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Aquiles

Aquiles: 'Conseguimos dar outra dinâmica à Câmara'

Presidente fala dos planos para segundo semestre, da polêmica com o Sepe e de possível racha na base do governo

29 julho 2017 - 14h43Por Texto e foto: Rodrigo Branco
Aquiles: 'Conseguimos dar outra dinâmica à Câmara'

A poucos dias do fim do recesso legislativo, o presidente da Câma­ra de Cabo Frio, Aquiles Barreto (SD), afirmou à Folha que se em­penhará logo no retorno aos traba­lhos no projeto da Câmara Itine­rante, bem como na elaboração de plano de cargos e salários para os funcionários da Casa. Ele vê com naturalidade possíveis descon­tentamentos entre integrantes da base governista, que se sentiriam desprestigiados, e faz mistério so­bre possível candidatura em 2018:

– Se Marquinho escolher o nome de Aquiles para ser candidato, eu tenho que estar preparado – diz.

Folha – Como você projeta o trabalho no segundo semestre na Casa Legislativa de Cabo Frio?

Aquiles Barreto – A tempes­tade a cada dia vai diminuindo. O primeiro semestre foi muito com­plicado para a cidade, para o co­mércio, para a política. E, passado o recesso, os vereadores voltando com algumas pautas quentes, como a guarda armada, acho que a Câmara começa a ter tranquili­dade para trabalhar e desenvolver projetos que possam deixar essa nova Câmara marcada.

Vou, na primeira semana de trabalho, conversar com os vere­adores novamente de forma a po­dermos fazer a Câmara Itineran­te. Acho que esse começa a ser o momento da Câmara ir à cidade, como um todo, além do Centro.

Folha – Como vai funcionar o projeto da Câmara Itinerante?

Aquiles – A Câmara Itinerante já foi executada enquanto o pre­sidente Silas estava à frente do legislativo. Mas acho que o mo­delo tem de ser outro. Cada Câ­mara custava R$ 30 mil reais aos cofres. Nós temos que ir para uma escola, para um clube, para uma Igreja, nós temos de estar presen­tes – não fazer estardalhaço e gas­to, mas para estar presente.

Folha – Em relação ao pri­meiro semestre, que dificul­dades encontrou como presi­dente da Câmara? Quais os grandes desafios? O contin­gente de funcionários é o ideal ou deveria ser menor?

Aquiles – A Câmara tem o nú­mero ideal de funcionários para trabalhar. Acho que dá para fa­zer um bom trabalho com o que temos. A Câmara como um todo tem 31 funcionários, tirando os gabinetes dos vereadores. Temos funcionários motivados e que ti­veram oportunidade de ocupar cargos que vieram sendo ocupa­dos por muito tempo na Câmara, modificamos isso, e eles têm a li­berdade de fazer o trabalho.

Folha – Como você avalia a relação do legislativo com o go­verno?

Aquiles – A melhor possível. Todas as matérias que vieram até hoje do governo foram pensando na cidade, não houve matéria po­lêmica que tenha trazido discus­são de oposição com a situação. Todas as matérias que chegaram, claro que a oposição marcou sua posição, mas até em muitas do governo a oposição votou junto. Então acho que, quando tiver ma­téria polêmica, eu preciso levá-la para o plenário e lá a avaliação será feita. Quero parabenizar o governo, os vereadores, ambas as bases, que em nenhum momento colocou a população em xeque, algo que aconteceu bastante no governo anterior.

Folha – Você acha que essa situação da eleição de 2018 pode gerar uma mudança de comportamento por conta das pretensões individuais?

Aquiles – Claro, acredito sim. Isso faz parte da estratégia pes­soal de cada vereador, de cada partido. Não estamos aqui para mudar a forma de pensar do ve­reador. Estamos aqui para poder trabalhar pautas para a cidade. Cada um pode escolher seu cami­nho, sua trilha, mas sempre ten­do Cabo Frio em mente. Esse é o passo que precisamos dar.

Folha – Aquiles, como você avalia o papel da Câmara nes­ses primeiros seis meses do pon­to de vista fiscalizador?

