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ELEIÇÕES 2020

Marcelo Morel: "Sem dúvida nenhuma, Búzios não é para amadores"

Candidato do PMB é o entrevistado da vez na série com prefeitáveis do balneário 

19 outubro 2020 - 17h11Por Rodrigo Cabral e Rodrigo Branco

O entrevistado desta segunda-feira (19) na série de sabatinas com candidatos a prefeito promovidas pela Folha em Aramação dos Búzios é Marcelo Morel, que concorre ao cargo pelo PMB. Morel tem 52 anos e é fiscal. Recentemente, foi chefe do Parque Estadual da Costa do Sol. Pela primeira vez, ele concorre a um cargo público. A companheira de chapa é a administradora Elisabeth da Silva Ferreira, a Beth, de 42 anos. 

Folha dos Lagos – Por que deseja ser prefeito? Qual legado quer deixar para a cidade?

Marcelo Morel – A única explicação é prazer. Temos saúde, corpo, vontades e músicas para cuidar bem de nossa vida, mas faço parte de um grupo de buzianos que, apesar de tudo, são apaixonados por essa cidade e suas belezas naturais. Em tese, administrar seria o dever de uma geração, mas garanto a vocês que aqui é uma luta e um prazer. Minha meta é retirar de vez a cidade da nova recessão fiscal e criar um fundo de investimento robusto para a próxima gestão. Isso requer eficiência na máquina pública, aumentar a arrecadação sem aumentar os impostos e construir a economia regional em acordo com os empresários e seus planos de negócios. Populismo não gera riqueza e nem vai resolver a crise educacional em curso. Eu não sou candidato a cientista, portanto acredito que a Educação e orçamento público são as maiores emergências para os administradores públicos resolverem agora. Nosso legado será equilibrar as contas públicas e liderar a retomada educacional durante a pandemia de Covid.

Folha – Como retomar o desenvolvimento, gerando emprego e renda, após um cenário de pandemia?

Morel – Após eu ainda não sei, mas por ora, o cenário da atual pandemia terá de seis meses a um ano, a queda de arrecadação começa a chegar agora nos cofres públicos, a equipe econômica federal já fala em congelar salários do funcionalismo público até 2022 e cortar os auxílios emergenciais até o fim do ano de 2020. E ninguém fez a sua parte na “racionalidade tributária”. O que estamos vendo nas praias e no centro do estado é o comercio e a economia retornando com ou sem medidas de segurança sanitárias. Se os governos não atuarem liderando e norteando ações, as pessoas e as instituições, veremos números desestabilizadores. Aqui na Região dos Lagos, estimular o desenvolvimento do Turismo e da construção civil com a recuperação comercial não é difícil, mas será preciso dar atenção estratégica aos segmentos da economia formal, ela sim gera impostos e empregos. Os projetos de geração de renda são uma lástima, não é de hoje que foram desmontados pelos governos, as poucas iniciativas vêm de microexperiências fruto do incipiente associativismo. A melhor saída é buscar mercados de consumo engajados, se organizar de forma que um ajude o outro e, é claro, ficar longe das promessas de políticos. Em Búzios, precisamos quebrar o muro de Berlim em todos os setores, o bloqueio cultural que os comerciantes alinhados ao governo municipal criaram mantém custos altos. Fortalecer a economia regional é um dos antídotos para superar a crise da Covid. Agora, mais do que nunca a inércia mata.

Folha – Os municípios da região tiveram índice baixo no Ideb. Como mudar esse cenário e quais seus planos para a Educação?

Morel – Todos os prefeitos de Búzios foram processados e condenados por desvio de verbas. Nunca nenhum deles fez qualquer estudo sobre o padrão educacional da cidade e todos coordenam campanhas eleitorais. Acho que isso responde a sua indagação ao baixo índice no Ideb. A pandemia atrasa a retomada da Educação e qualquer plano de educacional consistente. Sabemos que não poderemos ficar mais um ano parado, a rede privada se adaptou e seus alunos têm aulas remotas em diferentes tipos de plataformas próprias ou das mídias sociais, recebem material de apoio. Já a rede pública paralisou por completo, as iniciativas estão se resumindo a fornecer digitalmente apostilas. Podem ter certeza que, nesse governo, os professores serão os principais agentes para reduzir as desigualdades na sala de aula. Um bom começo é que os diretores serão escolhidos por seleção e não em critérios de indicação parlamentar e de comerciantes de merenda. É bom todos terem ciência disso. A qualidade da educação será determinante para atrairmos investimentos.

Folha – Quais as principais propostas para a Saúde?

