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Ação

Ação na Ogiva cria atrito entre comandante e manifestantes

André Henrique é chamado de ‘autoritário’ por mulheres de PMs

13 fevereiro 2017 - 19h50
Ação na Ogiva cria atrito entre comandante e manifestantes

Acusado por manifestantes de ter sido autoritário e desrespeitoso com dois policiais e com o protesto das mulheres dos PMs no fim de semana, o comandante do 25º BPM (Cabo Frio), André Henrique de Oliveira, se recusou a fazer uma retratação com as esposas dos policiais que ocupam a frente do batalhão desde a noite de quinta. A confusão aconteceu porque o comandante ordenou que dois policiais pulassem o bloqueio feito no DPO da Ogiva, em Cabo Frio, para atender uma ocorrência de duplo homicídio em Arraial do Cabo (leia no box ao lado). Um vídeo publicado no Facebook da Folha dos Lagos mostra o momento em que André Henrique dá tapas nas costas e empurra os dois agentes para a fora do DPO gritando “estão pensando que é brincadeira?, tem gente morrendo!”.


No rescaldo do incidente, o 25º Batalhão publicou nota explicando que “a ação foi planejada e acordada entre os policiais, na intenção de não causar qualquer atrito com os manifestantes e conseguir, assim, apoiar os colegas que solicitaram o auxílio”.


Na manhã de ontem, o quarto dia da ocupação, as mulheres dos policiais disseram à Folha, que esteve no local, que esperavam a chegada do comandante para cobrar esclarecimentos. No entanto, à tarde, a reportagem do jornal entrou em contato com o comandante André Henrique, que se negou a responder sobre a retratação e desligou o telefone na cara do repórter.


Manifestantes desmentem PM

Enquanto a Polícia Militar garante que todo o contingente está nas ruas, as manifestantes dizem o contrário. O movimento, que agora tem nome – Musa (Mulheres de Sangue Azul) –, afirma que muitas viaturas não podem sair e que o patrulhamento em diversos locais está deficiente por toda Região dos Lagos.


De acordo com elas, a estratégia montada pela corporação de mandar as viaturas para outros postos de gasolina não funcionará mais. As manifestantes já fazem protestos para impedir o abastecimento.


– O dono do posto não vai querer muvuca na frente do trabalho dele. Então, é normal que não deixe os funcionários abastecerem as viaturas. Uma hora a gasolina irá acabar – conta uma delas, que, assim como todas as outras, não quis se identificar.


Na manhã de ontem, poucas mulheres acampavam em frente ao batalhão. Elas garantem que muitas foram ocupar outros pontos estratégicos.
– Ninguém conta por que aqui está com poucas mulheres. É porque outras foram para os DPOs ou protestar nos postos de gasolina. O comandante tem que falar que o patrulhamento está na rua, isso é óbvio. Mas não é bem a realidade – diz outra.