Assine Já
terça, 19 de outubro de 2021
São Paulo
39ºmax
24ºmin
TEMPO REAL Confirmados: 52262 Óbitos: 2141
Confirmados Óbitos
Araruama 12321 438
Armação dos Búzios 6516 72
Arraial do Cabo 1720 92
Cabo Frio 14721 876
Iguaba Grande 5469 140
São Pedro da Aldeia 6984 288
Saquarema 4531 235
Últimas notícias sobre a COVID-19
DIÁLOGO - MIGUEL ALENCAR

Miguel Alencar diz que Adriano tem grupo político e afirma não ver grandes adversários para 2020

Secretário de Governo admite problemas e defende mudanças nas secretarias

10 dezembro 2019 - 16h41Por Rodrigo Branco

Em nove meses como secretário de Governo em Cabo Frio, o vereador licenciado Miguel Alencar consolidou-se como um dos homens de confiança dentro do chamado ‘núcleo duro’ do prefeito Adriano Moreno (DEM). Durante esse período, mudanças foram feitas no primeiro escalão e o governo viu aumentar a crise com o funcionalismo, a reboque do atraso nos salários.

Em balanço feito para a Folha, Miguel reconhece os problemas do município, sobretudo na Educação, na Saúde e na infraestrutura, mas afirma que as substituições de secretários deixaram o governo mais coeso. O secretário aponta a candidatura de Adriano à reeleição como competitiva e diz que a cidade precisa de estabilidade.

– Adriano está acertando melhor o governo agora. Conseguindo uma reeleição, o governo vai estar mais maduro, vai entender melhor as coisas e ter mais quatro anos para organizar melhor a cidade.

Folha dos Lagos – A cidade passa por problemas na Educação, na Saúde e na infraestrutura. Em um ano e meio, já não era para o governo ter acertado o passo?

Miguel Alencar – As pessoas analisam muito o momento e não o histórico. Quando Adriano assumiu o governo, havia um passivo enorme e esse passivo só vem aumentando. Então é muito complicado avaliar o momento apenas, porque toda essa crise que a gente tem na Saúde e na Educação, tanto de infraestrutura como de salário, vem por um passivo da cidade. Não foi um problema criado agora. Então o governo, nesse momento, tenta resolver esse problema, o que é complicado porque a cidade vive um momento de queda de receita. Sabemos que no meio do ano essa queda de receita existe. Então esse histórico não consegue ser regularizado da noite para o dia. Tem que entrar uma administração que consiga botar a casa em ordem, começar a reduzir as despesas. Acho que a entrada do Clésio na Fazenda foi superpositiva por causa da experiência dentro da área, passa credibilidade à sociedade e consegue mostrar resultado a curto, médio e longo prazo. Só que de imediato a gente não consegue colocar em prática. Só que isso é em médio e longo prazo. A curto prazo, o governo faz o que pode fazer que é tentar aumento de receita, buscar parcerias com estado e governo federal e tentar liberar as verbas que estavam bloqueadas. Isso tudo para tentar botar as contas em dia, o que é complicado. O governo sabe que tem que reduzir a folha e estão sendo feitas ações para que isso ocorra na virada do ano, que é a redução em algumas áreas possíveis com o término de alguns contratos de pessoal. Então, acredito que no início do ano de 2020, a gente vai conseguir botar a folha em dia. Acho que consiga regularizar isso em fevereiro e com o planejamento que Clésio está apresentando junto com o prefeito vai ser possível começar a ser realizado. Então, a gente vai ter um ano mais regularizado do ponto de vista salarial. Tanto que tem uma proposta no Legislativo para se terceirizar diversos serviços no município e onerar um pouco menos a nossa folha salarial. O planejamento está acontecendo. As pessoas criticam, mas é um governo novo. Era um governo novo, um grupo que estava sendo formado e tendo a primeira experiência. Em algumas horas, demora a entender como funciona a máquina pública. Esse tempo de adaptação aconteceu, o que a gente não pode mais é cometer os mesmos erros. Erros foram cometidos, conseguimos consertar e agora tem que conseguir colocar a casa em ordem. Para começar o ano com a parte financeira da prefeitura organizada.

Folha – Você falou erro. Qual o principal erro do governo? E o principal acerto?

