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Região tem ano mais violento desta década, segundo dados do ISP

Em 2017, já são 232 homicídios até setembro, o maior número desde 2010

03 novembro 2017 - 19h54Por Rodrigo Branco I Foto: Divulgação
Região tem ano mais violento desta década, segundo dados do ISP

A publicação dos dados de criminalidade de setembro pelo Instituto de Segurança (ISP) consolidam uma informação bem preocupante: levando-se em conta os nove primeiros meses do ano, 2017 pode ser considerado o ano mais violento desta década na Região dos Lagos. De 2010 para cá, nenhum ano registrou tantos homicídios dolosos entre janeiro e setembro quanto este. Foram 232 casos registrados nos sete municípios sob a vigilância do 25º Batalhão da Polícia Militar, contra 217 ocorrências em 2014, segundo colocado. Nesta estatística, 2016 aparece em terceiro lugar, com 212 mortes violentas, o que reforça a tendência de escalada da violência.

Por ser a maior e mais populosa cidade da região, Cabo Frio puxa os números para cima. Até setembro, a 126ª DP registrou 95 casos de homicídio doloso no município. Em seguida, vem Araruama com 56 e São Pedro da Aldeia, com 28. 

Em 2016, a esta altura do ano, foram 80 ocorrências em Cabo Frio. No entanto, em relação aos últimos anos, os índices de mortes violentas nos bairros cabofrienses se estabilizaram e, em alguns casos, até diminuíram, como na comparação com 2014 e 2015, que em nove meses tiveram 120 e 103 assassinatos, respectivamente. 

O problema é o aumento da participação das cidades vizinhas nessa conta. O principal exemplo é Araruama. Às voltas com o acirramento da briga de facções criminosas, o município desde julho vem ‘rivalizando’ com Cabo Frio em número de homicídios. Mesmo com 90 mil habitantes a menos, em setembro, o município araruamense contabilizou um assassinato a mais que a vizinha cabofriense (11 a 10). Em julho, isso já havia acontecido: sete homicídios em Araruama e seis em Cabo Frio.

Apesar do quadro negativo como um todo, o comandante do 25º Batalhão da PM, tenente-coronel André Henrique de Oliveira, afirmou que nos dois últimos meses, sobretudo em Araruama, a corporação conseguiu ter índices abaixo da meta estipulada internamente pelo batalhão. Contudo, ele reconhece que há muito o que fazer.

– A gente vem lutando com todas as forças, mas sabemos que isso também envolve fatores sociais e econômicos. A luta é constante – comentou o comandante.

Para a nova presidente do Conselho Comunitária de Segurança (CCS) de Cabo Frio, Conceição Barbosa, as razões para o aumento da criminalidade são variadas.

– Os policiais não têm condições adequadas de trabalho, com viaturas sucateadas. Muitos policiais ainda não receberam o 13º salário do ano passado. Fora os bandidos usarem armas mais potentes – disse Conceição, que afirma querer tirar a visão de que o CCS é um mero ‘X9’ (alcaguete) da polícia.

Atlas – A escalada da criminalidade em Cabo Frio e Araruama ficou explícita no Atlas da Violência 2017, publicado em junho pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O estudo foi feito com dados dos serviços de saúde.
Entre 2005 e 2015, Cabo Frio registrou um ín­dice de 50,4 homicídios para um grupo de 100 mil habitantes, enquanto o município vizinho teve 53,7 homicídios para um grupo de 100 mil habitantes. Ambas só ficaram atrás das cidades de Queimados e Itaguaí, na Baixada Fluminense, onde há um histórico de grande violência.

Esta semana, foi divulgado também o Anuário de Segurança Pública, também organizado pelo FBSP. Neste caso, não foi feito levantamento por municípios, mas apenas para os estados da federação. O Rio de Janeiro teve um aumento de 24% no número de mortes violentas entre 2015 e 2016.