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PM

Crise econômica atinge batalhões e a rotina é de caos na PM

Coletes e munições vencidos, gasolina racionada e salários atrasados

25 junho 2016 - 09h45
Crise econômica atinge batalhões e a rotina é de caos na PM

Coletes vencidos, munições duvidosas, gasolina racionada, comida escassa, viaturas sem manutenção e benefícios atrasados. Esta é a rotina nos batalhões de polícia do estado do Rio, por conta da crise econômica que colocou o estado na penúria. Os relatos dos policiais que se sentem ameaçados e desmotivados denunciam um quadro de caos, insegurança e guerra. Não bastasse isso, o número de PMs mortos só este ano chega a 47.

– Estamos enxugando gelo, literalmente. Sendo caçados pelos meliantes, sem nenhum apoio ou reconhecimento da instituição e nem do Estado. As leis e direitos humanos só favorecem vagabundos. Respondemos a um código administrativo arcaico e ainda respondemos ao judiciário. Desmotiva qualquer um em sã consciência. Como arriscar a vida por um cidadão nestas condições? É essa pergunta que minha família me questiona diariamente – desabafa um policial, que prefere não se identificar.

O relato ganha eco em outros batalhões. O medo e a insatisfação são comuns a todos. Um dos ouvidos pela reportagem denuncia, por exemplo, que as condições de trabalho são tão precárias que, muitas vezes, falta combustível para as viaturas.

– Estamos com combustível racionado em apenas 20 litros por dia – denuncia outro policial, afirmando ainda que a comida também está racionada, que faltam materiais de escritório e que a “tropa está totalmente desmotivada e desacreditada”. 

Outro PM afirma que nem todos os policiais do 25°BPM.

– Falta alimentação. Faltam munições. Há coletes vencidos. A validade dos coletes que a Polícia Militar compra é de cinco anos. Grande parte deles está vencida. E, dentro da validade, não tem para todos. Alguns policiais ficam sem. A ordem é não pegar os vencidos. Alguns têm colete próprio e outros ficam sem colete mesmo. É um risco.

Munições também têm o mesmo problema de validade, como relata mais um policial:

– Nossa região não tem índice tão alto de conflitos como a capital. Então, não chegamos a sentir isso diretamente. Agora, em relação à eficácia da munição e manutenção de armamentos, não posso assegurar. A munição tem uma validade de aproximadamente seis meses, que é assegurada pelo fabricante. Após esse período, deve ser trocada. Não quer dizer necessariamente que ela se torne inoperante. Porém, falhas podem ocorrer. E, em nossa profissão, a falha de uma munição é algo preocupante. Pode custar a nossa vida, a vida de um companheiro ou mesmo a de um cidadão de bem. Tenho quase certeza que as munições já têm no mínimo dois anos – relata.

 

*Leia a matéria completa na edição impressa da Folha dos Lagos deste fim de semana.