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Zé Henrique: o pioneiro do escotismo em Arraial

Chefe de 85 anos relembra histórias e momentos proporcionados pelo movimento escotista

14 dezembro 2020 - 13h15Por Julian Viana

Sempre alerta” é a saudação. Servir à comunidade faz parte da essência de cada escoteiro. Esses são alguns dos valores que José Henrique, conhecido popularmente como Chefe Zé Henrique, tem ensinado ao longo de grande parte dos seus 85 anos. Nascido no bairro da Passagem, Zé chegou a Arraial do Cabo – na época, distrito de Cabo Frio – em 1958. Ele é considerado o pioneiro do escotismo em Arraial por ter implantado o movimento no município. Após décadas de dedicação à causa, Zé Henrique abre o baú de recordações para a Folha e relembra as histórias e os momentos memoráveis que o escotismo lhe proporcionou.

A trajetória de Zé Henrique no movimento mundialmente criado por Baden Powell no começo do século passado começou em 1962, quando outro líder escoteiro, Manoel Rocha, fundou no Clube Tamoyo um grupo denominado Cunhambebe. No ano seguinte, Rocha começou a pensar na possibilidade de criar um grupo no então quarto distrito de Cabo Frio, em Arraial do Cabo. Nesse momento, Zé foi convidado para implantar o movimento em terras cabistas.

O ‘velho chefe’ conta que foi escolhido por conta do envolvimento que tinha com as atividades que a Igreja Católica fazia com as crianças. Como já existia um grupo no Clube Tamoyo, a ideia foi criar outro núcleo de escoteiros para influenciar os mais jovens. Dos tempos de menino, na Passagem, ele relembra quando via grupos de escoteiros passarem por lá para acampar.

 – Quando recebi o convite do Rocha, me senti muito motivado. Ser escoteiro sempre foi um grande sonho. Morei muitos anos no Rio de Janeiro e quando voltei para a Região dos Lagos para servir ao Exército, a igreja na Tijuca, a qual eu frequentava, estava fundando um grupo de escoteiro. Como já estava saindo de lá para cá, não pude participar desta celebração. Minha maior vontade sempre foi ser escoteiro e me movimentar com isso – conta Zé Henrique, que aceitou prontamente o convite do colega. 

Na busca por um local para o grupo se reunir, Zé Henrique propôs iniciar as atividades no Clube Tupy, que de imediato aceitou a ideia. Na época, o presidente do clube tinha um filho que era escoteiro no Clube Tamoyo. Animado com a melhora no comportamento do filho após ingressar no escotismo, ele não pensou duas vezes e permitiu as reuniões nas dependências do clube. Em 25 de agosto de 1963, era fundado o grupo de escoteiros Guachará, em Arraial do Cabo. Inicialmente, o grupo era conhecido como Mar e Terra. Depois de um tempo, Zé Henrique optou por separar as tropas do Mar e da Terra e propôs ao comandante do Instituto de Pesquisa da Marinha a fundação de um grupo de Escoteiros do Mar. 

– Achei viável separar porque, na época, o almirante Paulo Moreira, fundador do Instituto de Pesquisa da Marinha, havia morrido. Em forma de homenagem, pensamos em separar as tropas, caso o Instituto aceitasse dar o apoio. A ideia foi abraçada e o grupo existe até hoje – conta. 

Pouco tempo depois de o movimento ter chegado a Arraial, foi fundada uma banda marcial com os escoteiros. Além da farda e do chapéu, os músicos se tornaram mais uma atração para despertar o interesse das crianças e adolescentes de participar do movimento. Para pertencer à banda, era necessário ser escoteiro. A Banda Marcial tinha aproximadamente 140 escoteiros e era sempre convidada para tocar em diversas ocasiões. 

– Já fomos tocar em São Pedro da Aldeia, Minas Gerais, Santo Antônio de Pádua, Juiz de Fora e por aí vai. Éramos convidados a tocar nos aniversários das cidades vizinhas também. A garotada Arraial passou a sair depois do escotismo – afirma o pioneiro, relembrando que até hoje mantém uma relação de amizade com o pessoal. 

Todo ano, Zé tem o seu registro renovado como chefe na União dos Escoteiros do Brasil, em Brasília. Ícone do movimento em toda a região, ele também ajudou a fundar grupos em outras cidades, como Saquarema, São Pedro da Aldeia e Iguaba Grande. 

Em 1999, o pioneiro teve a oportunidade de participar do Acampamento Mundial dos Escoteiros, o Jamboree, realizado em Santiago, no Chile. A área levou cinco anos para ser preparada por grupos dos Estados Unidos, Chile e Canadá. No evento, cerca de 40 mil escoteiros de todo mundo estavam reunidos. 



– Nós chegamos ao Chile na véspera de Natal. Passamos o Natal por lá. Foi bem diferente, mas divertido. Nossos acampamentos eram marcados pelas cantorias e pelo fogo do conselho. Foi a primeira viagem internacional que fiz. Nós nos juntamos com todo o estado do Rio de Janeiro para irmos para lá – relembra. 

Em outra ocasião, os escoteiros cabistas foram convidados pelo Grupo de Escoteiro da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, para prestar serviço em uma solenidade feita para o Papa João Paulo II, quando o Sumo Pontífice visitou o Brasil pela segunda vez, em 1997.

– Trabalhamos juntos. Prestamos serviço na solenidade do Papa tanto no Maracanã como na recepção de chegada, na Aeronáutica. 

Questionado sobre a importância do escotismo para o desenvolvimento do cidadão, Zé Henrique afirma todo treinamento é realizado para auxiliar na formação dos jovens.

– Quem é escoteiro aprende a se virar na vida e a sobreviver. As crianças e adolescentes ficam mais independentes. Inclusive, os pais gostavam de ter os filhos no escotismo porque as crianças passavam a ajudar mais em casa – conclui.
 

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