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ELEIÇÕES 2020

Adriano Moreno: "Tive apenas dois anos de mandato, não seria justo se interrompesse esse trabalho"

Candidato a reeleição pelo DEM, atual prefeito de Cabo Frio é o quarto entrevistado da série da Folha

19 outubro 2020 - 12h41Por Rodrigo Cabral e Rodrigo Branco

O quarto entrevistado da série com os candidatos a prefeito de Cabo Frio busca a reeleição, depois de ser eleito, em 2018, em um pleito suplementar. Adriano Guilherme de Teves Moreno tem 56 anos e é médico ortopedista. Em 2012, se elegeu vereador e, quatro anos depois, concorreu à Prefeitura pela primeira vez, ficando em segundo lugar. A vice na chapa, pela coligação ‘Nada Resiste ao Trabalho' é a cantora e compositora Rafaela Fernandes de Oliveira, a Rafa Quilombola, de 23 anos.

Folha dos LagosPor que deseja ser prefeito novamente e qual legado quer deixar para a cidade?

Adriano Moreno – Eu tive apenas dois anos de mandato e abri mão da minha vida para me dedicar, por amor, à Prefeitura. Não seria justo comigo nem com as pessoas que me amam que eu interrompesse esse trabalho. Tive pouco tempo e fiz muito, mas posso fazer muito mais por Cabo Frio. Criamos a Companhia Municipal de Desenvolvimento; desapropriamos uma área de 2 milhões e 400 mil metros quadrado no entorno do aeroporto, onde vamos implantar empresas que gerem emprego e renda; iniciamos a reforma fundiária, que garantirá o RGI (Registro Geral de Imóveis) a moradores da Vila do Sol e do Jacaré, agora queremos avançar para o Segundo Distrito. 

FolhaComo retomar o desenvolvimento gerando emprego e renda após o cenário de pandemia?

Adriano – É certo que vamos retomar o desenvolvimento da nossa cidade. A Pandemia trouxe uma queda de arrecadação para Cabo Frio, nos últimos 6 meses, de 53 milhões de reais. E mesmo escalonando os pagamentos do funcionalismo, eu tenho conseguido manter os pagamentos dentro do mês. A meta agora é incentivar a implantação de empresas e valorizar o empresário, que precisam ser o principal empregador. Durante mais de 22 anos, o empresário foi extorquido enquanto a Prefeitura se tornou o maior empregador, recebendo royalties de petróleo. Hoje pagamos um preço altíssimo por essa falta de responsabilidade. 

FolhaOs municípios da região tiveram índice baixo no Ideb. Como mudar esse cenário e quais seus planos para a Educação? 

Adriano – Nós já vínhamos desde 2016 enfrentando greves da educação por falta de pagamento. Além disso, a Pandemia tirou por mais um longo período os nossos alunos das salas de aula. Isso cria um grave problema para o Município, uma vez que com o índice baixo, a verba do Fundeb deve cair. Nós vamos ter que reestruturar a nossa rede educacional para cumprir com as nossas obrigações. Sem educação, nenhuma cidade vence. 

Folha - Quais as suas principais propostas para a Saúde?

Adriano – Em primeiro lugar, a melhoria no atendimento básico de saúde, investimento na saúde dos postos de Estratégia Saúde da Família (ESF). Com isso, reduziremos a demanda na rede hospitalar. Investindo em saúde preventiva, diminuímos o número de pessoas que precisam procurar os hospitais. Em dois anos, não consegui fazer isso como gostaria, mas já estamos capacitando os médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e atendentes. Eu reconheço que a saúde é o calcanhar de Aquiles de qualquer governante no Brasil. Apesar disso, uma Saúde de excelência precisa ser perseguida. 

FolhaQuais políticas que serão adotadas para o Turismo?

Adriano – Já estamos aplicando politicamos como a criação dos territórios turísticos em Cabo Frio; a valorização do nosso patrimônio histórico; o nosso Secretário de Turismo tem frequentado feiras do setor para divulgar o nome da cidade; e vamos ter que tomar medidas como a profissionalização dos agentes. Quando eu era criança, tínhamos turismo de qualidade em Cabo Frio. As pessoas vinham à procura das belezas naturais, mas não era um turismo predatório como temos hoje. 

Folha – O que o candidato pensa sobre políticas afirmativas para mulheres, negros e LGBTs?

Adriano – Eu fui o único prefeito que criou a Coordenadoria dos Iguais, para pensar políticas voltadas a comunidade LGBT. Criei a coordenadoria da Igualdade racial; e a coordenadoria das pessoas com deficiência, o que já responderia a essa pergunta. Mas a minha vice, Rafa, é quilombola, representa a nossa vontade de olhar para esses grupos e tratá-los como merecem. 

