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PERFIL DOS ASPIRANTES

Cabo Frio tem mais do que o dobro de candidaturas de homens comparadas às de mulheres

Folha faz raio-X dos concorrentes: branco, casado, com 40 a 49 anos e Ensino Médio

17 outubro 2020 - 16h55Por Rodrigo Branco

O perfil do candidato nas eleições municipais em Cabo Frio, neste ano, é homem, com idade entre 40 e 49 anos; casado; com Ensino Médio completo; e que se autodeclara de pele branca. O levantamento inédito feito pela Folha dos Lagos tem como base o banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o registro das informações dos 568 postulantes aos cargos de prefeito, vice-prefeito e vereador.

Com relação ao gênero, a proporção é de dois para um, ou seja, a cada candidata que tentará ser eleita em 15 de novembro, há dois homens que concorrem no pleito. Do total de aspirantes aos cargos em disputa, 383 são do sexo masculino, o que representa um percentual de 67,4%. Para a vice-presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, a professora Carol Werkhaizer, a situação não surpreende, apesar de a Lei Eleitoral (nº 9.504/1997) impor a presença de 30% de mulheres em cada partido ou coligação. 

– Vejo esta estatística como lamentável, mas se tratando de estrutura partidária e política de Cabo Frio, não é uma surpresa, infelizmente. E é algo que tem que ser combatido, que é a violência política de gênero, que afasta e mantém mulheres fora do espaço de decisão política da cidade, dos rumos da cidade, dos rumos do seu partido. Essa violência política de gênero, de fato, faz com que muitas mulheres olhem para política como se fosse um lugar que não as pertencesse. E, sim, a política é um espaço de decisão importante que precisa ser ocupada por mais de nós – analisa.

A advogada e professora universitária Ana Carolina Barreto, que faz parte do Conselho e da ONG Reação Mulher, concorda que o caminho para uma proporção mais igualitária entre os gêneros é longo. Ana Carolina observa que para compor as nominatas, alguns partidos lançam mão de certas artimanhas.

– Ainda temos um longo caminho para percorrer até a igualdade de fato. Não só a questão da participação feminina, mas também o acesso igualitário às candidaturas de mulheres negras. Fora isso, é necessário que haja o investimento devido nas candidaturas das mulheres, com intuito de acabar com as candidaturas laranjas – frisou.

No caso do grau de escolaridade, 226 candidatos (39,7%) declararam ter concluído o Ensino Médio. Com nível Superior completo, há 121 concorrentes (22,1%); e com Ensino Fundamental completo, 72 (13,1%). De outro lado, 46 candidatos (8,4%) afirmam que leem e escrevem como nível de instrução. Os dados são tidos como inesperados para o professor de História, José Francisco de Moura, o Professor Chicão.

– Isso me surpreende porque essa taxa de Ensino Médio completo é muito alta. Em Cabo Frio, ela é muito baixa. É muito pequeno o número de pessoas com nível médio de escolaridade na cidade – comentou, salientando, no entanto, que o perfil médio dos candidatos se adequa aos concorrentes ao cargo de prefeito.

Entre as etnias, 339 candidatos (59,6%) se autodeclararam brancos; 125 como pardos e 98 como negros. Três se disseram indígenas e dois não deram informações. No caso do estado civil, a maior parte (271) informou ser casado. O contingente de solteiros é o segundo maior (253); seguido pelo de divorciados (37). Apenas sete postulantes disse ser viúvo.

Por sua vez, no quesito ‘faixa etária’, 182 candidatos (32%) afirmaram ter idade entre 40 e 49 anos. Já com idade entre 50 e 59 anos, há 154 candidatos; e entre 30 e 39 anos, 135 candidatos. Dois concorrentes, um homem e uma mulher, são os mais jovens na disputa, com 20 anos; enquanto o mais idoso tem 87 anos. 

Um dado curioso no levantamento da Folha diz respeito ao local de nascimento dos aspirantes a um cargo público em 2021. Fazendo jus aos versos do poeta Victorino Carriço, no hino da cidade, são 306 ‘forasteiros’ (53,8%) na disputa eleitoral deste ano, sendo 143 deles nascidos na cidade do Rio de Janeiro, mas há gente de outros estados como Espírito Santo, Minas Gerais e Pernambuco. 

Para Carol Werkhaizer, o aumento na representatividade na política do município é um desafio.

– Cabo Frio não só precisa de representatividade de mulheres, mas de pessoas negras, de LGBTs,e  de territórios periféricos. Fica aí um desafio pra gente, que é transcender essa lógica dos homens brancos; ricos e de classe média e alta. Sempre as mesmas figurinhas marcadas, em que boa parte corresponde aos interesses de pequenos grupos – conclui.

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