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Paulo Henrique Corrêa

Paulo Henrique Corrêa: "Acredito na reeleição do prefeito"

"Supersecretário"de Alair confia na virada do governo

06 fevereiro 2016 - 22h16Por Fernanda Carriço

Paulo Henrique Corrêa, 49, atual secretário (ou ‘supersecretário’?) de cinco pastas – Obras, Transportes, Planejamento, Regularização Fundiária e Agricultura – chega à Folha suado e esbaforido debaixo de um calor de trinta e tantos graus. São 16h de quinta-feira, e o ex-vereador de dois mandatos diz que acaba de sair de Tamoios, onde foi ‘tapar buracos’. Aliás, literalmente, são muitos a cobrir num governo que passa por crises econômica, política e social ferrenhas.

Mas Paulo Henrique, que afirma acreditar na reeleição de Alair, esconde o jogo quando questionado sobre as pretensões políticas para 2016: “Sou pré-candidato a vereador”, afirma, apesar de vozes plurais dizerem pelas ruas da cidade que ele já se apresenta aos próximos como pré-candidato a prefeito.

Conciliador, ele diz, sorridente, que governo se faz com diálogo e que sentaria para um café com opositores. Nesta entrevista, Paulo Henrique se negou apenas a falar sobre um assunto: o pedido de cassação do prefeito Alair Corrêa, seu tio.

Folha dos Lagos – Por que você acha que foi escolhido como um supersecretário? Aliás, você aceita esse título?
Paulo Henrique – Não, não sou um supersecretário. Sou um secretário comum. Fico feliz pelo prefeito ter me convidado. No outro governo do Alair, de 1997 a 2004, eu era diretor de Transportes. Sempre gostei de rua, de trabalhar na rua. Tudo que é feito na rua eu prefiro.

Folha – Qual maior desafio agora? Conseguir tapar todos esses buracos, por exemplo?
PH – Eu não vejo como desafio. Desafio é quando você pega uma coisa que não conhece. Como já conheço essa área como a palma da minha mão, já trabalhei na pasta de Obras, não vejo como desafio.

Folha – A Secretaria de Obras estava devagar?
PH – Eu digo o seguinte: eu tenho Facebook, eu vejo a população parabenizando [nosso trabalho]. Acho que, realmente, a Secretaria de Obras antes de mim estava um pouco devagar. Não estava assim com aquela força de vontade, de ajudar, de trabalhar. Não estou falando mal da pessoa do Paulinho Castro. Jamais. Ele é meu amigo. É do grupo. É guerreiro junto conosco. Mas acho que poderia ter se empenhado um pouco mais, né?

Folha – Este ano é ano de eleição. Quais são seus planos políticos? É a Prefeitura?
PH – Eu estou na reeleição de vereador. Todos nós que estamos na política sonhamos alto. Quem não sonha em ser presidente de República? Todo mundo sonha. Eu tenho 49 anos de idade. Faço parte de um grupo, muito forte, por sinal, que é liderado pelo tudo’prefeito Alair Corrêa. Se um dia ele me convidar para ser candidato a prefeito, vou com a maior felicidade, com o maior carinho, mas o grupo tem outros nomes.

Folha – Mas você já conversou sobre isso com Alair?

PH – Não, nunca.

Folha – Fala a verdade...
PH – Não, nunca conversamos (risos)... A conversa é sobre reeleição de vereador. Hoje, nosso candidato a reeleição é Alair Corrêa, se Deus quiser. E Deus quer, tenho certeza de que tudo vai dar certo. Estamos na rua para isso, para melhorar a cidade e a imagem do governo.


Folha – Você acha que Toninho Corrêa fez um bom trabalho?
PH – Fez sim. Fez um bom trabalho na Comsercaf, na Secretaria de Governo e está fazendo falta para a gente.


Folha – O que você acha do seu suplente? Ele também fará parte da bancada do governo?
PH – Eu não conheço muito o Alexandre pessoalmente, mas é uma pessoa boa, bacana. Falei para ele assumir a vaga com muita humildade. Não adiantar querer entrar com sapatinho alto que não vai resolver nada. Alexandre está no governo, sim.

Folha – Qual avaliação que você faz do seu trabalho como vereador?
PH – Primeiro, vou falar do meu mandato de 2004 a 2008: eu fui um péssimo vereador. Era prepotente, arrogante, achava que sabia tudo. Resultado, perdi a eleição de 2008. Eu olhei para trás, vi onde estava errando. Nesse espaço de tempo, me converti.  Vi que política se faz com inteligência, não com estômago. E nisso veio a eleição de 2012. Ganhei. Agora, neste mandato, me considero um excelente vereador. Aquele Paulo Henrique lá de trás morreu. Sou um novo Paulo Henrique. A avaliação que faço, de 1 a 10, é 8.

