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MEMÓRIA 405 ANOS

Primeiro prefeito de Cabo Frio, Francisco Vasconcelos Costa governou apenas um ano

Vitória sobre Aspino Rocha na eleição pioneira da cidade foi por quatro votos de diferença

29 novembro 2020 - 11h00Por Rodrigo Branco

No último dia 15, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 149.701 eleitores estiveram aptos para ir às urnas em Cabo Frio. Contudo, há quase 100 anos, a situação era muito diferente. Em 1922, o município tinha apenas 12 mil habitantes, dos quais somente 986 puderam escolher o primeiro prefeito. Por apenas quatro votos de diferença (495 a 491), Francisco Vasconcelos Costa, do Partido Republicano Fluminense, derrotou Aspino Rocha, naquele que foi o primeiro pleito municipal da história, pouco mais de 30 anos após a Proclamação da República.

A vitória apertada precedeu um mandato breve de Vasconcelos, que não era natural de Cabo Frio. Não foram encontrados dados sobre a sua origem. A gestão do primeiro prefeito da cidade durou apenas um ano e dela há poucos registros, como conta o historiador José Francisco de Moura, o Professor Chicão, que lançou ao lado de Luiz Guilherme Scaldaferri o livro História de Cabo Frio – dos sambaquieiros aos cabo-frienses (c. 3.720 a. C. – 2020)

– Ele não era daqui, era de fora. Ficou até 23 e depois teve nova eleição. Praticamente não se tem nada [de informação], até porque não há muito acesso a jornais daquela época. Parece que houve uma mudança na legislação, na política no Rio, e com isso houve a mudança aqui. Aí veio Augusto Lourenço e depois Anastácio Novellino (tio do ex-prefeito José Bonifácio). Ele governou menos de um ano. Veio de fora e foi embora assim que saiu da Prefeitura. O Francisco Vasconcelos pertencia ao grupo dos ‘liras’ – relata o estudioso.

O professor faz referência aos dois grupos políticos que dominavam a política local na cidade, até o fim da República Velha, com o golpe de Getúlio Vargas para assumir a Presidência, em 1930. De um lado, havia os ‘liras’, representados em 1922 por Vasconcelos, e liderados pelo Coronel Mário Quintanilha; do outro, os ‘jagunços’; de Aspino Rocha, e chefiados pelo Coronel Domingos Gouveia. 

Em um país predominantemente agrário, àquela época, a economia de Cabo Frio estava baseada nas salinas, porém o consumo do produto começou a cair ao longo da década de 1920, de acordo com o livro ‘Cabo Frio 400 anos de história – 1615/2015, organizado por Luiz Guilherme Scaldaferri e Flavia Maria Franchini Ribeiro, e publicado pelo Museu de Arte Religiosa e Tradicional (Mart), por ocasião do quarto centenário de fundação da cidade. Ainda assim, de acordo com a publicação, o número de salinas na cidade amentou de seis, em 1903, para 42, em 1930. 

Do legado deixado por Vasconcelos pouco se sabe, mas segundo publicação do jornal ‘O Industrial’, de 1923, reportada no livro, a situação social da cidade era delicada, conforme a seguinte transcrição.

“Cabo Frio, é hoje em dia, um verdadeiro cemitério, uma cidade morta, onde a população faminta vaguêa (sic) sem ter em que empregar o tempo todo, olhando apavorada para o futuro que se lhe afigura tenebroso, luctuoso e triste”.

Apesar do cenário descrito pelo periódico da época, Chicão destaca que os anos seguintes, até o fim da década, foram de muitos avanços para Cabo Frio. 

– A década de 20, especificamente, foi muito importante para Cabo Frio, pois tivemos a inauguração do Grupo escolar, que é o atual (colégio) Ismar Gomes; da Cadeia Pública, onde hoje está o prédio dos Bombeiros. Tivemos a construção da Ponte Feliciano Sodré, em 1926, e a construção do Hospital Santa Isabel. Em 1926, tivemos a chegada do automóvel em Cabo Frio, com a inauguração da fábrica da Ford e, logo no ano seguinte, a primeira empresa de ônibus, que foi a Norte Fluminense, do José Paes de Abreu. A década de 20 foi rica de fatos positivos para a cidade – ressalta, destacando ainda a fundação dos clubes Tamoyo e Lusitano, que replicavam na área social, a rivalidade política entre ‘liras’ e ‘jagunços’.

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