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Cadu Playboy: 'Nunca matei ninguém. Meu lance é estudar'

Folha tem acesso a vídeo de conversa entre apontado como chefe do tráfico na região e delegada Flávia Monteiro

13 novembro 2014 - 10h42Por Rosana Rodrigues
Cadu Playboy: 'Nunca matei ninguém. Meu lance é estudar'
Depois de ser preso no Morro do Juramento, na Zona Norte do Rio, na última sexta-feira, Carlos Eduardo da Rocha Freire, conhecido como Cadu Playboy, falou com a delegada da 126ª DP, Flávia Monteiro, na sede da Polícia Federal. A Folha teve acesso com exclusividade ao vídeo da conversa, que está no site do jornal (www.folhadoslagos.com). Cadu Playboy é apontado como um dos mais importantes chefes do tráfico da Região dos Lagos  –  de acordo com as investigações, ele era o homem por trás dos pontos de vendas de drogas na comunidade Manoel Corrêa. 
–  Meu lance agora é estudar e viver para a minha família – dis-se Cadu, que foi preso em flagrante ao lado de João Paulo Fir-miano Mendes da Silva, conhecido como ‘Russão da Mangueira’ (com eles foram encontrados R$ 350 mil, duas granadas, um tablete de maconha, ecstasy e três pistolas). 
Cadu estava foragido da Justiça. Contra ele havia mandado de prisão expedido por homicídio qualificado pela morte do  se-gurança Harold Peterson Siquei-ra Pinto, 31, no dia 5 de maio, no Jacaré. Cadu nega. “Eu nem sei. Eu juro pela minha vida. Eu não matei esse garoto”, garante.
Mas para a delegada titular da 126ª DP, Cadu se contradisse.
– Ora diz que é estudante, ora diz que o sistema o impede de sair do crime – analisa Flávia.
Leia abaixo a transcrição da conversa entre eles.
Delegada Flávia Monteiro – Você que comanda o tráfico de Cabo Frio? Qual é a sua parada?
Cadu Playboy – Minha pa-rada é a seguinte: já tive meus problemas, fui preso, saí.  A gente vai tentando, vai tentando viver uma  vida, sendo que o sistema não deixa, a polícia não deixa. Agora eu estava vivendo uma vida normal. Eu estava estudando, trabalhando.
Delegada Flávia Monteiro – Estava estudando o quê?
Cadu Playboy – Estava estudando arquitetura. Tava tentando viver. Só que não é fácil. A partir do momento que tu entra, depois para sair não é assim: ‘ah, vou sair e pronto’. Não é. Eu ten-tei. Infelizmente não consegui. Agora falar que matei uma pessoa que não matei ou pagar por um crime que não fiz é injustiça. Pagar por um crime que fiz, tudo bem. Acho que todo muno tem que pagar pelo que fez. Agora, imagine uma pessoa pagar por tirar a vida de outra pessoa e não ter feito nada?
Delegada Flávia Monteiro – Você nunca matou ninguém? O seu lance é só tráfico de drogas?
Cadu Playboy – Nunca matei ninguém. Meu lance agora não é nada. Meu lance agora é estudar e viver para a minha família. 
Delegada Flávia Monteiro – Mas você foi pego com drogas e com arma.
Cadu Playboy – Agora?
Delegada Flávia Monteiro – Sim, hoje.
Cadu Playboy – Não, olha o que acontece. Quando eu soube do mandado, eu (pensei): ‘pô, o que que eu vou fazer? Para onde que eu vou? A polícia tá atrás de mim’. Começou a acontecer um montão de coisa. Um monte de coisa na minha cabeça... O que eu vou fazer? Tenho que me esconder e ver o que eu vou fazer. Aí fui para um lugar onde eu poderia me esconder. 
Delegada Flávia Monteiro – Você estava morando na Barra da Tijuca, certo?
Cadu Playboy – Isso, isso.
Delegada Flávia Monteiro – Tanto que quando minha equipe chegou lá você tinha recém-saído da Barra.
Cadu Playboy – Sim, eu estava morando ‘normal’. Tanto que tinha informado meu endereço à Justiça. E não fugia da Justiça de nada. Se me chamasse para alguma coisa eu ia lá e ia me apresentar. Só que criei uma fama. E quando você cria uma fama você fica com as costas largas. Tudo o que acontece é mais fácil de jogar na conta daquele ali, né. Porque a sociedade quer resposta da polícia e a polícia tem que dar uma resposta para a sociedade. Aí, não conseguem ver, essa é a verdade. O que é o mais fácil? ‘Pô, joga na conta do Cadu’. 
Delegada Flávia Monteiro  – E o que você tem a dizer sobre a morte do Herald?
Cadu Playboy – Eu nem sei. Eu juro pela minha vida. Eu não matei esse garoto. Eu tinha acabado de sair... Eu soube dessa si-tuação. Me falaram que um policial disse que me viu. O que eu fiz? Eu fui no segurança do meu prédio, eu pedi a filmagem lá de casa. Inclusive eu tenho até essa filmagem do dia que aconteceu isso. Só que aconteceu um monte de coisa em três dias da minha vida. E eu saí desesperado, mas eu tenho essa filmagem.