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Professores de São Pedro afirmam ter sido obrigados a aplaudir Pezão

Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe) recebe denúncia sobre o caso; Secretaria Municipal de Educação nega obrigatoriedade

22 agosto 2014 - 22h35Por Rodrigo Branco
Professores de São Pedro afirmam ter sido obrigados a aplaudir Pezão
O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe) recebeu denúncias de professores da rede municipal de ensino de São Pedro da Aldeia  sobre uma suposta pressão feita  por alguns diretores de escolas sobre os docentes e funcionários para participação em um ato de campanha do atual governador do Estado e candidato a reeleição Luiz Fernando Pezão (PMDB), realizado quinta à noite, em um clube da cidade.
O convite para a reunião teria partido do próprio prefeito Cláudio Chumbinho (PT), aliado do governador, mas a Secretaria de Educação negou qualquer obrigatoriedade de comparecimento dos servidores ao evento. A diretora do Sepe-Costa do Sol, que representa a categoria em São Pedro e Iguaba Grande, Narcisa  Maria da Conceição, disse que as reclamações se referem somente a algumas direções que, à revelia do prefeito e da Secretaria, teriam sugerido, de forma velada, que seus subordinados deveriam comparecer ao evento  sob a  alegação “de serem funcionários contratados”.  
No mesmo horário do compromisso de Pezão, foi realizada uma assembleia da categoria, na sede do Sepe-Costa do Sol, durante a qual algumas das denúncias foram apresentadas.  
– O Evaldo (Bittencourt, secretário municipal de Educação) fez reunião com responsáveis pela direção das escolas, que convidaram os funcionários.  Mas parece que foi um convite meio tendencioso, segundo a denúncia de alguns professores.  Muitos se sentiram coagidos. Segundo eles, algumas diretoras entenderam que o convite, na verdade, seria uma imposição e disseram que “deveriam repensar sua posição, pois o prefeito tinha a caneta”.
Em depoimento à reportagem da Folha, Evaldo Bittencourt negou de forma veemente que tenha havido qualquer coação aos servidores por parte da prefeitura e da secretaria para participação na reunião. Segundo ele, os funcionários da secretaria que participaram do evento o fizeram “espontaneamente” e “com muita satisfação”. Ele também ressaltou que qualquer denúncia do tipo deve ser formalizada e comprovada pelos seus autores.
– Realmente foi feita uma reunião fora do expediente de trabalho, mas vivemos em uma república e a Constituição garante a todos o direito de ir e vir. Fiz o convite aos diretores em nome do prefeito Chumbinho, mas em  nenhum momento houve pressão ou obrigatoriedade pelo comparecimento dessas pessoas. Da minha parte, estou muito tranquilo. A reunião transcorreu sem nenhum incidente e em nenhum momento fui abordado para qualquer questionamento. Estava na condição de professor e cidadão – argumentou o secretário.
Desabafo – O assunto repercutiu bastante nas redes sociais nos últimos dias. Na página do professor da rede municipal Gelcimar Souza Santos no Facebook, que é concursado, foi publicado na última terça-feira (19), dois dias antes do encontro, um desabafo sobre a suposta pressão feita por algumas diretoras para que funcionários da secretaria comparecessem à reunião com Pezão.
– Há fatos que acontecem em São Pedro da Aldeia com os quais não posso pactuar, por conseguinte sou obrigado a soltar a minha voz! Algumas diretoras –não aquelas nas escolas em que trabalho – reuniram-se com o pessoal contratado e exigiram a presença deles no clube na próxima quinta-feira para bater palmas pro (sic) ‘Pezão’!!! Se não perderão o contrato no ano que vem – postou o professor que, em conversa com a Folha, disse ainda que o convite das referidas diretoras foi “malicioso” e que “90% do funcionalismo da Educação é contratado”.
 
Prática comum na região
 
A mesma estratégia de levar uma claque a eventos com presença de Pezão foi usada em Cabo Frio, no início de junho.
O governador veio à cidade no dia 6 daquele mês para assinar o convênio que destinou a verba de R$ 78 milhões para um pacote de obras na periferia. No entanto, Pezão, na condição de chefe do Executivo estadual e ainda fora de campanha, enfrentava, naquela semana, o ápice de uma relação turbulenta com o Sepe em todo o estado.
O anúncio do sindicato de que iria ao Teatro Municipal – local da assinatura do convênio – fazer ecoar um protesto contra Pezão fez com que setores da Prefeitura de Cabo Frio reagissem. Os militantes do Sepe e alunos ligados a luta estudantil foram cercados, na plateia do teatro, por beneficiários do programa da Secretaria de Prevenção às Drogas. Eles revelaram à reportagem da Folha as instruções passadas para aplaudir Pe-zão e abafar qualquer grito do Sepe. A coexistência dos grupos acabou em tumulto geral.