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Alair: entre o vírus e a vacina

13 maio 2015 - 13h00

RODRIGO CABRAL

“Adivinha quem é o novo secretário de Saúde?”, perguntava o prefeito Alair Corrêa, em tom de mistério, já próximo ao fim da coletiva de imprensa realizada na Prefeitura, para anunciar ‘mudanças gerais e irrestritas’ na pasta. Diante do caos vivido nos hospitais, tema de inúmeras reportagens da Folha nas últimas semanas, o prefeito chamou a responsabilidade para si e, em resposta ao flagelo daqueles que se perguntam ‘quem poderá nos defender?’, ofereceu superpoderes dignos de um rei:  ‘Esse cara sou eu’.

Disso tudo se tira um diagnóstico inevitável: existe na prefeitura uma crise implacável cujo vírus é a falta de confiança. Ora, Alair já chamou seus secretários de molóides. E, em entrevista recente à Folha, admitiu que muitos dos seus subordinados podem não ser competentes, mas são bons companheiros. Mas Alair sabe que ser bom companheiro não basta, especialmente para a delicada cirurgia que deverá ser conduzida para tirar a Saúde da UTI. Por isso, decidiu: ele mesmo deve sentar na cadeira do molóide – quer dizer, do secretário. Esta é a quinta mudança que faz no comando da pasta.

Mas o vírus da falta de confiança se reproduz mais rápido que o da dengue. Se o prefeito não confia em seus subordinados, parte da população há muito deixou de confiar  na capacidade de gestão do prefeito para combater este momento difícil. Em enquete realizada pelo site da Folha, por exemplo, 82% dos participantes classificaram como péssimas as medidas anticrise adotadas por ele, enquanto que 9% responderam que são excelentes; e outros 9%, regulares. Números que se refletem em comentários nas ruas da cidade e nas redes sociais. 

Enquanto isso, na Câmara Municipal, que representa – ou deveria representar – esta mesma população, as medidas do prefeito foram recebidas por grande parte dos vereadores como ato de coragem e ousadia. São interpretações e interpretações. Mas, óbvio, vamos manter os pés no chão: desta Câmara não poderíamos esperar outra senão esta representação.

Se analisada com atenção, a estratégia de Alair mostra, ainda, que o controle das peças do xadrez foi perdido. Vejamos bem. Se ele não conseguir recuperar a situação da Saúde, sua imagem sairá desgastada. Se a outros setores começarem a entrar num colapso ainda pior – agora que, em outras palavras, o gabinete do prefeito ficará sob os cuidados do secretário de Governo, Toninho Corrêa, ex-diretor da Comsercaf –, sua imagem sairá desgastada da mesma maneira.

Em entrevista à Folha, publicada no dia 18 de abril, Alair disse que venceria a crise em três meses – assim sendo, a data em que poderia comemorar a vitória seria 16 de julho. Ao assumir a Saúde, voltou a dar prazos: garantiu que a pasta sairia da crise em novos três meses, esticando o promessômetro para 10 de agosto. 

Se, ainda com atraso, conseguir o feito, e torçamos para que sim, ótimo – e melhor para todos. Mas o Ministério da Saúde adverte que, contra o vírus da confiança, muito mais eficiente do que o antídoto de curto prazo de um ‘salvador da pátria’ é a vacina do planejamento a longo prazo. Mas a triste realidade é que a recomendação é tão seguida quanto as advertências dos maços de cigarro. Reinar vicia.