FolhaQuais suas propostas para o Esporte?

Adriano – Cabo Frio tem uma dívida de INSS com o Governo Federal, então estamos fora do Cauc. Não conseguimos comprar mais nada a crédito. Conversei com várias pessoas que queriam ajudar Cabo Frio, assim como parlamentares, mas as emendas destinadas a Cabo Frio são apenas para saúde, educação e promoção social. Estamos trabalhando para limpar o nome da cidade e, aí sim, investir no esporte. Mesmo assim, estamos conseguindo verba para reformar o complexo Araci Machado, já consegui a reforma do Poliesportivo Vivaldo Barreto, no Jardim Esperança; e alguns campos de futebol, como o da Boca do Mato, gramamos e fizemos o alambrado com recursos próprios e doações. Sediamos o Campeonato Sul-Americano de Canoa Havaiana e o Aloha Spirit. Esporte é inclusão social, queremos investir muito.

Folha – Quais suas principais propostas para a Cultura?

Adriano – Com relação à Cultura, estamos focados na reforma da sede da Fazenda Campos Novos, que faz parte do Caminho de Darwin. Temos também projetos junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, para reestruturar o nosso Forte de São Mateus, já  reformamos a Capela do Morro da Guia, que está totalmente reestruturada, nós demarcamos toda a área do Parque do Mico Leão Dourado, refizemos o dormitório das garças. E tudo isso faz parte do nosso programa de valorização a cultura e ao turismo. Nós estamos em uma cidade que vive do turismo. E é importantíssimo essa preocupação com o turismo histórico e ecológico. 

FolhaQuais os projetos do candidato para qualificar e ampliar a atuação da Guarda Municipal na Segurança Pública?

Adriano – Nesses dois anos de governo, eu chamei funcionários que haviam passado no concurso de 2009 e chamei também 237 professores do concurso de 2009. Essas pessoas inclusive já haviam acionado a Justiça há anos, e mesmo assim nenhum outro prefeito teve a dignidade de dar posse a elas. Já saiu edital do novo concurso público, todo em parceria com o Ministério Público do Estado. A Prefeitura tem um grande número de funcionários em cargos comissionados e acreditamos que o concurso público é a forma mais honesta e justa de preencher essas vagas, o que é também é uma exigência do Ministério Público. E com esse concurso esperamos adequar ainda mais a nossa Guarda Municipal. É importante dizer também que quando assumimos a prefeitura, a guarda não tinha veículos para trabalhar.  Hoje ela está equipada com carros e motocicletas novos, uniformes novos. É um compromisso meu, que a nossa guarda não seja apenas patrimonial, como também trabalhe ajudando no a Polícia Militar no policiamento. 

FolhaQuais as prioridades em relação à infraestrutura da cidade? 

Adriano – As prioridades na infraestrutura da cidade são: darmos condição de termos um turismo de qualidade, ruas em boas condições e bem sinalizadas para a nossa população e para os turistas que visitam a nossa cidade. Acredito que uma cidade bem estruturada atrai grandes empresários que queiram investir na nossa região, buscamos isso porque sabemos da necessidade de geração de emprego e renda no nosso município. Temos criado meios como  a Companhia de Desenvolvimento, aprovei junto a Câmara Municipal a Lei de PPP (parcerias público-privadas) e Lei de PMI (Procedimento de Manifestação de Interesse), reduzimos a alíquota de ISS, justamente para garantir o interesse dessas empresas em investir na nossa cidade. 

FolhaQuais as principais políticas que serão adotadas no Meio Ambiente? Especificamente sobre a Lagoa de Araruama, quais as ações viáveis do município para sua revitalização?

Adriano – Desde o início do mandato, eu pedi para ingressar no Consórcio Lagos São João, onde sou vice-presidente, tenho participado de todas as reuniões junto com a empresa detentora do tratamento de água e esgoto de Cabo Frio (Prolagos). Estive na Secretaria Estadual de Meio Ambiente, diversas vezes, onde discutimos a dragagem do Canal do Itajuru para que a gente possa renovar a Laguna de Araruama, a gente precisa renovar essa água. Já que ela não sofre com problema de poluição, mas com a forte presença de nitrogênio, o que mudou a cor da laguna, o já foi apontado por estudos realizados na laguna. Precisamos renovar essa água e fazer um cinturão de proteção junto com a Prolagos, para bombear o esgoto para ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) do Jardim Esperança, onde serão construídas ETEs especiais tratar de uma forma correta esse material. 

