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Renatinho: 'não é momento de festa, mas de gestão'

Prefeito fala sobre cancelamento de festividades de aniversário, mas espera por dias melhores

13 maio 2017 - 15h15Por Rodrigo Branco
Renatinho: 'não é momento de festa, mas de gestão'

Em Arraial do Cabo, a história une passado e presente. Primeiro prefeito após a cidade separar-se de Cabo Frio, em 1985, Renato Vianna é pai do atual prefeito, Renatinho Vianna, que hoje passa, pela primeira vez no cargo, o aniversário de emancipação político-administrativa do município. O momento financeiro delicado, no entanto, impediu as comemorações. Orçado em R$ 120 mil, o tradicional desfile cívico teve que ser cancelado. Contrariado, o prefeito diz que o momento é de austeridade mas, cheio de otimismo, acredita que a hora da virada está chegando.

– Ano que vem será o nosso ano. Vamos ter uma grande alta temporada e, se Deus quiser, poderemos fazer uma comemoração de aniversário como a cidade merece – espera o prefeito cabista.

Folha dos Lagos – Como será o primeiro aniversário da cidade à frente da Prefeitura?

Renatinho Vianna – Para mim é muito gratificante e motivo de muita honra. Fico entristecido de ter tomado medidas drásticas, mas diante do momento de crise do Governo do Estado e da herança deixada pelo governo passado, como dívida de R$ 38 milhões, dívidas previdenciárias, redução dos royalties, são medidas necessárias. Não é momento de festividades e sim de gestão. Algumas pessoas entenderam e outras não. Mas tenho certeza que o cidadão de bem entendeu pelo momento que estamos passando.

Folha – Quais seriam os custos das comemorações?

Renatinho – O desfile cívico custa R$ 120 mil, a festa na Câmara, aproximadamente R$ 100 mil, o que daria gastos de quase R$ 250 mil. Os municípios estão num aperto danado e eu não poderia fazer diferente. Temos que respeitar a coisa pública. Mas gostaria de desejar um feliz aniversário de 32 anos para a população cabista. Estamos trabalhando muito para arrumar a casa. Ano que vem vai ser o nosso ano. Vamos ter uma grande alta temporada e, se Deus quiser, poderemos fazer uma comemoração de aniversário como a cidade merece.

Folha – O seu pai foi o primeiro prefeito após a emancipação. Como ele tem te ajudado nesse momento de crise?

Renatinho – Tenho por hábito ouvir as pessoas experientes, não apenas o meu pai, mas outros, como o ex-prefeito Davi Dutra (1993-1996), e outras pessoas que sempre participam desse contexto. Discuto sempre as decisões em grupo, mas a última palavra é minha.

Folha - E como está a situação financeira?

Renatinho –Vale dizer que não contamos com a arrecadação de royalties que teve o governo passado; nem com dinheiro da venda da FIA, da venda do esgoto, da repatriação. Estamos cortando um dobrado tremendo para deixar o salário em dia. Mas num contexto geral, estou muito satisfeito. Estamos priorizando a coletividade. Deixando a cidade limpa e organizada; tem a Saúde; tem a Educação que tem muito a melhorar, mas tem melhorado a cada dia. Apesar de todas as dificuldades, estamos muito satisfeitos com o trabalho.

Folha – Nesse contexto, o melhor presente para os cabistas neste aniversário é ter os serviços essenciais funcionando?

Renatinho – Não podemos fugir desse contexto. Além da herança recebida, tem a crise. O maior presente para a cidade é o compromisso da administração pública de sanear as contas. Tenho certeza que vamos sair desse atoleiro que estamos enfrentando. Como eu já disse, não é momento de festa e sim de gestão.

Folha – Qual a avaliação que você faz da visita a Brasília na última semana?

Renatinho – Nossa peregrinação começou logo depois da eleição. Tivemos êxito em conseguir emendas parlamentares. Foram R$ 3 milhões apenas do senador Eduardo Lopes (PRB), outra da deputada Rosângela Gomes e de outros de deputados que tem carinho por Arraial do Cabo. A tônica do discurso foi de união, independentemente das questões políticas. O Estado se encontra numa crise que acaba se refletindo nos municípios. Protocolamos uma série de reivindicações que, se forem atendidas em 50%, já vai ser um grande passo. Vamos ter a reunião com o presidente Michel Temer (em 5 de junho) para questionar e cobrar sobre a medida que vai nos tirar 50% dos royalties. Isso vai quebrar os municípios. O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, disse que vai ser a voz do Estado do Rio de Janeiro, por ser da bancada fluminense.