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Política

Parlamento Juvenil: ​A ‘nova política’ que quer mostrar a sua cara

Alunos do Colégio Miguel Couto falam do que priorizariam caso se elegessem em projeto da Alerj

31 maio 2019 - 09h03
Parlamento Juvenil: ​A ‘nova política’ que quer mostrar a sua cara

Termo da moda, a ‘nova política’ foi o mote usado, muitas vezes com sucesso, por candidatos Brasil afora nas eleições do ano passado. A cara dessa tendência é, muitas vezes, imberbe e até com algumas espinhas no rosto. Com a abertura da 12ª edição do Parlamento Juvenil da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a reportagem da Folha até o Colégio Estadual Miguel Couto para saber dos anseios e vontades do público-alvo do projeto, estudantes do Ensino Médio entre 14 e 17 anos, e descobriu que eles sabem o que querem e também o que não querem. Como não podia deixar de ser, a Educação teve lugar nobre nas pretensões dos possíveis jovens parlamentares.

A escola já tem tradição em projetos do tipo, pois teve representantes no projeto do Legislativo estadual em 2016 e 2017 e no mesmo programa, só que da Câmara Municipal. Até o momento, um aluno se inscreveu e a expectativa é que outros façam o mesmo nos próximos dias. Apesar da pouca idade, o inscrito não é um novato na missão de apresentar projetos e votar. Isaque Santos, hoje com 17 anos e no 2º ano do Ensino Médio, já foi até entrevistado pela Folha em novembro de 2017, quando participava do Parlamento Juvenil da Câmara. 

O rapaz quer usar da experiência adquirida na ocasião para repetir a atuação, só que no Palácio Tiradentes, sede do Legislativo fluminense, no Rio. A inspiração também vem de casa, pois a irmã, Sara, já representou Cabo Frio em outra edição da eleição adolescente da Alerj. Ele prometeu lutar na Casa de Leis pela melhoria das condições de ensino. 

– Eu gostei muito da experiência que eu tive. Das entrevistas, dos cursos de oratória. Foi tudo muito novo e passei a ver a política com outros olhos – comentou Isaque. 

A política também é assunto corriqueiro para Géssica do Nascimento, de 16 anos e também aluna do 2º ano do Ensino Médio. Seja pelo bate-papo com os amigos e pela vivência como segunda-secretária geral do grêmio estudantil. A garota considera a possibilidade de se inscrever, mas afirma que a agenda escolar atribulada, junto a compromissos com um projeto artístico pode atrapalhar suas pretensões. De toda forma, ela não deixou de manifestar a preocupação quanto aos rumos da Educação, também eleita prioridade de um futuro mandato.

– O governo está c... pra gente. Olha esse corte de verbas na Educação. Cortar é fácil. Tiram o direito do pobre. Não sou de esquerda, mas isso não é justo. Se tudo for privatizado, como vai ser? E quem não tem condições de estudar? – questiona.

Colega de Géssica no grêmio, Frederico Blummer, do 2º ano, se apresenta como ativista do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo conhecido pelas pautas liberais e conservadoras. O rapaz defende a “mudança nos métodos de ensino” e a implantação de projetos esportivos nas escolas.

– Temos um projeto de canoa havaiana aqui no colégio e estamos montando uma aula de defesa pessoal. Faria projetos para ampliar isso – disse Frederico.

Com os olhos fixos nos celulares, as amigas Hillary Vitória e Júlia Monteiro, de 16 anos, dividem as informações que pulam da telinha e também o gosto por conversar sobre os rumos da cidade, do estado e do país. Hillary, que cursa o 1º ano do Ensino Médio, cogita se inscrever (“acho que sim”) e tem como bandeira a valorização dos professores.

– Enxergo que há muitos erros. Governo não libera verbas, os professores ficam com salários atrasados e isso é muito triste. A Educação é a base de tudo – disse.

Por sua vez, Júlia observa um interesse maior dos colegas de sala de aula em debater as pautas do momento, como que numa assembleia. O radicalismo político, contudo, nem sempre deixa a discussão avançar.

– Na minha turma, a gente tenta conversar, mas não dá muito certo. Não sabem respeitar a opinião dos outros. Mas eu gosto de debater política – emendou a jovem.

Se a palavra parlamento vem do radical francês ‘parler’, que significa ‘falar’, a rapaziada cheia de coisa para dizer está mais do que preparada para o desafio do debate com os colegas dos outros 91 municípios fluminenses.

Inscrições vão até o próximo dia 7

As inscrições para o projeto estão na sua fase final e só poderão ser realizadas até o dia 7 de junho através do site https://www.parlamento-juvenil.rj.gov.br/. Para participar, os jovens devem ter entre 14 e 17 anos de idade e estar cursando o 1º ou o 2º anos do Ensino Médio em unidades da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc). Os alunos que desejarem apenas eleger os seus representantes também deverão se inscrever. Para ser um eleitor, é preciso cursar a partir do 8º ano do Ensino Fundamental. A semana do Parlamento Juvenil tem seus custos arcados pela Assembleia Legislativa, incluindo transporte, hospedagem, alimentação e atividades. 

O primeiro turno das eleições está marcado para o dia 13 de junho. Os debates municipais estão marcados para o período entre 17 de junho e 3 de julho. O segundo turno das eleições será de 4 a 7 de julho. Os cursos à distância: serão ministrados de 16 a 29 de setembro e a capacitação presencial acontece de 2 a 11 de outubro. A Semana do Parlamento Juvenil na Alerj será realizada entre 24 a 30 de novembro, quando os eleitos terão a experiência de um deputado estadual, discutindo e votando projetos que poderão ser analisados pela Casa e que poderão se tornar lei, caso venha a ser sancionada pelo governador Wilson Witzel (PSC).