Morel – Acabar com o crime; aplicar as medidas contra a Covid da Fiocruz e do Ministério da Saúde nas escolas e dar agilidade ao SUS, atender de verdade os pacientes, acabando com a judicialização. Temos um Hospital, mas as demais unidades ambulatoriais têm um pecado grave, as pessoas não conseguem marcar consultas no sistema, sempre existe uma série de medidas contra, tem que ir apenas um dia do mês, a quantidade de vagas fica limitada, só consegue furar a fila desse gargalo se tiver um assessor eleitoral e um cartão de visita “quem indica”. Essa situação de reserva de vagas para clientes de vereadores é criminosa. Digo ‘não’ com muita facilidade para esse tipo de gente. Em nosso governo, acabaremos com isso. Em Búzios, não permitiremos a prática política da subnotificação, a secretaria de saúde irá inspecionar as escolas junto com o sindicato para avalizar a possível volta às aulas e o formato educacional seguro. Manteremos a unidade de referência em Covid, mas terá o transporte associado aos doentes encaminhados para tratamento. É o obvio não? Impressionantes são as trapalhadas dessa ausência de decisão. Pessoas com sintomas são destinadas para tratamento em casa e vão de van coletiva, expondo os demais. A riqueza de qualquer sistema de saúde são seus funcionários, com hospital, tenda, UTI, equipamentos de ponta ou não, o que define o atendimento é o ser humano e o que salvam é o diagnóstico eficiente e o tratamento pleno. Estamos falhando feio na humanização.

Folha – Quais as principais políticas que serão adotadas para o Turismo?

Morel – Internamente, será criar a secretaria de Ecoturismo, licitar um plano de marketing para vender a cidade. Estabelecer os protocolos sanitários internacionais nos meios de hospedagem. Externamente, a Prefeitura para imediatamente de estimular o crime ambiental e as ocupações ilegais nas praias e no Parque Costa do Sol. As praias do parque são públicas e passam a ter designação paradisíaca tendo a sua preservação e paisagem intacta. São protegidos pela lei e um dos fatores econômicos de atração no plano estratégico de turismo da cidade. Os clientes agora estão buscando contemplação, espaços para refletir e não querem barulho de som alto. O atendimento passa ser uma disciplina na hotelaria. Só receberemos bem os consumidores e turistas se os moradores forem tratados como cidadãos.

Folha – O que o candidato pensa em relação a políticas afirmativas para mulheres, negros e LGBTs?

Morel – Em primeiro lugar, implantaremos de forma rápida a gratuidade para os estudantes e idosos através de um cartão. A prefeitura vai pagar as passagens desse segmento e acabar com as humilhações. O nosso programa de governo está escrito com os nossos princípios e compromissos do Partido da Mulher Brasileira (PMB), Búzios 2020. Todos os seres vivos, cidadãos estrangeiros e cidadãos nacionais serão respeitados e protegidos, eliminando assim qualquer forma de ameaça, extermínio, incêndios, abandonos, exclusão social e carestia. Todas as execuções de orçamento público e privado sob licença terão como base uma plataforma política baseada na inclusão social de todos os gêneros. Haverá o enfrentamento à violência contra as mulheres. Também posso citar uma coisa curiosa, em minha cidade fui homenageado por dois anos consecutivos pelo movimento de mulheres devido as minhas atuações em apoio às vítimas de violência, acho que isso nos diferencia de qualquer hipotética promessa de campanha. Neste ano, em Búzios, metade dos crimes elucidados pela delegacia de polícia foi relacionado a crimes sexuais. Nós sabemos muito bem quanto e o que custa o esvaziamento do protocolo violeta e as mentiras do desmonte municipal da rede de proteção as vítimas de violência nessa cidade. A alegação da prefeitura é que não há demanda. O cinismo é um método.

Folha – Quais suas principais propostas para o Esporte?

Morel – O foco da administração pública será estabelecer um Centro Esportivo de Alto Rendimento. Essa é a melhor possibilidade: unir pequenos e dispersos recursos. Se fizermos isso, poderemos gradualmente participar da reestruturação do sistema educacional e estabelecer um novo sistema para formar atletas. O resto será apenas fomento à profissionalização a administração privada de setores. Os esportes de vento têm uma boa capacidade empreendedora. Se o governo fizer sua parte em atividades de apoio, eles têm plena capacidade para montar o calendário de eventos da Secretaria de Ecoturismo e abastecer os meios de hospedagem da cidade.  

Folha – Quais suas principais propostas para a Cultura?

Morel – Decretar o tombamento da Igreja de Santana e incluir a Festa de Sant’ana como primeiro evento do calendário de marketing da cidade. Essa era a festa mais tradicional de Búzios, as famílias fechavam a orla do centro e vendiam nas barracas suas comidas e doces, as crianças ficavam soltas e brincavam sem nenhuma gritaria de som alto, os adolescentes vinham do Rio só para curtir. Reorganizar de imediato a Escola de Circo, a Escola Musical Villa Lobos e a Escola de Equitação. São escolas gratuitas e é inegável o papel de transformação social que eles desenvolvem. No plano administrativo, será fundar a Fundação de Artes e dar início à captação de recursos para os projetos. Retomar a verdadeira festa de Santana será o nosso marco.

Folha – Quais os projetos do candidato para qualificar e ampliar a atuação da Guarda Municipal na Segurança Pública?

