Assine Já
quarta, 30 de setembro de 2020
Região dos Lagos
28ºmax
19ºmin
Mercado Tropical
Mercado Tropical Mobile
TEMPO REAL Confirmados: 8438 Óbitos: 437
Confirmados Óbitos
Araruama 1675 103
Armação dos Búzios 500 10
Arraial do Cabo 256 15
Cabo Frio 2775 149
Iguaba Grande 699 37
São Pedro da Aldeia 1353 54
Saquarema 1180 69
Últimas notícias sobre a COVID-19
cadu

Cadu Playboy: 'Nunca matei ninguém. Meu lance é estudar'

Folha tem acesso a vídeo de conversa entre apontado como chefe do tráfico na região e delegada Flávia Monteiro

13 novembro 2014 - 10h42Por Rosana Rodrigues
Cadu Playboy: 'Nunca matei ninguém. Meu lance é estudar'
Depois de ser preso no Morro do Juramento, na Zona Norte do Rio, na última sexta-feira, Carlos Eduardo da Rocha Freire, conhecido como Cadu Playboy, falou com a delegada da 126ª DP, Flávia Monteiro, na sede da Polícia Federal. A Folha teve acesso com exclusividade ao vídeo da conversa, que está no site do jornal (www.folhadoslagos.com). Cadu Playboy é apontado como um dos mais importantes chefes do tráfico da Região dos Lagos  –  de acordo com as investigações, ele era o homem por trás dos pontos de vendas de drogas na comunidade Manoel Corrêa. 
–  Meu lance agora é estudar e viver para a minha família – dis-se Cadu, que foi preso em flagrante ao lado de João Paulo Fir-miano Mendes da Silva, conhecido como ‘Russão da Mangueira’ (com eles foram encontrados R$ 350 mil, duas granadas, um tablete de maconha, ecstasy e três pistolas). 
Cadu estava foragido da Justiça. Contra ele havia mandado de prisão expedido por homicídio qualificado pela morte do  se-gurança Harold Peterson Siquei-ra Pinto, 31, no dia 5 de maio, no Jacaré. Cadu nega. “Eu nem sei. Eu juro pela minha vida. Eu não matei esse garoto”, garante.
Mas para a delegada titular da 126ª DP, Cadu se contradisse.
– Ora diz que é estudante, ora diz que o sistema o impede de sair do crime – analisa Flávia.
Leia abaixo a transcrição da conversa entre eles.
Delegada Flávia Monteiro – Você que comanda o tráfico de Cabo Frio? Qual é a sua parada?
Cadu Playboy – Minha pa-rada é a seguinte: já tive meus problemas, fui preso, saí.  A gente vai tentando, vai tentando viver uma  vida, sendo que o sistema não deixa, a polícia não deixa. Agora eu estava vivendo uma vida normal. Eu estava estudando, trabalhando.
Delegada Flávia Monteiro – Estava estudando o quê?
Cadu Playboy – Estava estudando arquitetura. Tava tentando viver. Só que não é fácil. A partir do momento que tu entra, depois para sair não é assim: ‘ah, vou sair e pronto’. Não é. Eu ten-tei. Infelizmente não consegui. Agora falar que matei uma pessoa que não matei ou pagar por um crime que não fiz é injustiça. Pagar por um crime que fiz, tudo bem. Acho que todo muno tem que pagar pelo que fez. Agora, imagine uma pessoa pagar por tirar a vida de outra pessoa e não ter feito nada?
Delegada Flávia Monteiro – Você nunca matou ninguém? O seu lance é só tráfico de drogas?
Cadu Playboy – Nunca matei ninguém. Meu lance agora não é nada. Meu lance agora é estudar e viver para a minha família. 
Delegada Flávia Monteiro – Mas você foi pego com drogas e com arma.
Cadu Playboy – Agora?
Delegada Flávia Monteiro – Sim, hoje.
Cadu Playboy – Não, olha o que acontece. Quando eu soube do mandado, eu (pensei): ‘pô, o que que eu vou fazer? Para onde que eu vou? A polícia tá atrás de mim’. Começou a acontecer um montão de coisa. Um monte de coisa na minha cabeça... O que eu vou fazer? Tenho que me esconder e ver o que eu vou fazer. Aí fui para um lugar onde eu poderia me esconder. 
Delegada Flávia Monteiro – Você estava morando na Barra da Tijuca, certo?
Cadu Playboy – Isso, isso.
Delegada Flávia Monteiro – Tanto que quando minha equipe chegou lá você tinha recém-saído da Barra.
Cadu Playboy – Sim, eu estava morando ‘normal’. Tanto que tinha informado meu endereço à Justiça. E não fugia da Justiça de nada. Se me chamasse para alguma coisa eu ia lá e ia me apresentar. Só que criei uma fama. E quando você cria uma fama você fica com as costas largas. Tudo o que acontece é mais fácil de jogar na conta daquele ali, né. Porque a sociedade quer resposta da polícia e a polícia tem que dar uma resposta para a sociedade. Aí, não conseguem ver, essa é a verdade. O que é o mais fácil? ‘Pô, joga na conta do Cadu’. 
Delegada Flávia Monteiro  – E o que você tem a dizer sobre a morte do Herald?
Cadu Playboy – Eu nem sei. Eu juro pela minha vida. Eu não matei esse garoto. Eu tinha acabado de sair... Eu soube dessa si-tuação. Me falaram que um policial disse que me viu. O que eu fiz? Eu fui no segurança do meu prédio, eu pedi a filmagem lá de casa. Inclusive eu tenho até essa filmagem do dia que aconteceu isso. Só que aconteceu um monte de coisa em três dias da minha vida. E eu saí desesperado, mas eu tenho essa filmagem.