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BÚZIOS

Prefeito de Búzios nega bonança nos cofres do município

André Granado presta contas em entrevista, fala sobre atraso de salários e “morde e assopra” o vice

05 dezembro 2019 - 19h33Por Tomás Baggio
Prefeito de Búzios nega bonança nos cofres do município

A Prefeitura tem dinheiro e ao mesmo tempo não tem. O prefeito está no cargo hoje, mas pode não estar amanhã. O vice “agiu mal”, mas não chega a ser um adversário. E o juiz, que antes “perseguia”, agora faz apenas o seu trabalho. Foi assim, ambíguo e escorregadio, que o prefeito de Búzios, André Granado (MDB), apresentou sua versão “paz e amor” durante entrevista coletiva ontem. O bate-papo de uma hora e meia, no entanto, teve tempo suficiente para o antigo André vir à tona em alguns momentos, principalmente quando o assunto era política.

– Pode parecer arrogante o que eu vou dizer, mas, depois do Carnaval, vou apresentar para vocês o novo prefeito de Búzios. O novo prefeito ou a nova prefeita. Vou anunciar depois do Carnaval. Tenho certeza que vou fazer o meu sucessor – afirmou Granado.

Cofres cheios são mito, segundo Granado

O objetivo da entrevista era desmistificar a versão de que a Prefeitura estaria cheia de dinheiro. André Granado retornou ao cargo de prefeito no último dia 13 de novembro, após dez afastamentos e consequentes entradas do vice, Henrique Gomes, no comando do Executivo. Granado confirmou que havia R$ 62 milhões nos cofres da Prefeitura, conforme o vice tinha anunciado quando saiu, mas alegou a existência de dívidas e disse que a maioria do dinheiro tem destinação específica. Segundo ele, apenas R$ 3,3 milhões poderiam ser usados no pagamento de salários, sendo que a folha salarial gira em torno de R$ 11,6 milhões.

– Estamos buscando com a Câmara Municipal uma autorização para remanejar alguns recursos para o pagamento de salários. São recursos que deveriam ser usados em outras áreas, e a Câmara precisa autorizar essa mudança de destinação. Além disso, encontramos quase R$ 10 milhões em dívidas com fornecedores. Essas dívidas precisam ser pagas para a máquina não parar – explicou o prefeito, que criticou o período em que o vice esteve à frente do governo.

– Estamos com dificuldade financeira por causa dos gastos realizados sem critério durante o ano de 2019, no período em que fiquei afastado, como por exemplo a reposição salarial de 16% para os cargos de confiança e contratados, o pagamento antecipado de metade 13º, entre outras coisas. Isso ocasionou um problema financeiro para honrar os salários de novembro e dezembro. Mas temos buscado as maneiras de recuperar e conseguir honrar o salário e a segunda metade do 13º durante o mês de dezembro – disse ainda.

As sucessivas trocas no comando da Prefeitura durante o ano evidenciaram o racha entre o prefeito e o vice. A cada mudança no comando, grande parte do secretariado e do funcionalismo em geral era trocado. A cidade paralisou. Perguntado se considera Henrique Gomes como um adversário político, Granado afirmou que não, mas aproveitou para alfinetar o vice.

– Não sou adversário, até porque não sou candidato a nada. Considero ele uma pessoa que poderia ter sido o sucessor, se tivesse mais sabedoria, mais maturidade e aguardasse o tempo. Infelizmente, isso não ocorreu, e distanciou a possibilidade de tê-lo como o nome do nosso governo para a sucessão – afirmou André, completando: 

– O vice-prefeito é eleito junto com o prefeito. Ele tem um compromisso com a população. Passei isso para ele no meu primeiro afastamento. Quando voltei (ao comando da Prefeitura), o convidei várias vezes para vir aqui na Prefeitura, mas ele se recusou. Tivemos um encontro fora da Prefeitura, no hotel Colonna Park. Buscamos o entendimento e, logo em seguida, a gente se surpreendeu com a abertura de um processo contra mim por parte dele, e aí veio outro afastamento. Ou seja, existe uma dificuldade (de relacionamento) que poderá ser superada dependendo do interesse do vice-prefeito de voltar a dialogar. Temos o compromisso com a população firmado nas eleições de 2016 – acrescentou Granado.

Sobre o juiz da Comarca de Búzios, Raphael Badinni, que André disse se achar perseguido em entrevistas anteriores por causa das ordens de afastamento, o prefeito, desta vez, preferiu não polemizar. Disse que o juiz “tem o direito e a obrigação de dar a decisão dele, e eu tenho o direito e a obrigação de recorrer”.

– O que eu questiono é o fato de um dos meus afastamentos ter sido por causa de uma perda de prazo processual. Quer dizer, você perde um prazo e cassa o mandato de um prefeito eleito pela população? Isso deveria ser questionado, debatido. É uma decisão muito grave para ser tomada por causa de uma perda de prazo. Mas eu não quero dizer que me sinto injustiçado, é uma palavra muito forte. O juiz tem o direito e a obrigação de dar a decisão dele, e eu tenho o direito e a obrigação de recorrer – afirmou, sem garantir que conseguirá seguir no cargo até o fim do mandato.

– Todo prefeito está sujeito a uma decisão de afastamento a qualquer momento.

Questionado se estava em um momento mais tranquilo, André Granado disse que sim.

– É o momento de buscar estabilidade, normalidade, reorganizar os serviços e preparar a cidade para a alta temporada, quando o comércio poderá ter uma recuperação em seus ganhos. A gente vive as pressões, somos seres humanos. Neste momento a gente entende que é hora de buscar unidade, apoio, recuperar o tempo perdido e colocar a cidade em condições para que moradores e visitantes se sintam acolhidos.

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