água, esgoto e ruas pavimentadas. Precisamos fazer um levantamento das ruas que constam no sistema do município como asfaltadas, mas não estão. Isso é o resultado da corrupção que desvia o dinheiro público em detrimento do cidadão. Precisamos, de fato, asfaltar todas as ruas remanescentes de Búzios, mas primeiro precisamos saber quais são. Abastecimento de água para todos e rede separativa de esgoto. Temos ruas com esgoto correndo a céu aberto. Queremos começar a trabalhar um projeto de cabeamento subterrâneo para a cidade, pois os postes já não suportam mais todas as redes aéreas dos serviços de telefonia, internet e eletricidade. O nosso projeto de Infraestrutura e Mobilidade Urbana foi elaborado por engenheiros urbanistas que entendem muito de projetos de implantação e expansão de cidades.

Folha– Quais as principais políticas que serão adotadas em relação ao Meio Ambiente?

Tom – O nosso principal gargalo é a coleta de lixo. Búzios, pelo volume que gera diariamente de lixo urbano, principalmente com a população flutuante em períodos de alta temporada, precisa de uma planta de processamento e reciclagem, fazer a destinação correta do nosso lixo de forma a que possamos reaproveitar o lixo orgânico para a geração de energia e/ou gás. Como grande parte de nossos dejetos provem da indústria da construção. É muito importante a reciclagem e a correta destinação dos dejetos de obras. Hoje já existe tecnologia barata para criar blocos para pavimentação de ruas a partir de dejetos da construção. Com os resíduos de podas de árvores é possível de forma bem simples a criação de briquetes de madeiras que podem ser comercializados para a combustão. Outro projeto nosso é a criação dos planos de manejos dos parques e APAs do município para a regulamentação do potencial construtivo e a verdadeira preservação do patrimônio ambiental de Búzios. Teremos um olhar especial para a educação ambiental ensinando as nossas crianças e adolescentes o valor da preservação para as gerações futuras. Dependemos dos recursos naturais que devem ser preservados pelo bem comum.

 Folha – De que maneira o município pode ser mais independente dos repasses dos royalties? Como enxerga um cenário caso o regime de partilha dos royalties seja alterado no STF?

Tom – Acreditamos que o bom senso prevalecerá e o novo regime de partilha não irá à frente, pois apesar dos recursos hídricos e minerais pertencerem à unidade federativa, fica claro na lei de repasse de cotas dos royalties que se trata de uma medida compensatória aos municípios que fazem parte do ciclo de extração e logística do óleo bruto e é destinado para mitigação de danos, fundos de ações emergências para áreas que são afetadas e sofrem impacto direto com a exploração e também para planos de segurança e controle de desastres ambientais. A meu ver, a nova regra de partilha é inconstitucional e arbitrária. Entretanto, temos um plano de governo focado em mapeamento e desenvolvimento de novas atividades econômicas, considerando os ativos naturais, históricos e sociais de nossa cidade e entendemos que não precisamos nem devemos depender tanto dos royalties. Esses recursos representam cerca de 60% do nosso orçamento, enquanto os recursos provenientes do mar, como o setor pesqueiro, turismo náutico e de aventura não chegam a 3%. Uma economia forte e segura se faz com aumento do desenvolvimento econômico, gerando aumento na arrecadação e crescimento sustentável de novos mercados. Posso afirmar que Búzios possui todos os predicados para se tornar um farol para toda Região dos Lagos e Norte Fluminense e nossa equipe está preparada para fazer acontecer. Sabemos o que fazer e como fazer a cidade gerar riquezas em todos os níveis e para toda a população da península e, principalmente, para o continente, onde mais se precisa.

(*) O entrevistado deste sábado (24) será o candidato Henrique Gomes, do Patriota.

 

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