Morel – Unificar administrativamente todos os grupos especializados e distribuir operacionalmente nos locais onde estão os problemas reais dos moradores. Impedir as bocas de fumo nas proximidades de escolas e garantir a convivência nas praças serão suas primeiras missões. Os cursos de capacitação virão com esse objetivo. Qualquer um que tenha acompanhado minimamente minha passagem no Inea e como agente ambiental sabe que sempre faço bom uso da integração das forças de segurança. Em Búzios, nunca tolerei comportamento desleixado de vagabundo nos espaços públicos. Os espaços públicos serão garantidos como espaços públicos.

Folha – Quais suas prioridades em relação à infraestrutura da cidade?

Morel – Búzios precisa virar uma cidade do século 21, sem a desigualdade social. Estamos no limite em praticamente todas as instalações. A máquina pública passa a ter o meio expediente. Se listar em bloco de rascunho, a lista será razoável. Precisamos de um novo acesso rodoviário, reforço no hospital público, um novo hospital privado, uma nova escola, duas creches, uma nova rede elétrica subterrânea, novo cemitério, novo aterro sanitário e uma ciclovia com traçados seguros bem como trajetos secundários deslumbrantes. E claro, um novo contrato de saneamento. Viu? Um monte de “novos”. A prioridade pode ser definida desde que você consiga o financiamento adequado para cada item. No dia 8 de janeiro de 2021, vocês me refazem essa pergunta. Primeiro, prefiro ouvir minhas captadoras de recursos, meus analistas de planejamento e orçamento e a secretária de Fazenda. Depois eu começo a te responder. O que podemos adiantar é que a prioridade do primeiro trimestre será a Conferência Municipal de Reforma Urbana e Meio Ambiente. Sem dúvida nenhuma, Búzios não é para amadores.

Folha – Quais as principais políticas que serão adotadas em relação ao Meio Ambiente?

Morel – A pasta ambiental soma uma série de conceitos aparentemente contraditórios, mas que podem produzir uma convivência respeitosa. Liberdade-ordem; propriedade privada – uso público; lucro- preservação; propriedade pública-cidadania. Só não pensem que é fácil no dia a dia. A preservação da natureza e a garantia dos espaços públicos continuam a ser um desafio. Aqui a coisa mais comum é tentarem privatizar as areias e as servidões para finalidades comerciais. Se o agente ambiental ou qualquer outro policial tenta agir, é imediatamente questionado e sua atuação é deslegitimada em todas as suas formas com um discurso de perseguição, impossibilidades legais de o agente proceder e sempre sua atuação é rotulada como um ato de elite contra um pobre. Daí é um pulo para surgir a teoria do direito ao crime, a vitimização é o centro do discurso de Robin Hood, os pobres infratores abençoados pelo PDT podem tudo, tocar fogo nos animais, defender os criminosos de acordo com sua conveniência eleitoral e ameaças veladas enquanto o agente não desiste de seu ato legal. Isso nunca esteve no histórico daqui, porém o PDT, em toda a Região dos Lagos, soube usar com maestria o populismo como discurso para cometer crimes de desmatamento, invasões as propriedades privadas e públicas e usurpações da máquina pública. Misturar desocupados e trabalhadores informais e transformar em força eleitoral é muito sofisticado. Conter a forma agressiva da degradação ambiental será bom para o futuro de Búzios.

Folha – De que maneira o município pode ser mais independente dos repasses dos royalties? Como enxerga um cenário caso o regime de partilha dos royalties seja alterado no STF?

Morel – Aqui na região, dificilmente algum candidato teria uma resposta real para essa pergunta. Seria necessário montar uma nova economia e, em médio prazo, ter uma microeconomia sustentável por, pelo menos, dez anos. De cidade dormitório até virar polo econômico regional, Maricá virou um exemplo nas discussões políticas atuais, falam dos royalties e esquecem que precisou de uma agenda econômica ampla. Custou dez anos de acúmulo financeiro, recebeu pelo menos três novos empreendimentos grandes diferentes e algumas derrotas eleitorais do grupo do PT que defendia esse modelo. Aqui em Búzios, já não somos município produtor, isso é menos dinheiro, os governos fizeram qualquer coisa menos unir a elite pensante. Gastaram muito com poucos ou em nenhum equipamento público e deixaram o comercio em modo ‘cada um por si’, hoje a novidade eleitoral é unidade do bem mal em torno do populismo infantil. Teremos dificuldade em articular um discurso legítimo em defender o estado do Rio na partilha. A construção civil legalizada pode ser uma mola impulsionadora ao turismo de veraneio. Estamos falando de R$ 1 bilhão em investimentos e os royalties, mesmo em quantidades diminutas, podem ser usados para criar infraestrutura e mobilidade urbana. Já imaginou uma ciclovia intermunicipal garantindo segurança aos ciclistas e guias de trilhas no Parque Costa do Sol, a explosão do ecoturismo seria rápida. A nova geração de prefeitos precisa aprender a pensar pequeno.

(*) O entrevistado desta terça-feira (20) será o candidato Sargento Leandro, do PDT.

 

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