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PERIGO SOB O MESMO TETO

Estupros de vulnerável assustam em Arraial e delegada alerta: "maioria dos abusadores é da família"

Titular da 132ª DP, Patrícia Aguiar pede que testemunhas denunciem quando desconfiarem de mudanças repentinas no comportamento do menor

07 fevereiro 2021 - 14h41Por Rodrigo Branco

A delegacia de Arraial registrou 12 ocorrências de estupro de vulnerável desde maio do ano passado. Somente nos últimos 40 dias, vieram à público três casos noticiados pela imprensa, sendo que um deles especialmente chocou a população cabista: o de uma mulher abusada sexualmente por mais de duas décadas. Os crimes ocorriam desde quando a vítima tinha 12 anos de idade. A partir de então, era passou a ser mantida em cárcere privado e sofria uma rotina de agressões e ameaças.

Em outro caso noticiado recentemente, dois menores, de seis e 11 anos, foram sistematicamente abusados ao longo de um período de seis anos.  Em todas as ocorrências, os algozes foram presos pela equipe da delegada Patrícia Aguiar, titular da 132ª DP desde abril de 2020. A policial explica que o estupro de vulnerável é um crime ‘silencioso’ e que, na maioria dos casos, os abusadores de crianças e adolescentes são pessoas do convívio familiar, como pais, avôs e padrastos.

Segundo a delegada, é preciso denunciar às autoridades, em caso de mudança de comportamento das crianças. 

– A gente clama para que a sociedade cabista denuncie. Que fale: “Olha, tem uma coisa estranha, essa criança chora toda noite, está com um comportamento diferente”. Qualquer coisa que mude o padrão, que chame a atenção, é para denunciar. Acredito que tem que ser dada voz à vítima. Jamais pode pensar que isso é uma coisa que a criança está inventando, que a criança está querendo chamar a atenção. Mesmo que seja, só depois de toda a investigação e, em última análise, se observe que aquilo foi fruto da imaginação, que se leve a criança para o psicólogo, porque vai salvá-la de algum tipo de problema. Infelizmente, desses 12 casos, nenhum deles foi fruto da imaginação da criança – explicou.

Com a chegada da delegada à unidade policial, as investigações dos casos de violência doméstica também ganharam novo impulso. O problema não é novo. Segundo dados da delegacia, com cerca de 30 mil habitantes, Arraial registra um crime contra mulher a cada três dias. O que mudou foi a abordagem, a partir da criação do projeto As Guardiãs, que se estende ao acolhimento e à investigação dos abusos sofridos por todas as vítimas vulneráveis. 

Em novembro, o trabalho ganhou corpo, com a implantação do Núcleo de Atendimento à Mulher (Nuam) na delegacia cabista, com o objetivo de garantir o atendimento humanizado para quem sofreu violência física e sexual. Desde abril, a equipe investigou 103 casos referentes à Lei Maria da Penha. Ao todo, 53 pessoas foram presas e indiciadas [denunciadas pelo Ministério Público] por violência contra a mulher.

A delegada comenta que apesar de não ter havido uma redução no número de casos de Lei Maria da Penha, muitas mulheres tomaram coragem e denunciaram seus agressores por passarem a confiar no trabalho da Polícia Civil. Ela observa, no entanto, que a equipe está pronta, mesmo que a vítima hesite em denunciar o parceiro.

– O trabalho das Guardiãs vai no sentido de entender que aquela pessoa que procura está dentro de um ciclo de violência. E dentro de um ciclo de violência, é normal que ela tome coragem, se arrependa, e tenha coragem novamente. Então, quantas vezes ela vier à delegacia, ela será atendida. Independentemente de, naquele momento, a gente entender que ela está arrependida de ter feito a denúncia, porque está dentro do ciclo de violência. Muitas vezes, quem põe comida dentro de casa é o homem. Ela pensa que se denunciar o homem, ele vai ser preso, e que não vai conseguir sustentar os filhos. Então tem todo um trabalho de empoderamento com essa mulher, para mostrar que ela não merece isso, que merece uma vida digna e ser feliz. Ela merece tocar a sua vida. Tivemos casos de a iniciativa privada procurar essa vítima para oferecer emprego. Só de ser esse canal, já ficamos bastante lisonjeados, de ajudar a restabelecer a vida dela e a se livrar do trauma desse agressor – relata Patrícia Aguiar.

 A delegacia de Arraial do Cabo tem um canal de WhatsApp para denúncias, cujo número é (22) 98113-6585. Além disso, há o Disque Denúncia (2253-1177), que encaminhará as informações por e-mail para a delegacia. O anonimato é garantido, inclusive para as testemunhas, que muitas vezes preferem não se envolver na situação.

– É preciso mudar essa cultura de que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher.

Crescimento do tráfico é preocupação

De abril de 2020 até hoje, 127 pessoas foram presas pelos policiais da 132ª DP e, na conta da delegada Patrícia Aguiar, a maior parte dessas prisões é decorrente do tráfico de drogas. A briga entre facções traz horror a uma cidade,outrora conhecido pela tranquilidade. A disputa pelo comércio ilegal de entorpecentes tem relação direta outro tipo de crime: o homicídio. 

No fim de setembro do ano passado, por exemplo, um traficante foi morto por desavenças com um integrante de quadrilha rival, na Prainha, que estava lotada. O tiroteio provocou pânico e correria entre os banhistas. O suspeito do crime foi preso. 

A delegada explica que a criação de uma nova estrutura na DP ajudou na resolução dos crimes.

– Estamos de olho. Criamos aqui o Núcleo de Investigação de Homicídio, que tem por princípio básico atuar no momento em que o fato está ocorrendo. Tivemos a disponibilidade dos policiais para percorrer atrás de câmeras de segurança, ouvindo testemunhas e conseguimos elucidar todos os homicídios que ocorreram na nossa gestão. Isso foi dedicação dos policiais aqui da 132ª DP. Esse momento inicial [logo após ocorrer o crime] é muito importante. Esse Núcleo foi criado e conseguimos corroborar com as provas e prender as pessoas envolvidas nesse tipo de crime – finaliza.

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