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Política

Alair faz discurso político político em Igreja, causa polêmica e ataca integrantes do Sepe

"Essa velharia do Sepe não tem mais jeito", escreveu o prefeito no Facebook

07 junho 2016 - 12h44

Discurso do prefeito Alair Corrêa (PP), na missa de quinta-feira passada, na Paróquia de São Cristóvão, em Cabo Frio, causou polêmica por conta do tom político adotado em um templo religioso: insatisfeito por sua fala ter sido recebida com protesto e apatia por parcela dos fieis, o prefeito utilizou o Facebook para atacar integrantes do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe). “Decididamente, essa velharia do Sepe não tem mais jeito”, escreveu Alair, que completou 74 anos no último dia 4.

Procurada pela Folha, entretanto, a assessoria do Sepe afirmou que não estava presente na cerimônia religiosa e que enviará ofício para a Paróquia, no intuito de esclarecer o assunto.

Ontem, o padre Francisco Luckmann explicou que cedeu a fala ao prefeito porque uma fiel pediu para que ele agradecesse a presença dos seguidores. Questionado se a mistura entre religião e política o havia incomodado, o padre admitiu que ficou constrangido com a situação.

– A missa não foi para ele. Minutos antes, uma senhora chegou a mim pedindo se ele podia falar. E eu cedi a palavra. Disseram que era para agradecer a presença de quem estava na assembleia (público que foi assistir à missa). Claro que incomodou. Fiquei constrangido.

O assunto virou tema em vários grupos do WhatsApp, e muitos áudios foram compartilhados. Um deles denunciou que várias pessoas deixaram a igreja na hora do discurso do prefeito. 

Um homem que acompanhava a missa, que  não quis se identificar, relatou que muitos frequentadores ficaram contrariados no momento em que o prefeito falou do empréstimo. Alguns, segundo ele, chegaram a deixar a Igreja. Além disso, ao ouvir comentários em desaprovação, pessoas ligadas à comitiva do prefeito teriam hostilizado os fieis.  

– Quando vi que ele ia falar, dei as costas e fui embora porque não ia participar daquilo.

Alair sobre Sepe:
‘muheres sem linha’

No Facebook, Alair atribuiu as manifestações na Igreja a integrantes do Sepe. “A velharia do Sepe quer é causar pânico e desordem na cidade. Por isso, ao final da missa, feito loucas, enquanto eu recebia os cumprimentos dos meus amigos, foram à porta da sacristia para desacatar o padre Francisco, ofendendo-o, agredindo-o fisicamente quando o mesmo tentava entrar”.

E subiu o tom: “Mulheres sem linha que não respeitam um pregador e muito menos um local sagrado como uma Igreja!” 

O prefeito afirmou que as integrantes do sindicato passaram do “limite do intolerável”. “Eles já não demonstravam respeito por quase nada, nem por ninguém. Invadir prédios públicos como a Prefeitura, a Câmara, escolas e até hospitais já não causa mais espanto. Por isso, se excedem no abuso, estimulados por ser moda no Brasil [sic]: protestar, na maioria das vezes, até pelo que não tem direito. Só que resolveram ultrapassar todos os limites, até do já intolerável”.

O prefeito ainda transcreveu o discurso que alega ter feito. Nele, revela que a Prefeitura não tinha R$ 20 mil de caixa para pagar o sal dos tapetes de Corpus Christi, tendo que postergar o pagamento para 90 dias.

 “Estou comemorando o meu quarto e último aniversário deste meu mandato que termina em dezembro. Quero agradecer a todos vocês pelas orações por nossa cidade e governo. Todos os  quatro anos comemorei aqui, com missa em ação de graças por minha vida. A cidade passa por uma situação muito difícil, a ponto de não ter vinte mil reais para comprar o sal para a confecção dos tapetes para o evento do Corpus Christi. Tivemos que comprar para pagar em noventa dias.”

Por fim, Alair disse que acredita no “milagre”.

“Deus me entregou essa difícil missão de governar, sem arrecadação e com protestos a todo momento por não ter como pagar os compromissos assumidos. Mas Deus também me deu muita força e muita saúde para conseguir romper essas dificuldades e nele tenho fé que o dinheiro que perdemos será recuperado e nossa cidade voltará a ter calma e crescimento. Eu acredito no milagre”.