Folha – De que maneira o município pode ser mais independente dos repasses dos royalties? Como enxerga o cenário, caso o regime de partilha seja alterado no STF?

Adriano – Essa dependência do royalty de petróleo foi um erro brutal, lamentável dos outros governos. Cabo Frio, infelizmente, viveu o sonho do ouro negro. Nós expulsamos os empresários da nossa cidade, achando que éramos auto suficientes. O poder público se tornou o maior empregador da cidade, o que foi um erro básico e fatal para levar a cidade a esta situação lastimável em que está hoje. Nós temos que investir na geração de emprego, com a facilitação da vinda de empresas para a nossa cidade. Temos um aeroporto internacional, com a segunda maior pista do estado, que só perde para o Galeão. Nós precisamos incentivar a implantação de empresas no entorno e transformar a região num polo industrial. Pensando nisso, eu desapropriei 2,4 milhões de metros quadrados no entorno, para que estas empresas se instalem e comecem a gerar emprego e renda. Assim, nós vamos deixar de ser dependentes de royalty. Vamos viver da vocação natural que é o turismo e ter o royalty como um plus. Já estamos recebendo uma empresa do Rio Grande do Sul, a Cimitarra, que produz lanchas de alto padrão, quase Iates, de 55, 60, 70 pés. A empresa já está com uma escola para capacitar aqueles que quiserem aprender a trabalhar. Vai ser a primeira escola deste ramo. Outra coisa: peguei o Café do Trabalhador e transformei na Casa do Trabalhador que, a partir de convênio com a Firjan, vai ministrar cursos de Elétrica, Mecânica, Informática e Corte e Costura.

Folha – Como resolver o problema dos atrasos dos salários doa funcionários e aposentados?

Adriano – Desde que assumi a Prefeitura, enfrentei todas as dificuldades possíveis e imaginárias, em relação à folha de pagamento. Primeiro, uma folha de pagamento altamente inchada e uma arrecadação caindo assustadoramente. Além disso, tivemos precatórios que bloquearam nossos recursos na fonte como o ICMS, tivemos a pandemia que trouxe um prejuízo de arrecadação própria de mais de R$ 53 milhões nos últimos seis meses, tivemos, também, queda na arrecadação do royalty do petróleo. Nenhum prefeito, na história de Cabo Frio, trabalhou com uma queda de arrecadação tão grande como eu trabalhei nesses últimos anos. Mesmo assim, eu consegui manter o pagamento dos funcionários dentro do mês. É importante deixar isso bem claro porque a gente vê falácias e fake news informando que há funcionários sem receber há quatro meses. É mentira. Quem está este tempo sem receber, pode procurar o RH porque só pode ter sido demitido, porque, quem está na folha de pagamento, está recebendo, com pagamento escalonado. 
Nossa meta, hoje, é enxugar esta folha, deixar a máquina pública mais eficiente e gerar emprego e renda porque, a população de Cabo Frio, se não trabalhar na Prefeitura, vai trabalhar onde? Este é o grande dilema que qualquer gestor vive, na nossa Prefeitura. Se você manda muita gente embora, cria uma legião de desempregados, que traz um impacto no comércio do município e na arrecadação, porque a economia da cidade não funciona, hoje, sem os pagamentos que a Prefeitura faz a seus funcionários.

FolhaQuais os principais projetos e políticas públicas direcionados para a população de Tamoios? 

Adriano – Nesses dois anos, muita coisa já foi feita para a população de Tamoios, como a reforma da UPA, a primeira do Brasil a ter heliponto. Também estamos reformando hospital de Tamoios, onde já teremos tomógrafo, ultrassom, consultório odontológico, trazendo saúde para a população, além do resgate da Rodovia Amaral Peixoto. O mais importante, hoje, no entanto, é a reforma fundiária que precisamos fazer. Uma grande parcela da população de Tamoios não tem o registro do imóvel; vive com o título de posse e, por isso, corre o risco de ser desapropriado a qualquer momento. Quando fizermos a regularização, as pessoas vão ter as suas propriedades registradas, podendo deixá-las para seus filhos e netos e, até vendê-las. Hoje, elas vivem a insegurança de terem construído e não serem proprietários, de fato. A regularização fundiária é fundamental, também, para possibilitar saneamento básico, arruamento, calçamento e asfaltamento. Muitas das ruas de lá constam na Prefeitura como asfaltadas ou calçadas, mas não são. São erros da gestão passada e fazem parte das 107 auditorias que eu abri na prefeitura e, por elas, encontramos um rombo ao erário público de R$11,5 milhões.

(*) O entrevistado desta terça-feira (20) será o candidato Anderson Macleyves, do PMN.

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