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Política

‘Rio merece um tratamento diferenciado’, afirma Hugo Leal (PSD)

Parlamentar fala da coordenação da bancada do Rio e dos governos Witzel e Bolsonaro

03 abril 2019 - 08h45
‘Rio merece um tratamento diferenciado’, afirma Hugo Leal (PSD)

RODRIGO BRANCO

É possível dizer que o deputado federal Hugo Leal (PSD/RJ) é um sobrevivente em meio ao tsunami de renovação na Câmara dos Deputados, promovida nas eleições do ano passado. Na bancada do Rio, por exemplo, 30 das 46 cadeiras (65,2%) são ocupadas por novatos. Com 63.561 votos, Hugo Leal conseguiu ultrapassar o ‘funil’ e cumpre o quarto mandato, agora pelo PSD.

Após uma disputa acirrada contra os colegas Sargento Gurgel (PSL) e Sóstenes Cavalcanti (DEM), o deputado conseguiu manter a posição de coordenador da bancada fluminense. Em entrevista à Folha, Hugo Leal comenta sobre como atua um coordenador de bancada e fala sobre a situação econômica do Estado do Rio, dos governos Witzel e Bolsonaro, além de projetar a situação do partido para o próximo ciclo eleitoral. Por fim, ele faz um balanço sobre a Lei Seca, cujo projeto foi de sua autoria.

– No Brasil inteiro, o número que chegou a 43 mil, ficou em 37 mil em 2016, o último dado disponível. Mas ainda é um índice alto – acredita. 

Folha dos Lagos – O que faz o coordenador de uma bancada estadual?

Hugo Leal – A principal função é coordenar as discussões sobre as emendas de bancada, que são as emendas impositivas, de interesse de todo o estado, que precisam ser acordadas entre os parlamentares para entrarem no Orçamento da União. Isso, em geral, envolve uma longa discussão. E, depois, acompanhar a liberação dos recursos estabelecidos pelas emendas. Além dessa função principal, que repete-se todos os anos, cabe ao coordenador também mobilizar a bancada em casos excepcionais em interesse do estado como, por exemplo, nos últimos anos, a crise fiscal do Rio ou a intervenção na segurança pública, quando houve, inclusive, necessidade de aprovação de pautas específicas para o Rio.

Folha – Como será sua atuação à frente da bancada fluminense?

Hugo – Venho exercendo a função de coordenador há 10 anos com uma marca de diálogo e transparência que sempre foi uma característica da minha atuação parlamentar. Vou continuar assim.

Folha – Pela primeira vez houve eleição para escolha do coordenador da bancada e o resultado foi apertado. A que atribui esse fato?

Hugo – Na verdade, alguns deputados antigos e novos sentiram a necessidade de um coordenador-geral que, antes, não existia. Eram cinco coordenadores e sempre chegavam-se aos nomes por consenso. No momento em que se decidiu que haveria um coordenador-geral, foi natural haver disputa. E, numa bancada com 46 deputados e três candidatos, não foi surpresa que o placar não fosse elástico. Mas foi uma disputa saudável. Tanto que os deputados Sóstenes (Cavalcanti, do DEM) e (Sargento) Gurgel (PSL) também estão na coordenação ao lado das deputadas Clarissa (Garotinho, Pros) e Benedita (da Silva, PT).


Folha – Qual o principal desafio dos deputados fluminenses nesta legislatura?

Hugo – Acho que a principal desafio é deixar as divergências ideológicas de lado e focar nos problemas do Rio que vive um momento muito difícil. Tivemos uma campanha eleitoral muito polarizada, muito tensa que deixou sequelas que precisam ser superadas. Creio que todos têm essa consciência mas há um processo a ser enfrentado.


Folha – Qual sua avaliação dos primeiros meses da gestão do governador Wilson Witzel? Como pretende colaborar para a recuperação do Estado do Rio?

Hugo – Creio que o governo está fazendo seu dever de casa, buscando arrumar as finanças, trabalhando duramente para botar a casa em ordem. O governador Wilson Witzel tem trabalhado junto ao governo federal, mostrando as dificuldades do estado. Já me coloquei à disposição do governado para ajudar nessa intermediação, tanto ajudando a aprovar pautas de interesse do estado no Legislativo quanto no trabalho junto ao Executivo.
 

Folha – Apenas o plano de recuperação fiscal é o suficiente para tirar o estado da crise? Qual a saída a médio e longo prazos?

Hugo – O plano de recuperação fiscal é um alívio momentâneo mas não resolve o problema do Estado. Além da reestruturação que o governo estadual, será necessária uma nova renegociação, uma nova repactuação. Eu entendo que o Rio de Janeiro, pela sua condição de ex-capital federal e por todas as perdas que teve com a fusão entre os dois estados, merece um tratamento diferenciado.

Folha – Em relação ao governo Bolsonaro, o PSD anunciou apoio para aprovação de temas de interesse do governo. Qual a sua posição sobre a proposta de Reforma da Previdência enviada pelo presidente ao Congresso?

Hugo – A reforma da Previdência é um tema importantíssimo e muito complexo. Por isso mesmo, o PSD está discutindo a proposta do governo internamente e orientou a bancada a não externar posições individuais. Todos nós sabemos que são necessárias mudanças na Previdência que, aliás, já ocorreram em 1997, em 2003, em 2005, em 2014. Há um déficit real e crescente que precisa ser enfrentado. Essa discussão precisa ser transparente. O PSD está discutindo. Vamos aguardar a segunda parte da proposta, relativa aos militares, e vamos divulgar uma posição conjunta do partido.

Folha – Como está a estruturação do PSD na Região dos Lagos?

Hugo – O PSD está passando por uma reestruturação, não só na Região dos Lagos mas em todo o estado, desde as eleições de 2018. Estamos organizando eleições nos diretórios municipais até maio e, em junho, teremos a eleição do novo diretório estadual. O objetivo do PSD no Rio é ter candidatos próprios a prefeito em todos os municípios: naturalmente, isto não será possível. Mas esta é a nossa meta.

Folha – A Lei Seca, de sua autoria, completou dez anos em 2018 e é considerado um avanço na diminuição dos acidentes de trânsito. O que falta para que o trânsito brasileiro seja mais seguro?

Hugo – Efetivamente há uma redução no número de vítimas. Nas capitais, por exemplo, entre 2010 e 2016, o número de vítimas caiu 27%. No Brasil inteiro, o número que chegou a 43 mil, ficou em 37 mil em 2016, o último dado disponível. Mas ainda é um índice alto. Os dados mostram ainda que onde há fiscalização, onde há as operações Lei Seca, há uma redução maior no número de vítimas. Tenho uma expectativa grande agora com a entrada em vigor do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito que foi aprovado pelo Congresso e, no segundo semestre do ano passado, regulamentado pelo Executivo. Ele vai estabelecer metas que deverão ser cumpridas por estados e municípios e que a sociedade vai poder fiscalizar e cobrar. Outra medida importante é que o governo pretende começar a usar o ‘drogômetro’ – que é a versão do bafômetro para identificar o uso de drogas. De qualquer forma, creio que são fundamentais ações permanentes de fiscalização e educação, além de um órgão nacional, uma agência de segurança viária, como existe em outros países, que trate o tema da segurança no trânsito como prioridade, o que nunca é feito no Brasil.

 

*Foto: Gustavo Lima