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VOTO DE FARDA

Região dos Lagos tem 68 candidatos militares ou ligados às forças de Segurança Pública

Número é ligeiramente maior, mas proporcionalmente menor do que o registrado em 2016

31 outubro 2020 - 11h14Por Rodrigo Branco

Em muitos casos, a patente ao lado do nome desfaz qualquer dúvida de que se trata de um candidato militar. No país em que o presidente da República é um capitão do Exército, vários postulantes a um cargo nas eleições municipais deste ano saíram das fileiras dos quartéis ou atuam na área de Segurança Pública. Na Região dos Lagos, segundo levantamento feito pela Folha no banco de dados do TSE, 68 candidatos tiraram a farda ou o distintivo para ir à luta, não diretamente contra os criminosos, mas para pedir votos da população.

O número de candidatos que declararam esse tipo de ocupação profissional é ligeiramente maior do que o registrado em 2016, quando 66 concorrentes afirmaram ser policiais, bombeiros ou integrantes das Forças Armadas. Entretanto, a proporção este ano é menor em relação a quatro anos atrás, ao contrário do que poderia supor, a partir do sucesso de Jair Bolsonaro nas urnas em 2018.

Neste ano, os 'candidatos de farda' representam 3% do universo de pretendentes aos postos de prefeito, vice-prefeito e vereador nos sete municípios da região (68 em 2.240); ao passo que, em 2016, os 'fardados' eram 3,8% do total de 1.709 candidatos. Este ano, são 33 policiais militares; 13 militares reformados; nove bombeiros; oito integrantes das Forças Armadas e cinco policiais civis. Entre os postulantes, há apenas uma mulher, que é candidata a vereadora em São Pedro da Aldeia.

Para o historiador Paulo Roberto Araújo, após a redemocratização, em 1985, os militares se retiraram da cena política, mas jamais deixaram de participar da vida pública nacional. O professor acredita que o 'populismo de direita' que beneficiou Bolsonaro ajuda a incentivar esse tipo de candidatura.

O pesquisador conclui dizendo que os candidatos vindos da caserna têm uma agenda bem definida.

– O que pode caracterizar a especificidade da atuação política destes militares neste momento, é que agora, eles se colocam como interlocutores 'legítimos' para resolver alguns problemas que afligem a opinião pública, e entre eles, está a segurança – opina.

O também professor de História, José Francisco de Moura, o professor Chicão, concorda com o colega sobre o conceito proposto de 'servir e proteger o povo', mas diverge sobre a influência do presidente no estímulo ao processo de efetivação dessas candidaturas.

Para Chicão, trata-se de uma questão filosófica, referente ao embrutecimento e à violência da sociedade.

– Acho que é um endurecimento da vida social, o que é expresso em várias coisas e essa é uma delas. A ideia da ordem e da força na política é só mais um reflexo. Antigamente, boxe era proibido de passar antes da meia-noite por ser considerado um esporte violentíssimo, hoje o MMA passa às 16 h pra cirança, com violência dez vezes pior. A violência se disseminou nos desenhos, na TV, nos filmes, até nas relações pessoais e sexuais. O Bolsonaro é um efeito disso; não é a causa – raciocina.



 

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