Aquiles – É a questão da po­lítica e da politicagem. Quando foi questionada a transparência, como no caso da Comsercaf, em que a base do governo votou con­trária, ela foi votada assim por­que foi um requerimento que na minha opinião é última instância. A primeira instância é um ofício. Assim fiz. Aquele processo da Córrego Rico tinha cinco ofícios, nenhum respondido. Depois de não respondido, enquanto verea­dor, você manda um requerimen­to para ter esse acesso. Quando se mandou o ofício da Comsercaf, no outro dia todos os contratos estavam aqui na casa, diferen­te do que acontecia no outro governo. Quero parabenizar o Cláudio Moreira, presidente da Comsercaf, e o Rafael Peçanha, que foi o autor do requerimento recebeu todos os contratos. Não houve falta de transparência. Foi um ato político que quis ex­por os vereadores. Essa é a mi­nha definição clara da situação – a transparência sempre existiu, pois se não existisse os contratos não estariam nas mãos dos que os solicitaram.

Folha – E a relação com o sindicato dos profissionais da Educação, Aquiles? A gestão do Sepe foi bastante crítica com a atuação da casa, inclusive com rusgas em plena sessão com a questão do uso da tribuna e tudo mais. Eles alegam que a oposição não foi democrática, que a tribuna não teria sido li­berada para eles, qual a sua po­sição quanto a isso?

Aquiles – Somos parceiros do Sepe, porque este é o dever da Casa Legislativa. Agora, aqui tem ordem, quero deixar isso claro. Tem de existir um cronograma. Em várias falas de vereadores era preciso interromper, porque alguns representantes do Sepe não deixavam o vereador falar. E quanto à questão da tribuna livre, o Sepe manda um ofício para a gente requisitando usar a tribuna livre em determinado dia e hora. Eu respondia ao Sepe, falando que não pode ser feito assim, pois temos alguns acordos de acordo com o regimento que diz que temos duas tribunas livres por mês. E várias já estavam protocoladas. Mas isso não foi o Aquiles. É um acordo entre os 17 vereadores, oposição e si­tuação. Tudo tem hora e lugar. O Sepe vai ter o seu espaço, é importante para a cidade. Se a classe é respeitada, é muito por conta das batalhas que essas guerreiras ganharam.

Folha – Como você avalia a composição da base do gover­no? Há alguns meses chegaram informações de que haveria descontentes, que alguns se sen­tiriam desprestigiados em rela­ção a outros? Há algum tipo de descontentamento?

Aquiles – Acho que o prefeito ele sempre deu muita atenção à base dos vereadores. A questão da rebelião, que você colocou, é natural que dentro de qualquer base de governo, vide o governo Temer, que existem pessoas mais e menos próximas que fazem parte da mesma base. O que não pode é pedidos pessoais conta­minarem a cidade. O importante é isso. Se existe tal descontenta­mento, é só o Miguel [Alencar, líder do governo], como já faz, conversar entre todos para condu­zir da melhor maneira possível o próximo semestre. Mas não vejo problemas desse tipo.

Folha – O que você não con­seguiu fazer até agora que você pretende fazer no segundo se­mestre?

Aquiles – O plano de cargos e salários dos funcionários da Câ­mara. Isso é uma coisa que eu, quando cheguei, queria fazer um choque de gestão. Fazer uma re­dução dos custos, investimentos conscientes, como, por exem­plo, de transformar a energia da Câmara em painéis solares. Nós gastamos quase R$10 mil re­ais por mês em energia, e queria transformar a energia em solar para não pagarmos um consumo tão elevado. O corredor cultural, por exemplo, está funcionando da melhor maneira possível, com sarau, exposição de poesias, coral etc. Conseguimos dar uma outra dinâmica.

Folha – Você vai ser candidato no ano que vem?

Aquiles – Como vou falar de candidatura quando estamos atra­sando os salários ainda, admi­nistrativamente? A política tem de ser para o momento político. Quando começar a eleição, tem de se discutir política. Por en­quanto temos de trabalhar, pôr salários em dia, discutir plano diretor e tudo mais, fazer a ci­dade crescer. Eu sempre disse: estou preparado para ser can­didato a presidente, senador, deputado, enfim, o político está sempre preparado, porque se ele não está não pode ser político. Então, a gente sempre coloca o nosso nome à disposição de um grupo. Não represento o Aquiles, e sim um grupo. Agora, se no ano que vem o grupo do Marquinho escolher o nome do Aquiles para ser candidato, eu tenho de estar preparado. Mas a cidade tem de estar no eixo.