Miguel – São vários. O prefeito Adriano, quando assumiu, colocou pessoas em certas pastas que ele acreditava que poderiam fazer o melhor pelo município e essas pessoas pensavam em projetos pessoais. Então, esse individualismo não era o prefeito buscava e o que a cidade precisava. Faltava a parte coletiva. As secretarias não são ilhas, você faz parte de uma esfera maior que se faz necessária para o município andar. A falta de acerto foi apostar em pessoas que se diziam capacitadas e que não corresponderam e criaram grande dificuldade no governo. O prefeito entendeu isso e soube fazer as modificações. E hoje essas pastas se mostram muito mais organizadas e planejadas. As pessoas que assumiram entendem mais o que o município precisa. Esses foram grandes acertos. O governo viu que estava errado no início, viu que dava para fazer as mudanças e fez as mudanças para poder acertar.

Folha – Quando você se refere a problemas nas secretarias, fala da Educação e da Cultura?

Miguel – Na Educação, a saída do Cláudio Leitão foi muito traumática porque teve até um princípio de adesão à greve do próprio secretário. Então isso num cargo de confiança do prefeito é muito complicado. Tem que ser tudo discutido, planejado e compreendido o que o governo tem que fazer e trabalhado junto à categoria. Acho que o Leitão também entendeu naquele momento que tinha que sair do governo. Houve um entendimento de ambas as partes de que não havia mais como caminhar junto. E foi o que aconteceu. O prefeito o exonerou e a sua equipe e botou uma pessoa muito competente, que é a Márcia (Almeida), de anos na Educação, e que está fazendo um trabalho técnico, sem pensar em nada político. E está gerando resultados. São coisas que, às vezes, são necessárias para que a própria Educação consiga buscar voos maiores.

Folha – E na Cultura?

Miguel – É um pouco mais complicado porque acabou que fui atingido diretamente por causa de toda a mudança. Na época resolvi ficar em off para não ter esse desgate. A Cultura vai pelo mesmo caminho, entendo que o pensamento foi uma composição política necessária, de uma pessoa que tem uma supercompetência na área, mostrou isso durante anos e o trabalho está sendo feito. Demos continuidade às coisas boas que estavam sendo feitas com a Meri, da época do Chopinho e da época do Facury. O trabalho da Cultura é um trabalho constante, independente de quem estiver, o segmento em si empurra o trabalho. Tanto que o Teatro Municipal está fechado, o processo para reabertura, que  começou com Meri Damaceno, está sendo fechado agora e acredito que a gente consiga inaugurar o teatro até o final do ano.

Folha – As outras mudanças de secretários foram acertos?

Miguel – A entrada do Jorginho (Jorge Marge) na Segurança mostrou-se de um acerto do prefeito enorme, porque ele está mostrando um ótimo trabalho, é um cara dedicado, além de ser um empresário benquisto e que conhece a área de Segurança. Quem estava também era competente, mas não era da cidade e nem a conhecia, e estava criando muito atrito com a Guarda Municipal. Então, acredito que o governo acertou em todas essas trocas. No Turismo, Radamés estava fazendo um bom trabalho, mas teve uma hora que ele o governo entenderam que precisa sair, tanto que saiu de uma forma amigável. O Cotias entrou fazendo um ótimo trabalho.

Folha – Você entende que está conseguindo cumprir o seu papel de pacificar politicamente o governo?

Miguel – Acho que, de certa forma, a gente conseguiu criar o diálogo político de uma forma interna e externa. Interna, onde a gente não conseguiu criar diálogo, houve a mudança nas secretarias e os secretários que entraram acabaram entendendo a nova forma de política de a gente estar dentro do governo. E de forma externa, o diálogo com o Legislativo e os atores políticos está muito bom. Hoje o governo Adriano mostra que tem grupo, o que não tinha antes. Antes tinham diversas peças e não um grupo político. Unimos pessoas que já estavam em volta do prefeito e começou a se discutir com o prefeito a melhor forma de caminhar. E aí começamos a ver o que precisava ser mudado. A gente teve pouco tempo, seria melhor que tivéssemos quatro anos para ter tempo de construir o melhor para a cidade e um grupo que jogue no mesmo time. Eu cobro o tempo todo que cada secretário tem que fazer seu ato crítico, a gente chama aqui e mostra quando está errado. Às vezes, é complicado esse meio político de Cabo Frio e vai ficar ainda mais com a proximidade de 2020. Em ano de eleição, as pessoas tendem a esquecer a cidade e só pensar em política. E vão ter ataques contra o governo só por questões políticas, por politicagem pura. Em vez de buscar soluções, não se pensa assim. Se não pensa assim esse ano, imagina na eleição. E isso é um erro porque os atores políticos tinham que ter uma união em prol do município e não fazem. Muitas vezes cobro desses atores políticos que as críticas devem ser feitas de forma coerente.

