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Vai e vem na prefeitura tira buzianos do sério

Relatos ouvidos pela Folha mostram que serviços do governo municipal estão sendo prejudicados

25 maio 2019 - 09h07
Vai e vem na prefeitura tira buzianos do sério

TOMÁS BAGGIO
 

Ninguém aguenta mais. O vai e vem no comando da Prefeitura de Búzios está irritando os moradores de Búzios. Para eles, a constante troca de prefeitos está prejudicando os serviços públicos e a cidade já sente os impactos negativos.

Os relatos giram em torno da manutenção de ruas e estradas, coleta de lixo, varrição de ruas e problemas em escolas e unidades de saúde. De acordo como vendedor de coco Mário Adriano, “os serviços estão sendo feitos, mas não como antes”.

– Esse troca-troca é muito ruim para a cidade. O prefeito que estava antes fazia alguma coisa e o que está agora também está fazendo. Os serviços estão sendo feitos, mas não como antes. É só ver a situação aqui (orla Bardot, próximo ao pier). Se estivesse tudo perfeito, a praia não estaria assim. Logo aqui que é a chegada dos turistas. Acho que na próxima eleição é preciso escolher alguém que pode ficar até o fim, porque do jeito que está agora vem um juiz, tira, aí vem um desembargador e põe de volta. Isso não favorece ninguém e não temos com quem reclamar – disse ele.

Para a moradora de José Gonçalves Kátia Macedo, a cidade está precisando de uma “recauchutagem”.

– A coleta de lixo às vezes está demorando a ser feita e acaba juntando mosquitos em excesso. A gente está precisando de uma pessoa só (no comando da cidade) e que saiba fazer o negócio. É uma cidade de veraneio, que o pessoal vem de fora, e está precisando mesmo de uma recauchutagem, uma melhora geral – declarou ela.

Desde o último 13 a Prefeitura de Búzios está sob o comando do vice-prefeito, Henrique Gomes. Ele assumiu pela quinta vez a chefia do Executivo, todas elas por afastamentos promovidos pela Justiça do prefeito André Granado. 

Na última quinta-feira (23) o prefeito André Granado anunciou que tinha conseguido uma liminar para retornar ao cargo. Horas depois a Justiça deu uma nova decisão para Henrique Gomes continuar no cargo. A decisão do juiz Raphael Baddini atende a um pedido do Ministério Público Estadual (MP-RJ) para que André fosse definitivamente afastado da prefeitura, e cabe recurso. Para garantir que a sentença fosse cumprida, o juiz chegou a expedir um mandado de remoção de André Granado e seu grupo de assessores do prédio da Prefeitura. Os bastidores da Prefeitura dão conta de que a tentativa de André de reassumir o cargo causou confusão nas repartições públicas, pois os servidores não sabiam a quem estavam subordinados, até a Justiça tornar oficial que Henrique Gomes seguia no comando.

Servidores preferiram não comentar a situação ontem na Prefeitura. O prefeito em exercício Henrique Gomes também não quis dar entrevista. A Prefeitura divulgou uma nota confirmando que é ele o atual chefe do Poder Executivo “em cumprimento da determinação judicial emitida pela 2ª Vara da Comarca de Búzios”.

O morador Rafael Alves, que mora em José Gonçalves e trabalha em uma loja no Centro, conhece pessoas que trabalham na Prefeitura e tiveram mudanças em seus postos de trabalho a cada troca de prefeitos.

– Está muito estranho isso. Tenho amigos que trabalham na Prefeitura e estão nessa situação de vai e vem. Quando o prefeito entra, coloca a galera dele, aí o vice entra e coloca a galera dele. Então o cidadão não está sendo o principal, não está tendo a atenção necessária. O que vemos é a busca do poder pelo poder – opina ele.

 – A gente vai deitar e não sabe quem vai estar prefeito quando acordar no dia seguinte. A vergonha maior é porque a Justiça não toma uma posição definitiva – completa Idário Vieira, que trabalha em uma agência de turismo no Centro e reclama da diminuição no movimento de clientes.

Segundo a comerciante Erenita Alvarez do Amaral, o preço da incerteza política também está sendo cobrado nas escolas. Ela reclama da qualidade da merenda fornecida na Escola Municipal Darcy Ribeiro, que atende Ensino Médio, onde estuda a filha dela de 12 anos.

– A situação está precária. A limpeza está uns 70% e a educação também está precária. A alimentação para as crianças todo dia é repetida e falta ventilador. Quando tem é um ventilador em uma sala para 40 alunos. Além disso eu também sinto falta de lixeiras nas ruas. E os turistas reclamam muito da falta de banheiros públicos – faz a lista.

O marido dela, José Amaral, completa a lista com os alagamentos na região central, onde eles moram e trabalham, e também critica a situação política da cidade.

– Sou contra ficarem trocando os funcionários da Prefeitura toda vez que muda de prefeito – disse ele.

Improbidade administrativa em decisão sobre concurso

André Granado já havia sido afastado do cargo no ano passado. A Justiça entendeu ter havido ato de improbidade administrativa quando ele suspendeu o concurso público de 2012, ao assumir a prefeitura no início do ano seguinte. Em vez de aprovados no certame, foram contratados funcionários temporários que tiveram os contratos renovados seguidamente entre 2013 e 2015. A prática levou o Ministério Público a ajuizar uma ação civil pública.

Durante o afastamento dele, o vice, que assumiu a chefia do Executivo, convocou uma coletiva de imprensa no dia 15 de outubro anunciando mudanças no governo municipal. Entre as medidas anunciadas estava o cancelamento de todas as nomeações de funcionários em cargos comissionados e a revisão de contratos firmados pela Prefeitura.

Entre as medidas adotadas também esteve a redução de horas extras dos funcionários. De acordo com o comunicado, o objetivo era cortar gastos.

As medidas anunciadas por Henrique Gomes provocaram um rompimento nas relações entre o vice-prefeito e o então prefeito afastado. André Granado conseguiu uma liminar no dia 27 de outubro e voltou ao cargo. Ao tomar posse novamente, anulou as ações feitas por Henrique Gomes.