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Comandante da PM: "Se tivéssemos mais meios, poderíamos produzir mais"

Em entrevista exclusiva, tenente-coronel André Henrique Oliveira fala do combate ao crime na região

04 agosto 2016 - 09h06Por Texto e foto: Fernanda Carriço
Comandante da PM: "Se tivéssemos mais meios, poderíamos produzir mais"

Em diversos pontos da entrevista, o comandante André Henrique destacou o comprometimento da tropa

Sete meses depois de ter assumido o comando do 25º Batalhão, o de Cabo Frio, o coronel André Henrique Oliveira afirma que, ao contrário do que se pensa, a polícia e a sociedade não estão perdendo a guerra contra o tráfico de drogas. “Quantas mortes não foram evitadas?”, questiona, a respeito do número de apreensão de armas, que considera alto. Em suma, André Henrique vê como positivo o trabalho desempenhado pela Polícia Militar, mesmo com insumos insuficientes e cem policiais a menos no efetivo em relação ao ano passado.

Folha dos Lagos – Qual o planejamento do Batalhão para o período olímpico?
Coronel André Henrique –
Não teremos evento olímpico, entretanto, cai nas férias escolares, então a região deve receber um grande público. O comando geral vai nos enviar oitenta policiais a mais neste período.

Folha – Qual o efetivo atual do 25º Batalhão?
André Henrique –
800.

Folha – Em sete cidades, 800 policiais. Esse efetivo é suficiente, comandante?
André Henrique –
A escassez de recursos é geral no Estado: falta médico, professor, policial... Mas o que eu tenho a dizer é que nossa tropa é muito valorosa, aguerrida. O batalhão que mais prende no Estado do Rio de Janeiro é o nosso. Por um lado, é motivo de comemoração, mas por outro é motivo de tristeza, porque tem muitos marginais aqui na região, praticando roubo, traficando drogas. Se esses estivessem nas ruas, quanto mal não iriam fazer? Só em termos de armas de fogo, foram 184 de janeiro a junho, só na minha gestão. Quantas mortes não foram evitadas? A gente teve mais de mil presos, se você somar o número de maiores e menores, é um número expressivo de prisões. E apesar de a gente não ter cumprido as metas operacionais, o Estado como um todo Carriçonão cumpriu, alguns indicadores no vermelho, mas não ultrapassamos em muito. O Estado ultrapassou em 40% e o batalhão em até 6%. O volume de prisões está muito grande, mas tendo em vista a crise econômica e outros fatores, a gente tem tido algumas dificuldades.

Folha – Você acha que a gente está perdendo essa guerra?
André Henrique –
Não acho que a gente esteja perdendo a guerra. Eu acho o seguinte: outros atores, a começar pela família, têm que entrar nessa guerra, principalmente com relação ao uso de drogas. Quando alguém me liga para dizer que estão usando drogas na praça, esses usuários são familiares e conhecidos de alguém, alguém que deixou de conversar com seu filho. Aí começam as falhas: família, escola, igreja. Temos feito parcerias com as igrejas. Naquele episódio da guerra do Valão [no Jardim Esperança], elas foram fundamentais. A polícia tem feito seu papel, vem batalhando e ganhando, mas a questão das drogas é pano de fundo para vários delitos, inclusive roubos de rua e tudo o mais. A gente debate isso também pela questão do próprio simulacro: uma arma de brinquedo, antes de praticar o roubo, não é crime. Você pega o camarada, leva para a delegacia, faz o registro, mas aquele camarada é solto.

Folha – A legislação e o código penal precisam revistos?
André Henrique –
Aqui, foram umas 30 pessoas pegas com simulacros nas ruas, que iriam praticar roubo. A prevenção funcionou, a gente conseguiu deter o marginal antes de praticar o roubo. Mas a lei tem que ser repensada. A reincidência é muito alta. Tem um número de pessoas que você prende e depois de dois meses volta. Então, a gente tem também que pensar a ressocialização do infrator. A ideia é essa: é ressocializar.
Folha – O 190 continua sem funcionar, comandante?

(*) Confira a entrevista completa na edição impressa desta quinta-feira.