Folha – Você acha que a oposição ao governo é politiqueira?

Miguel – Não toda, mas se fizer uma análise histórica de quem é oposição hoje, tem pessoas que são oposição apenas por momento. Apenas por interesses pessoais para conquistar esse mesmo espaço aqui ou conquistarem outro espaço. São oposição por oposição. Vão para mídia e batem, batem, batem. Mas batem sem dar a solução. De repente, a pessoa que bate poderia contar para gente o que está sendo feito errado para ajudar a gente. Porque na verdade, todo mundo quer uma cidade melhor. Então tem que sentar para discutir. Respeito a oposição, tem pessoas muito competentes, mas eu acho que às vezes caem numa politicagem barata.

Folha – Você entende a candidatura do prefeito Adriano como competitiva?

Miguel – O prefeito é candidatíssimo à reeleição. Nosso grupo político é candidato à reeleição. Acho que o prefeito tem totais condições de disputar a reeleição. Acho que a população entende que foi pouco tempo. Claro que temos que melhorar várias coisas, mas temos que mostrar o que estamos fazendo. A gente não consegue fazer tudo ao mesmo tempo, mas dá para mostrar o que está melhorando. Tem coisa que está melhorando que não consegue aparecer em curto prazo, mas a médio e longo prazo vai ser resolvido e ter um resultado melhor para a cidade. Acho que vai ser uma eleição difícil, mas hoje não vejo ninguém despontando como o grande candidato à eleição. E eu acho que mudar o tempo todo (o prefeito) não resolve, a cidade precisa de um tempo. Adriano está acertando melhor o governo agora. Conseguindo uma reeleição, o governo vai estar mais maduro, vai entender melhor as coisas e ter mais quatro anos para organizar melhor a cidade.

Folha – E qual vai ser o ponto de virada para cidade sair dessa situação?

Miguel – Resolvendo a questão do salário já dá uma apaziguada. As pessoas têm que receber em dia. Imagina o trabalhador que recebe R$ 1 mil, como faz para pagar as contas. Aí começa a se endividar e o banco se favorece nisso. Depois de botar o salário em dia, é preciso organizar melhor a Saúde, estruturar mesmo. As assistências básicas, as emergências e o atendimento. É um crítica que o governo faz, ainda não conseguiu organizar como a população merece a Saúde. A gente já está com a operação tapa-buracos acontecendo aos poucos, da forma como o município consegue fazer, por meio de convênio com o governo do estado. Fez o projeto do Polo de Desenvolvimento Industrial, vai começar no ano que vem a obra do Poliesportivo do Jardim Esperança, com verba de emenda parlamentar. A obra da Almirante Barroso também vai começar. O governo consegue fazer essas pequenas obras com parcerias e convênios. Tem que dar prioridade também a obras nas praças, de uma forma mínima, para serem utilizadas pela população. Outra pauta positiva é que a Secretaria de Mobilidade Urbana vai conseguir botar os parquímetros para diminuir a questão dos flanelinhas. A Guarda Municipal começou a ser reestruturada, com a chegada de carros, uniformes novos, vai começar a ser discutido o uso de arma não letal. Então o governo está começando a organizar um pouco a casa. A gente precisa de mais tempo. Adriano está planejando a cidade em longo e médio prazo. Isso não aparece de imediato para a população, mas ela está certa em cobrar.

Folha – O concurso público vai ser realizado?

Miguel – Esse é um compromisso do governo. A secretária Elicéa tocava isso de uma forma muito eficiente e, quando ela saiu, a equipe ficou quase toda. Mas o secretário Paulo (Henrique Carvalho) que entrou, tem ordem do prefeito de o concurso acontecer. Está na parte de licitação das empresas, não sei como está decidido isso. Creio que no primeiro semestre do ano que vem já vai ser feito o concurso no município.

Descubra por que a Folha dos Lagos escreveu com credibilidade seus 30 anos de história. Assine o jornal e receba nossas edições em casa.

Assine Já*Com a assinatura, você também tem acesso à área restrita no site.