Assine Já
sexta, 17 de setembro de 2021
Região dos Lagos
22ºmax
19ºmin
TEMPO REAL Confirmados: 50688 Óbitos: 2057
Confirmados Óbitos
Araruama 12158 430
Armação dos Búzios 6182 64
Arraial do Cabo 1680 90
Cabo Frio 14015 822
Iguaba Grande 5355 134
São Pedro da Aldeia 6830 284
Saquarema 4468 233
Últimas notícias sobre a COVID-19
Turismo

Respeito ao turista

Termos pejorativos contra visitantes de Cabo Frio espalham-se como pólvora na alta temporada

06 janeiro 2017 - 14h38Por Rodrigo Cabral | foto: Reprodução TV
Respeito ao turista

Manhã de terça-feira ensolarada, num mercadinho da Passagem. Enquanto dirigia-se ao caixa, uma senhora dizia em alto e bom som, para quem quisesse ouvir: “É só chegar o verão para a cidade ser invadida por essa pretalhada”.

Comentários como esses, que revelam as profundezas mais abjetas do caráter humano, alastram-se como pólvora pelos quatro cantos de Cabo Frio em períodos de alta temporada. Não são, óbvio, a regra, descartando-se desde já qualquer tipo de generalização – afinal, se assim fosse, quem em sã consciência viria nos visitar? Mas nem de longe são a exceção. E por isso mesmo é necessário falar sobre o tema. Pois quem é que nunca ouviu por aí piadinhas infames sobre “duristas”, “farofeiros”, “povo da Baixada” e dezenas de outros termos pejorativos?

E isso, registre-se, sem nem entrar no mérito do mesmo tipo de comportamento dirigido a moradores que vêm de outros lugares – por exemplo, se o leitor vive na cidade há tempo razoável, certamente já ouviu a clássica “campista, nem fiado, nem à vista”. É de chorar.

Nunca foi cômico, mas, sim, trágico, sobretudo em uma cidade cuja vocação é o... turismo. Ao que parece, perdemos os royalties, mas não a soberba, a arrogância e o preconceito. Aqueles que se acham muito superiores por morar onde o turista passa as férias devem se imaginar pertencentes a uma casta de nobres iluminados, que jamais elegeria políticos cujo legado é o absoluto atraso. Devem se julgar guardiões de uma Saint-Tropez que nunca foi realidade; pelo contrário, no Centro, as expressões francesas que dão nome a edifícios residenciais são tão cafonas quanto a arquitetura que predominou na expansão imobiliária das últimas décadas.

Fala-se muito, até publicamente, em um tal “turista de qualidade” – um atestado de falta de qualidade intelectual. Pessoas não são melhores ou piores à luz de suas classes sociais. “Ah, mas o turista vem para vandalizar”, dizem. Aí, sim, uma generalização. Preconceito. Na situação que a cidade se encontra, deveríamos erguer os braços pelo fato de haver gente disposta a passar as férias por aqui. Apontam o dedo para os visitantes, ao passo em que o município não oferece o básico: qualidade na experiência turística. Nota-se a diferença? Enquanto isso não acontece, que ofereçamos o mínimo: respeito.

*Rodrigo Cabral - Diretor da Folha dos Lagos