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Polícia

Aluna denuncia supervisora do Senac Cabo Frio por crime de homofobia

Em boletim de ocorrência, Mariana diz que a instituição ignorou as denúncia que ela fez contra a funcionária que teria se referido a ela como "sapatão"

27 julho 2023 - 09h28Por Redação
Aluna denuncia supervisora do Senac Cabo Frio por crime de homofobia

Matéria atualizada às 16h40

Uma fotógrafa de São Pedro da Aldeia identificada como Mariana registrou, nesta terça-feira (25), um boletim de ocorrência por crime de homofobia contra uma supervisora de vendas de cursos do Senac Cabo Frio. O fato teria acontecido no mês de maio, dentro da instituição, localizada no Centro de Cabo Frio, e sido presenciado por uma outra funcionária da escola de cursos profissionalizantes. O caso foi registrado na Delegacia de São Pedro da Aldeia.

De acordo com o boletim de ocorrência que a Folha teve acesso, Mariana relatou que em maio comprou um curso na área de beleza e, como forma de agradecimento pelo bom atendimento, decidiu presentear a funcionária que a atendeu enviando uma flor e um cartão com dizeres motivacionais.

– Quando o presente chegou, eu não estava lá, mas soube que supervisora de vendas pegou o cartão, que não era pra ela, abriu, leu o que eu havia escrito para a funcionária que havia me atendido e falou que minha intenção não era agradecer pelo bom atendimento, mas sim “comer” a funcionária dela porque eu tinha cara de sapatão, constrangendo não só a mim, que era aluna do Senac, mas também a funcionária que havia me atendido com muita educação e respeito – contou a vítima à Folha.

Ainda no boletim de ocorrência, a aluna conta que, após esse comentário homofóbico da supervisora de vendas do Senac, “passou a notar olhares estranhos de outros funcionários durante as aulas”, mas não entendia o motivo, até que no fim da tarde do último dia 13 de julho encontrou com a funcionária que a atendia.

– Ela estava na Praça Porto Rocha (Centro de Cabo Frio), e como eu já a conhecia do Senac, me aproximei e puxei conversa. Notei que ela estava triste e perguntei o que havia acontecido. Ela respondeu que havia acabado de ser demitida, e acabou me contando tudo o que aconteceu em maio, sobre ela ter recebido meu presente, sobre a supervisora ter pego o cartão, lido, e feito o comentário homofóbico - contou a fotógrafa.

Na delegacia, Mariana contou que após tomar conhecimento do constrangimento que passou pelos comentários da supervisora de vendas do Senac, por diversas vezes registrou ocorrências na Ouvidoria da instituição mas nunca teve retorno. Por este motivo, resolveu registrar ocorrência por crime de homofobia contra a supervisora e o Senac Cabo Frio.

– Me sinto tão constrangida com essa situação que nem consigo ir na instituição para buscar meu certificado de conclusão de curso - comentou a vítima, que agora aguarda convocação do Juizado Especial Criminal para dar andamento ao processo por crime de homofobia.

Em nota oficial enviada na tarde desta quinta-feira (27), o Senac RJ respondeu à Folha que "refuta qualquer manifestação de preconceito e, sobre o caso, a instituição abriu uma sindicância interna".