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Grasiella

Grasiella Magalhães: ‘Oposição não se preocupa com Iguaba’

Prefeita fala do início do mandato e se diz tranquila com situação na Justiça

16 fevereiro 2017 - 19h43Por Rodrigo Branco I Foto: Arquivo Folha
Grasiella Magalhães: ‘Oposição não se preocupa com Iguaba’

O novo mandato, conseguido com 7.660 votos em outubro, só foi confirmado mais de dois meses depois no Supremo Tribunal Federal (STF), por liminar concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski. Devidamente diplomada e empossada, a prefeita de Iguaba Grande, Grasiella Magalhães (PP) tenta minimizar os efeitos da crise financeira que assola o Estado, apostando no Turismo, enquanto mira investimentos para melhorar a infraestrutura da cidade.

Em meio a um difícil cenário econômico, a oposição articula ação na Justiça para tirá-la do poder. Mas quanto a isso, Grasiella dá de ombros e desacredita unidade do grupo, batizado de ‘SOS Iguaba’ e onde figuram rivais como Hugo Canellas (PSB), Rodolfinho Pedrosa (PR) e Marcelo do Regional (PSDB).

– Poderia pontuar o que cada um fez para descredenciá-los, mas não vale a pena. Não vou dar milho a bode – dispara.

Folha dos Lagos – Qual o balanço dos 45 primeiros dias de mandato?

Grasiella Magalhães – Sempre governei com muita austeridade, mas considerando essa crise que atinge o Estado e todos os municípios, agora temos que fazer muito com muito menos recursos. Otimizar a mão de obra. Mas apesar disso, não apenas estamos em dia com o salário do servidor público, como na haverá um reajuste na folha de fevereiro, pelo IPCA, conforme fazemos desde 2013. Desde então, temos investindo muito em infraestrutura. Com a criação da companhia da PM (a cidade era a única que não ainda não tinha), está havendo unidade com a Guarda o que aumentou a sensação de segurança. A Postura também está muito engajada, retirando os ambulantes irregulares. As aulas também já começaram desde o dia 6. Priorizamos Educação, Saúde e Segurança Pública, que não é apenas o combate ao crime, mas também a iluminação pública, a coleta do lixo, a poda das árvores. Para o momento difícil que vivemos considero que já fizemos bem, mas podemos fazer melhor.

Folha – O que a senhora não fez na gestão passada que pretende fazer agora?

Grasiella – Em parceria com a Prolagos vamos solucionar a drenagem das ruas, que é um problema grande no município. Em alguns pontos mais urgentes já temos feito, mas vamos priorizar a construção da rede separadora (do esgoto e da água da chuva). A falta de pavimentação também é um problema. De 90% a 95% das ruas não são pavimentadas. Iguaba é um município novo, que vai completar 22 anos (era distrito de São Pedro da Aldeia), foi emancipado de maneira prematura e que não teve muito carinho. Cresceu de forma não planejada, mas estamos aí para esse desafio. Vamos investir em mobilidade urbana. Quero que Iguaba cresça, mas de forma responsável. A cidade é pequena, mas tem que ser referência em muitas ações.

Folha – A senhora tem andado sumida das mídias sociais. Por quê?

Grasiella – Na verdade, eu não tenho dado conta de responder aos comentários e perguntas das pessoas. Não gosto de deixar ninguém sem resposta. O primeiro mês está tumultuado, mas estou me organizando para voltar. As redes sociais são um canal para a gente se aproximar da população.

Folha – A situação jurídica ainda a preocupa?

Grasiella – Não me preocupa. Eu tenho me envolvido tanto com a administração municipal que até me esqueço da questão da liminar. Essa liminar foi baseada tanto nos argumentos da minha defesa como nos da oposição. Ela foi dada com muita fundamentação e inclusive apreciando o mérito. Isso me traz tranquilidade. Sei que o Direito é dinâmico, mas ele tem que se harmonizar com a questão social. Além disso, foi a vontade do povo nas urnas. Não respondo a nenhum processo por improbidade, minhas contas foram todas aprovadas pelo TCE. Minha questão é estritamente constitucional. O que me tira mesmo o sono é esse momento de dificuldade: as pessoas me pedindo emprego, a dificuldade na Saúde estadual.

Folha – Como Iguaba pode se beneficiar com o recente boom de empresas na vizinha São Pedro?

Grasiella – Isso vem desde o governo do Paulo Lobo (2001-2008). O território de São Pedro é muito grande e nós somos uma cidade pequena. Temos dificuldade no território, mas esse nem seria o grande óbice. Assumi pela primeira vez em 2013 e em meados de 2014 veio a crise. As empresas se seguraram, puxaram o freio de mão. Houve um declínio, ninguém está abrindo loja. Está todo mundo na retranca esperando o que o Governo Federal e o Estado vão fazer. Isso prejudica os investimentos em Iguaba. Empresas vieram com propostas bacanas, mas não voltaram, tenho certeza que pelo momento.

Folha – Existe saída em curto prazo?

Grasiella – Com a dragagem do Canal do Itajuru, a qualidade da água da Lagoa de Araruama melhorou muito e, por isso, recebemos visitas de pessoas ligadas aos esportes náuticos. Isso vai fomentar o Turismo. Acredito na Lagoa como atrativo e para o desenvolvimento econômico, pois vai estimular as pousadas e o comércio.

Folha – Como a senhora avalia o movimento de oposição ‘SOS Iguaba’?

Grasiella – Não tenho olhado o Facebook, mas quando me passaram a foto desse grupo, percebi que consegui uma coisa quase impossível: a oposição toda junta. Os adversários políticos unidos para tentar derrotar a Grasiella. Ali tem pessoas que até outubro pediam voto para mim. Agora não presto mais. É uma oposição rasa, que não é às ações do governo e sim o simples desejo de estar no meu lugar. Poderia pontuar o que cada um fez para descredenciá-los, mas não vale a pena. Não vou dar milho a bode. São antagônicos e não se preocupam com Iguaba.

Folha – E a relação com a nova Câmara?

Grasiella – Está harmoniosa, tudo está caminhado bem. Os quatro vereadores da oposição (Vantoil Martins, Alexandre Carvalho, Alan Rodrigues e Marciley Lessa Chaves) é que estão indo às secretarias, tirando fotos do que acham de errado. É como se fossem até a sua casa, tirassem foto de um copo quebrado, mas esquecessem que o restante da cozinha está funcionando. Botam a lente de aumento nas falhas e ignoram o que está indo bem.

Entenda a polêmica judicial

Nora do ex-prefeito Oscar Magalhães, Grasiella o substituiu em 2012 por motivos de saúde. Naquele ano, a atual prefeita concorreu e venceu pela primeira vez. Por causa disso, no ano passado, os adversários pediram a impugnação da candidata, o que acabou acontecendo, sob a alegação de perpetuação familiar. Em 6 de outubro, Grasiella perdeu recurso no TRE-RJ por 4 a 2, o que se repetiu em 24 de novembro, no TSE, desta vez por unanimidade (seis votos a zero). No fim do ano judiciário, no entanto, uma liminar concedida pelo STF a garantiu no cargo.