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Últimos protestos de Cabo Frio reescrevem a sina de uma cidade partida

30 maio 2014 - 14h21
Que a democracia se manifeste: alguém tem que fazer um protesto contra os últimos protestos em Cabo Frio. Sim, ir às ruas é legítimo, manifestar-se contra a insegurança é um dever cívico e lutar por direitos é mais do que necessário. Entretanto, as duas últimas manifestações reescrevem antiga sina cabofriense: a polarização entre dois grupos políticos antagônicos.
A primeira, no último dia 16, foi visivelmente domesticada pelo governo municipal e por um possível candidato a deputado federal. Já a de ontem (29), com muito menos adesão do que a anterior, tinha o objetivo de jogar na linha oposta, repetindo o raciocínio binário do ‘eles’ contra ‘nós’.
No final, perdem todos. É esquecido que segurança não é só questão de polícia. É, acima de tudo, resultado da ausência do estado na periferia, da escassez de políticas públicas e do uso do poder da máquina como massa de manobra. Portanto, é problema da prefeitura, sim – desta gestão e das anteriores. É problema da Câmara de Vereadores, sim – desta e das anteriores.  
Enquanto a Copa não vem, o que assistimos é um FlaxFlu, um BrasilxArgentina sem vencedor. Estes protestos estão muito distantes daqueles de junho do ano passado. São manifestações de uma Cabo Frio partida, ainda, entre Liras e Jagunços.