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DIÁLOGO – CARLOS ERNESTO DORNELLAS

Secretário de Saúde de Cabo Frio diz que rede está pronta para o verão

Número de médicos, no entanto, ainda preocupa

16 dezembro 2019 - 20h55Por Rodrigo Branco

Trabalhar em meio à crise da rede pública municipal de Saúde não é novidade para o médico Carlos Ernesto Dornellas. Substituir gestores desgastados pelos problemas da pasta também não. No último governo Alair Corrêa (2013-2016), ele foi um dos 11 secretários nomeados e na atual gestão, de Adriano Moreno (DEM), ele é o terceiro, sucedendo a Márcio Mureb e Antônio Macabu. Nesta entrevista, Carlos Ernesto faz um balanço da sua administração e, apesar de admitir a dificuldade de conseguir médicos, garante o bom funcionamento das unidades durante a alta temporada. Diz também que a obra da UPA de Tamoios pode ser entregue antes do prazo.

– A obra está em ritmo acelerado. Na sexta-feira, passamos por lá e está 30 a 40% concluído. Acho que antes desses 120 dias a gente consegue entregar essa obra – adianta.

Folha dos Lagos – A rede municipal de Saúde está preparada para o verão em Cabo Frio?

Carlos Ernesto – A gente já adequou as emergências: o Hospital Central de Emergência e o São José Operário. E a UPA, a partir da semana que vem, vai estar com o funcionamento completo. A gente vai usar uma escala extra, com 50% de profissionais, tanto enfermeiro, técnico de enfermagem e médico tanto do dia 30 ao dia 1º. Isso também no Jardim Esperança. No segundo distrito, em Tamoios, tanto no hospital quanto da UPA que foi aglutinada. Tanto insumos como medicamentos, a gente já está com itens que não foram contemplados na outra licitação. A gente vai fazer essa licitação essa semana. Então, acho que não vai ter problema tanto com insumo, material e parte médica.

Folha – Qual o balanço que você faz desses meses em que está de volta à Secretaria de Saúde?

Carlos Ernesto – É a segunda vez que me chamam para gerenciar um momento de crise para mitigar os problemas e o sofrimento da população. A gente está conseguindo fazer as licitações que não foram feitas e com a manutenção de material quase resolvido. A obra da UPA infelizmente teve que começar agora, mas se não começasse, o Ministério Público, os Bombeiros e o CRM iriam interditá-la. Podia ter começado antes, mas não começou, aí chegou num momento muito crítico. O chão estava afundando e as pessoas caindo, então causava risco. Então não tinha saída, tinha que fazer. Eu sei que o momento não é o ideal, mas não tínhamos como esperar três meses, para começar em março. Mas a obra está em ritmo acelerado. Na sexta-feira, passamos por lá e está 30 a 40% concluído. Acho que antes desses 120 dias a gente consegue entregar essa obra. A gente também está tentando fazer uma redução da folha. A gente teve uma adequação do TCE-RJ e perdemos 226 profissionais.

Folha – Como está a reposição desses profissionais?

Carlos Ernesto – O mais difícil de conseguir é o médico. No fim do ano, é difícil conseguir médico. Na parte de emergência, a gente já conseguiu uma grande parte. Nesse final de ano, vai ter mais profissional formando e a gente, talvez, consiga pessoal que está terminando residência médica para termos uma facilidade maior a partir de janeiro. Mas é difícil. Hoje em dia, o TCE trabalha junto com o Ministério Público. Na hora que eles fazem a determinação, comunicam ao MP. Não tem muito que fazer, tem que acatar. Nós acatamos e o próprio pessoal pediu exoneração, nós não demitimos ninguém.

Folha – De quanto é o déficit de médicos hoje e como esse problema vai ser resolvido enquanto o quadro não for recomposto? 

Carlos Ernesto – A gente está fazendo com extra: hora extra e escala extra. Atualmente nosso déficit é mais na parte de ambulatório, mas não tenho o número.

Folha – Há muita reclamação sobre o tempo de atendimento, sobretudo na UPA e nos hospitais de Tamoios e do Jardim Esperança. O que a secretaria está fazendo para melhorar essa questão?

