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Prefeitura de Cabo Frio não dá prazo para pagar setembro

Servidores voltam à rotina de protestos e paralisações por conta de salários atrasados

10 outubro 2017 - 10h34Por Rodrigo Branco
Prefeitura de Cabo Frio não dá prazo para pagar setembro

Os servidores da Saúde e de outros setores da administração municipal de Cabo Frio retomaram ontem uma rotina conhecida desde o ano passado: paralisação nas atividades e protestos em frente de órgãos municipais. Assim como das outras vezes, o motivo são os atrasos nos pagamentos de salários e de outros direitos trabalhistas. A exemplo do que ocorreu em agosto, os vencimentos não foram pagos até o quinto dia útil do mês seguinte. Alegando falta de recursos, a prefeitura não deu prazo para resolver o problema. 

No primeiro dia da nova greve, a mobilização foi tímida. Um grupo de aproximadamente 30 funcionários de diversas unidades fez um protesto em frente à sede da secretaria de Saúde, em São Cristóvão. Para hoje, está prevista nova manifestação, desta vez em frente à secretaria de Fazenda. A decisão de parar toda vez que os salários tiverem algum atraso foi tomada em uma assembleia realizada no último dia 16 de agosto. 

Além disso, estão sendo cobradas parcelas atrasadas de um acordo feito para equacionar dívidas da gestão passada, entre elas parte do 13º salário de 2015 e o mês de setembro e o 13º salário de 2016. O débito foi dividido em sete vezes, mas apenas a primeira parcela, referente a 10% do montante, foi honrada. Os trabalhadores exigem ainda o pagamento de direitos trabalhistas como adicionais noturno e de insalubridade e do triênio, que também estão atrasados. 

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (SindSaúde), Gelcimar Almeida, cobra transparência por parte do governo. 

– O governo tem que chamar as entidades sindicais e abrir as contas. Tem que ter transparência para a gente entender o que está acontecendo. A gente não está aqui só para criticar. Tem que haver um meio de resolver o problema do servidor como um todo. É triste e revoltante saber que aqueles que são os que mais estão este tempo todo sem receber – comentou Mazinho, como é conhecido. 

Olney Vianna, do Sindicato dos Servidores de Cabo Frio (Sindicaf) é outro que não se convence do discurso de falta de dinheiro.

– Apesar do prefeito dizer que abriria as contas, elas nunca foram abertas. Sempre nos mostraram um papel em que diziam que o dinheiro foi aplicado aqui e ali. A gente quer ver o real, o que entrou efetivamente e o que foi gasto. Como não temos esse acesso, vamos buscar pelo site da transparência, em relação aos meses de julho, agosto e setembro – prometeu.

Apesar da paralisação, a categoria pretende manter de 40% a 50% do efetivo trabalhando para não ‘afetar o atendimento ao público’. Pela lei, pelo menos, 30% do contingente tem que ser mantido em atividade. Mas no primeiro dia de greve, não foram registrados problemas. Conforme a reportagem apurou, o trabalho nas unidades municipais aconteceu normalmente. 

Em nota, a prefeitura informou que vem realizando os pagamentos “de acordo com a entrada de recursos nas contas”. Segundo a administração municipal, os servidores efetivos da Educação que recebem com recursos do Fundeb tiveram seus salários depositados na última sexta-feira. 
A prefeitura informou ainda que “vem realizando todos os esforços para regularizar, no menor prazo possível, todos os débitos deixados pela gestão anterior”. O município afirma ainda que “vem direcionando os recursos disponíveis para o pagamento de servidores e para a manutenção dos serviços essenciais e, ao mesmo tempo, trabalha para aumentar a arrecadação”.

Sobre a adesão ao movimento, a prefeitura informou que todas as repartições públicas funcionaram normalmente ontem e que um levantamento está sendo feito para avaliar se houve algum prejuízo nos serviços prestados.

 

* Matéria completa na edição impressa da Folha dos Lagos desta terça (10).