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Alair: "Vão ter que me aguentar até o último minuto"

Prefeito de Cabo Frio afirma que só Deus tira ele do cargo antes em entrevista na rádio

12 novembro 2016 - 09h52Por Fernanda Carriço
Alair: "Vão ter que me aguentar até o último minuto"

“Para um homem festeiro, não comemorar o aniversario da cida­de deve estar dando dor de cabe­ça”. Com esta frase o radialista Amaury Valério (Rádio Ondas FM) abriu a entrevista que fez com o prefeito Alair Corrêa na manhã de ontem, por telefone. Do outro lado da linha, uma voz, que apresentava tristeza, concordava: “A minha vida toda foi de pre­feito festeiro mesmo, da alegria, de muitas festas. Mas os últimos anos têm sido de muita tristeza”, disse Alair, que manteve o tom de lamentação até o momento em que fala de uma possível saída da prefeitura antes de 31 de dezem­bro: “Vão ter que me aguentar até o último minuto do ano de 2016. Só saio às 23h59 do dia 31. Nin­guém me tira antes. Só Deus”.

Um dos políticos mais expe­rientes da história contemporâ­nea de Cabo Frio, Alair, aos 74 anos, acumula oito mandatos na carreira política – dentre estes, quatro como prefeito da cidade. Mas certamente o mandato de 2012-2016 é o que lhe impõe mais desafios: “Deus me deu essa tarefa de administrar esse caos, mas também me deu saúde para aguentar até o final”, disse em certo momento da entrevis­ta. Temas como protestos – in­clusive os Guardas Municipais fecharam a avenida da rádio na hora da entrevista – pagamento de servidores, empréstimo e ou­tros deram a tona da conversa que durou cerca de 35 minutos. “Eles devem achar que estou aí (risos)”, se referindo aos guardas que ocuparam a avenida.

Festas – “O problema vem há dois anos, quando suspendi to­dos os shows da cidade. Nunca mais fizemos festas, apenas as tradicionais. A minha vida toda foi de prefeito festeiro mesmo, de alegria, de muitas festas. Mas os últimos anos têm sido de mui­ta tristeza por eu não conseguir aquilo que sempre fiz. Sempre fiz festa, mas não só não consigo fazer, como não consigo pagar em dia os servidores. É uma tris­teza muito grande no aniversário da cidade não poder fazer desfile porque não tem como comprar o uniforme dos alunos, não tem como comprar um lanche para distribuir pra eles”.

Empréstimo – “Eles pensa­ram: vamos matar Alair e a cida­de junto. Faz oito anos que meu filho Marcelo Corrêa não toma cerveja. Entrou num bar semana passada para pode jogar dominó e na quinta-feira, na Câmara, eles gritaram: cachaceiro, cachaceiro, cachaceiro. Uma cambada que parece não estudou porque foi pra uma casa Legislativa para ofen­der o filho do prefeito dessa ma­neira. Intimidaram os vereadores para não aprovar o empréstimo. Essa situação que a gente está vivendo hoje, os únicos culpados são aqueles que trabalharam con­tra o empréstimo de Cabo Frio”.

Obras – “Essa cidade, por onde você passar, vai encontrar o dedo de Alair. Pode se esgoe­lar. Passo por impopularidade, mas minha história está registra­da, ninguém vai apagar. Mesmo com a crise, pavimentamos mais de 100 ruas, fizemos o Boulevard Canal, a nova Orla, a pista de Skate. O novo prefeito que entrar não vai fazer o que eu fiz. Aí eu lembro do ‘pede pra sair, Alair’ e respondo: É ruim, hein! Vão me aguentar ate o último minuto. Só saio às 23h59 do dia 31. Nin­guém me tira antes. Seis promo­tores se reuniram e pediram meu afastamento. A Justiça negou”.

Buracos – “A cidade está cheia de buracos nas avenidas, nas ruas e a gente não consegue recursos para tapar estes buracos. Começamos a tapar e veio a chuva e acabou com tudo. Hoje são tan­tos que não temos dinheiro para comprar tanto asfalto. Estamos no final da linha do governo”.

Popularidade – “Eu já fui aclamado como o melhor prefeito do Brasil e hoje estou em um ou­tro plano. Hoje estou como o pre­feito da impopularidade. O povo não tem noção do que é você arre­cadar 60 milhões e de repente cair para 30 milhões”. 

* Confira matéria completa na edição deste fim de semana da Folha dos Lagos.