Carlos Ernesto – No Hospital do Jardim, estamos reestruturando a parte médica, que estava sem médico algum e muitos pedidos de demissão. Estamos colocando a classificação de risco. O enfermeiro e o técnico de enfermagem fazem a primeira abordagem e depois passa para o atendimento. Infelizmente, os casos menos graves, que são chamados de ‘verdes’, como gripe ou dor nas costas, que são os que muitas vezes vão para a mídia, têm que aguardar. A emergência tem a vaga na frente. Na UPA, atualmente, a gente está com quatro clínicos e três pediatras. Não tinha isso antes, eram só dois médicos. No Jardim é que a gente ainda tem um problema que está sendo resolvido neste mês, por causa de equiparação salarial. O prefeito autorizou e o salário no Jardim será igual ao do HCE e do Hospital São José Operário. Então, acho que vai resolver.

Folha – Há um prazo para a volta das cirurgias e dos procedimentos cardiovasculares para Cabo Frio, transferidos para Macaé há mais de um mês?

Carlos Ernesto – O problema na Clínica Santa Helena foi com a Vigilância Sanitária Estadual, que fez a interdição da unidade. Na verdade, estava sendo feito o credenciamento do Hospital Santa Izabel. Quando tivesse esse credenciamento, o Santa Helena ia para esse atendimento, mas ele foi interrompido por outro problema, de Vigilância Sanitária. Então, a gente não teve opção. A gente já conversou duas vezes com o secretário estadual de Saúde. A última vez foi quando o governador esteve aqui. Ele se comprometeu a retornar essa verba para o município, até porque essa verba não é do município, pertence aos nove municípios da Baixada Litorânea. E com o Ministro da Saúde a gente está tentando acelerar o credenciamento do Hospital Santa Izabel. Na semana passada, estive em Brasília, no setor de regulação do Ministério da Saúde e acho que no início do ano vai estar autorizado o credenciamento do Santa Izabel. Mas não é fácil nem rápido. Em contrapartida, acho que a Santa Helena não tem muito interesse de regularizar para retirar essa interdição. Eles querem transferir esse atendimento para o Santa Izabel, mas os pacientes estão sendo atendidos em Niterói e Macaé. Quando resolver aqui, essa verba volta para cá.

Folha – A Secretaria de Saúde está levando em consideração os apontamentos feitos pelas CPIs para a melhoria do Hospital da Mulher?

Carlos Ernesto – A gente fez um TAC tanto com o Ministério Público e estamos cumprindo os acordos. Fizemos obra de melhoria; foi feita a licitação para compra de alguns ‘big’ berços e incubadoras, que tinha sido solicitado. Em termos profissionais, aumentos o quadro funcional nos fins de semana e a nossa próxima meta, a partir de janeiro, é começar as cirurgias eletivas. Fazendo essa licitação que a gente tem essa semana, se estiver tudo certinho, vamos começar a fazer cirurgia eletiva no Hospital da Mulher e no São José Operário.

Folha – Para 2020, quais as novidades na rede municipal de Saúde?

Carlos Ernesto – A gente vai fazer uma melhoria nos postos de saúde, nos ESF’s, que já é uma obra já direcionada pelo Ministério da Saúde. Só faltam alguns projetos e algum planejamento para ter a recuperação completa. Acho que a gente vai conseguir melhorar a parte de medicamentos e insumos após essa licitação. E a parte médica, a partir de janeiro ou fevereiro, a gente tem um equilíbrio. Essa é uma época difícil porque ninguém gosta de trabalhar no Natal. Ano Novo e Carnaval. É difícil conseguir o profissional em dezembro, mas em janeiro ele já aceita o plantão. Então, a partir de janeiro, fevereiro, a gente já vai estar equalizado. 

Folha – Como o município está se preparando com relação a um possível aumento da incidência da dengue?

Carlos Ernesto – Hoje (ontem) mesmo, a gente estava conversando sobre a motobomba. A gente vai fazer uma escala no Peró, onde há uma incidência muito grande de casa vazia e problemas com mosquito. Começou hoje (ontem) e vai até dia 2, uma ação com equipes da Comsercaf. Ver mato, água parada. A gente vai começar com combate a vetores e passando o carro com motobomba para poder combater. Além de programas de orientação, panfletos, propaganda para a população ajudar. A preocupação é com a prevenção e vai começar agora antes do fim do ano. Geralmente, logo depois do Carnaval tem um surto de dengue por causa das chuvas de janeiro. Então, a gente vai começar agora e prolongar por janeiro inteiro, tendo chuva ou não. Peró, Jardim Náutilus e Jardim Esperança são os três lugares mais complicados. 

 

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