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Lula abre Congresso de Diários do Interior 

Ex-presidente diz ter saudade dos microfones

14 maio 2014 - 11h23
Lula abre Congresso de Diários do Interior 
A cinco meses das eleições, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva engrossou as críticas contra o governo antecessor, reclamou da cobertura da grande imprensa e enalteceu os feitos do PT à frente do Governo Federal na palestra de abertura do II Congresso dos Diários do Interior, na noite de terça-feira (13), em Brasília. A Folha dos Lagos participa do encontro.
- Até 2012, a grande maioria da população estava condenada a ficar com as migalhas.  Falavam que era preciso esperar o país crescer para se distribuir a riqueza.  Mas nem o país crescia o necessário, nem se distribuía riqueza. Nós invertemos essa lógica perversa adotando um modelo de desenvolvimento social.
Admitindo saudade dos microfones, Lula falou por 22 minutos.   Ele não mencionou o nome da presidente Dilma Rousseff. "Vocês ainda não viram o discurso longo que preparei", avisou logo no início. Ao parar para beber água, mais descontração. "Quando eu era presidente, me davam um monte de copinhos de água. Agora, tenho que me virar como posso", brincou, ao pegar o único copo que tinha à disposição.
Foram momentos de bom humor em meio a um duro discurso. O ex-presidente lembrou, por exemplo, que o governo foi criticado quando começou a contemplar maior número de veículos do interior com publicidade institucional.
- Os grandes veículos acharam que era uma mudança desnecessária. Diziam que, para falar com o país, bastavam os veículos de circulação nacional e redes de rádio e TV. Hoje é fácil ver como estavam errados. Quando chegamos ao governo, a publicidade era veiculada em 249 rádios e jornais. Em 2009, o governo federal já estava anunciando em 4.692 rádios e jornais.
De acordo com a Associação dos Diários do Interior (ADI-BR), o Brasil tem 380 jornais impressos no interior - juntos, eles têm tiragem de 4 milhões de exemplares e 20 milhões de leitores. 
- No dia em que as pessoas aprenderem a importância da imprensa regional, teremos resolvido um dos problemas de comunicação no Brasil - disse Lula.
De outro lado, ele aumentou o tom ao falar sobre a cobertura dada pelos grandes jornais a políticas públicas do Governo  Federal.
- Quando o programa 'Luz Para Todos' chega numa periferia pobre, está melhorando a vida das pessoas. Mas, quando o programa superou expectativas e alcançou 15 milhões de brasileiros, um jornal deu na capa: 'um milhão de brasileiros ainda vivem sem luz'. Quando nasce um novo bairro da cidade construído pelo 'Minha Casa, Minha Vida', essa é uma notícia local muito importante, mas só sai nos grandes jornais se encontrarem goteira em alguma casa. Quando sua cidade recebe profissionais do 'Mais Médicos', você sabe o que isso representa para os que estavam desatendidos. Mas, quando 15 mil profissionais vão atender 50 milhões de pessoas no interior deste país, a imprensa nacional só fala daquela senhora que abandonou o programa por motivos políticos ou daquele médico acusado de errar uma receita.
Por fim, entretanto, Lula disse ser a favor da liberdade de imprensa.
- Vou continuar defendendo a imprensa. Sei que, mesmo quando erra, a imprensa livre é protagonista essencial de uma sociedade democrática.