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Cabo Frio no fundo do poço: Taz Mureb é detida

Rapper e mais cinco ativistas são levadas para a DP em ação truculenta da Polícia Militar

19 agosto 2015 - 08h04

GABRIEL TINOCO, RODRIGO BRANCO E NICIA CARVALHO

 

            

A rapper Taz Mureb e mais cinco manifestantes foram pre­sos e agredidos na manhã de ontem na Praça Tiradentes, em frente à prefeitura de Cabo Frio, onde acampavam há 13 dias em protesto contra o não pagamento do Proedi (Programa Municipal de Editais de Fomento e Difusão Cultural). O pivô da confusão foi a utilização de uma piscina de plástico com uma placa onde estava escrito: “Riala, só voltou à ativa quando o prefeito voltou”.

Fiscais da Postura e guardas municipais foram mobilizados para cumprir ordem para retirar a piscina, mas, a partir daí, o clima ficou tenso, com discussões aca­loradas. Sem acordo, foi solicita­da a presença da Polícia Militar, que enviou cinco viaturas. Líder do movimento, Taz Mureb conti­nuou resistindo, mas o desfecho não foi nada agradável. Os PMs utilizaram da força bruta, mesmo com a rapper já rendida. Ao ser imobilizada, eis o diálogo:

– Não me encosta, me algema, mas não me encosta – gritava ela, numa demonstração de que não oferecia qualquer resistên­cia. Mesmo assim, recebeu um jato de spray de pimenta no ros­to: “Olha isso! Spray de pimenta na minha cara”, protestava (o ví­deo pode ser conferido no Face­book da Folha dos Lagos).

Um policial não identifica­do fez o seguinte o comentário: “Agora ela vai ficar calminha”.

A cantora foi levada para a UPA do Parque Burle, onde foi medicada e, em seguida, levada à 126ª DP (Cabo Frio) para pres­tar depoimento.

Taz Mureb prestou depoimen­to acompanhada pela família e por um advogado. Ela apresen­tava pele avermelhada e com a voz em tom alterado.

Depois, em sua página pes­soal no Facebook, Taz Mureb desabafou e disse que foi mal­tratada dentro da delegacia. “Jo­garam spray de pimenta no meu rosto. Tive duas convulsões e os policiais ficaram rindo da minha cara”, contou ela, na postagem.

Ao falar com a Folha a delega­da adotou postura cautelosa, mas disse que Taz “estava visivelmen­te alterada” e que “o uso de for­ça moderada pode ser necessária numa operação policial”.

– A Taz vai assinar um termo circunstancial, será autuada por desacato e vai ser liberada – de­clarou a titular da delegacia.

Além de Taz Mureb, mais cin­co manifestantes foram levados para a delegacia: Thiago Ayrton (conhecido como Kaykky Lima), Diogo Rodrigues, Otávio Au­gusto (o Feijão), Jordy Lorran e Paulo Henrique. Eles chegaram por volta das 12h e cinco deles só saíram por volta das 18h. Diogo ficou por mais tempo e só foi li­berado pouco depois das 19h30.Após ser liberada, Taz foi ao 25º BPM (Cabo Frio) prestar queixa contra os policiais militares.

A professora Maria do Rosá­rio Mureb, a Zarinho Mureb, tia de Taz, ficou indignada com o episódio, informando ainda que o telefone da sobrinha teria fica­do apreendido na delegacia.

– A Taz não é bandida e não estava armada. A gente lutou muito para acabar com a Ditadu­ra para, hoje, policiais jogarem spray de pimenta na cara de uma moça. É um movimento legíti­mo. Uma manifestação cultural pacífica – reclamou.

O presidente da subseção de Cabo Frio da Ordem dos Advo­gados do Brasil (OAB), Einse­nhower Dias Mariano, ao ver o vídeo do momento da prisão de Taz Mureb, considerou a ação da polícia “um absurdo”: “Con­vocarei a comissão de direitos humanos para uma visita para a delegacia”, afirmou ele.

 

Diogo Rodrigues: “fui agredido por um policial dentro da delegacia”

 

Não bastasse a ação truculen­ta da PM no momento da prisão dos ativistas, ainda no centro da cidade, os seis artistas que foram parar na 126ª DP (Cabo Frio) re­clamaram do tratamento recebi­do lá. O mais incisivo nas crí­ticas foi Diogo Rodrigues, que vende poesia na rua. Ele afirma que foi espancado por um poli­cial civil dentro da delegacia.

– Quando a gente foi detido eu estava nu, junto com os outros. Aí eu falei para o único menor que estava lá na delegacia: “sai daqui, você não precisa prestar depoimento”. Neste momento, um policial civil montou em cima de mim, irritado, e come­çou a chutar as minhas costas. Ele também deu socos. Aí ele perguntou o que eu estava fazen­do ali e eu dei a resposta óbvia: “apanhando” – contou Diogo, na porta da delegacia, após ser libe­rado, enquanto exibia as marcas da agressão. Segundo ele, foram necessários cinco policiais mili­tares para conter o agressor.

Taz Mureb e Diogo Rodrigues se abraçam na delegacia

 

A versão dele é confirmada pelo músico Otávio Augusto, o Feijão, que afirma ter presencia­do a cena de violência. “O cara estava transtornado, bateu nele e tacou o revólver no chão de raiva. Ele ainda disse: “eu sou trabalhador, estou acordado há 48 horas e não vou tolerar des­respeito. Eu te bato porque não vai acontecer nada”, contou ele.

A rapper Taz Mureb, por sua vez, disse que houve negligência em relação ao seu estado de saú­de, após ter recebido um jato de spray de pimenta no rosto.

– Tomei uma ducha na solitá­ria junto com um preso homem, que estava de costas. Meu olho estava em carne viva. Eles fa­lavam: “Ninguém nunca morreu com spray de pi­menta” – relatou.

A Folha buscou explicações com o responsável por co­lher os depoimen­tos, mas este afirmou que só a delegada Flávia Monteiro po­deria responder pelo caso. Ela, no en­tanto, estava em uma reunião e não pôde falar.