Folha – Você acha que Toninho Corrêa fez um bom trabalho?
PH – Fez sim. Fez um bom trabalho na Comsercaf, na Secretaria de Governo e está fazendo falta para a gente.


Folha – O que você acha do seu suplente? Ele também fará parte da bancada do governo?
PH – Eu não conheço muito o Alexandre pessoalmente, mas é uma pessoa boa, bacana. Falei para ele assumir a vaga com muita humildade. Não adiantar querer entrar com sapatinho alto que não vai resolver nada. Alexandre está no governo, sim.

Folha – Você não acha que esteve ali só pra defender seu tio pura e simplesmente, como muita gente diz?
PH – Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Ele é meu tio, mas não é pelo fato de ser sobrinho que tenho que aprovar tudo. Tem coisas que aprovamos e outras que não aprovamos.

Folha – Em que você votou não para o governo?
PH – Vou dar um exemplo: eu votei a favor do Plano de Cargos e Salários do funcionalismo [criticado pelo prefeito]. E o partido que estou hoje, o PR, que estou saindo, foi o que entrou na Justiça contra o servidor. Mas eu, vereador Paulo Henrique Corrêa, votei a favor do PCCR.

Folha – Vai sair do PR e vai pra qual partido?
PH – Estou indo pro PP.

Folha – Por que está saindo?
PH – Porque o partido atrapalhou o funcionalismo. Eu até gostava da sigla, mas infelizmente, ou felizmente, o presidente atual [Walmir Porto], entrou na Justiça contra o PCCR. Como eu vou ficar num partido onde o vereador vota a favor do Plano e o partido investe contra?

Folha – Falando em funcionalismo, como você avalia esse momento de crise que se instalou no governo e essa crise de diálogo entre governo e funcionalismo? Greve, paralisação... Como avalia isso?
PH – A gente sabe que a crise se encontra não só aqui. Está no país inteiro. Às vezes, a gente quer dialogar e não consegue. Algumas pessoas mais alteradas não querem conversar. Querem bagunçar. É normal. Eu sempre digo o seguinte: o protesto é uma coisa normal, é constitucional. O que acho é que não tem que existir ofensa à pessoa ou à família dela. Não pode misturar. Você pode falar do governante, mas quando você parte para ofender a família, aí já está extrapolando. Mas acho que tem que haver diálogo. Ele é primordial em qualquer situação.

Folha – É, mas salários foram atrasados, tem gente reclamando de passar fome...
PH – Sei que cartão não espera, banco não espera, a gente sabe disso. Mas temos que ver a situação que a crise criou na cidade. Mas é uma discussão que não é para mim. Essa discussão é entre as categorias e o prefeito.

Folha – Se você fosse prefeito, o que faria nesse momento?
PH – Sentaria com todos eles, claro, e conversaria, como o prefeito já fez várias vezes.

Folha – Diante dessa crise política toda, qual avaliação que faz da imagem do governo?
PH – Se você for olhar o passado não muito distante, o prefeito Alair Corrêa dava 13°, 14°, 15°, ia embora... Toda categoria tinha o seu dinheiro no bolso certinho, mas infelizmente o troço desabou. Se eu disser a você que nosso governo está bombando, eu vou estar mentindo.

Folha – Por que você acha que o governo vai melhorar?
PH – Porque está centrado no que quer. Está buscando dinheiro para a cidade, está aumentando a arrecadação de IPTU, que todo mundo errou lá atrás. Eu acho que é o momento de preparar a cidade nos pontos que todos erraram lá atrás. Tenho certeza que Alair vai se reeleger e, em 2017, vai pegar uma cidade diferente.

Folha – O que você acha do processo de cassação do prefeito que foi protocolado junto à Câmara pelo professor Rafael Peçanha?
PH – Não queria nem responder isso. Eu não tenho nada contra Rafael. Ele sabe disso. É uma pessoa que tenho carinho. Gosto dele. A gente se dá bem, conversa. Ele tem o lado dele, eu tenho o meu. Não somos inimigos. Somos adversários políticos.

Folha – Esses dias você deu o número do seu celular no programa do Amaury ao vivo, dizendo que a população podia te ligar... É isso mesmo?
PH – É 99971-7162. Tem gente que liga até de madrugada. Só não vou atender se estiver mal.

Folha – Se tiver um buraco na rua a pessoa pode ligar?
PH – Pode, o telefone fica ligado 24 horas. Esse telefone é meu, pessoal. Quem paga sou eu.