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LEMBRANÇAS

Uma homenagem a Robson Ferraz: um pioneiro do judô

Shihan morreu no último dia 7 e deixa legado de aprendizado entre exército de alunos na região

12 fevereiro 2021 - 11h20Por Julian Viana
Uma homenagem a Robson Ferraz: um pioneiro do judô

Ele era chamado de Shihan, palavra japonesa que significa ‘professor’. Judoca que obteve grau superior à faixa preta, também era conhecido como ‘mestre dos mestres’. Robson Ferraz foi um pioneiro no judô e reconhecido não só na cidade de Cabo Frio, mas em toda a região. Acostumado a derrubar oponentes por ‘ippon’ nos tatames, ele não resistiu a um infarto e a um derrame e se despediu, aos 76 anos, na noite do último dia 7. Admirado por muitos, Robson Ferraz deixa um legado de disponibilidade, amor ao próximo e determinação.

Como muitos dizem, foi ele o responsável na formação de um verdadeiro exército de faixas pretas na Região dos Lagos. Claudemir Branco faz parte desse batalhão. Atualmente com 52 anos, ele atua como professor e árbitro nacional de judô. Começou a se dedicar na arte a partir dos 12 anos, sob as orientações de Robson Ferraz, pronto para ajudá-lo e para lhe passar todos os conhecimentos que tinha. Claudemir se apresenta como o aluno mais antigo do Robson, com quem treinava desde 1982. “Ele era o meu segundo pai”, resume. 

– Ele deixou um legado incrível. Era exigente com os alunos na hora certa e um paizão para todos que estava ao seu redor. Além das técnicas de judô, aprendi até a fazer churrasco com ele – relembra o professor. 

Junto com o Claudemir, Will Martins também teve a oportunidade de conhecer o mundo do judô, também aos 12 anos. Ele começou a ter aulas com o Shihan no extinto Centro de Cultura Física e Artes Marciais, que ficava no Portinho, em Cabo Frio. O discípulo do antigo mestre conseguiu a sonhada faixa preta quando tinha 40 anos. Hoje com 52, Will lembra que Robson não tinha filhos, mas enxergava cada aluno como tal. 

– O Robson não teve filhos. Os filhos dele sempre foram a equipe de judô. Ele sempre tratou os alunos como verdadeiros filhos, da maneira que tinham que ser tratados. Tinha rigidez na hora certa e carinho na hora certa. Ele era uma pessoa iluminada, um samurai, no verdadeiro sentido da palavra – lembra.

Os ensinamentos foram passados de geração em geração 
O filho de Will, Igor Azevedo, também foi aprendiz de Robson e começou na prática do esporte aos quatro anos. Com 28 anos, o próprio Igor também se tornou um professor. À Folha, ele relembra algumas de suas histórias com o mestre. 

– Hoje em dia, eu sou faixa preta, graças ao Shihan Robson. Ele era um cara que não vivia no luxo e era bastante humilde. Ele sempre estava disposto a ajudar todos os alunos. Quando um aluno não tinha dinheiro para participar de um campeonato ou até mesmo para lanchar, por exemplo, ele sempre ajudava. Hoje em dia, dou aula de judô graças a ele. Fui campeão de vários campeonatos e já pude fazer vários campeões graças à didática, que ele um dia ele me ensinou e que era muito boa. Ele vivia realmente o judô. Era uma pessoa fora de série, um cara extremamente especial – elogia Igor. 

No time dos ‘faixas pretas’ formado por Robson está também o Comandante do Corpo de Bombeiros de Cabo Frio (18º GBM), o tenente-coronel José Carlos Torres. O militar afirma ter muito orgulho de ter sido aluno do mestre. 

– O judô fez parte de toda minha infância e formação educacional. Participei de várias competições com a equipe Robson Ferraz, representando o município de Cabo Frio. O Shihan Robson passou a fazer parte de minha família. Casei e tenho dois filhos. Ele foi professor dos meus filhos também. Sempre foi um profissional muito sério, competente, qualificado e amava demais o esporte e a doutrina do judô – registra o comandante. 

A esposa de Torres, Viviane, conta que conheceu o mestre Robson há 17 anos. Ela é enfermeira e teve a oportunidade de trabalhar como voluntária em um dos seus projetos. À época, foi um verdadeiro trabalho em família porque o marido atuou na área do judô – na época já era faixa preta – e ela como voluntária no ramo da enfermagem.

– Eu conheci o Robson há 17 anos e sempre tive um carinho muito grande por ele. Chamávamos o Robson de ‘bom velhinho’ porque ele sempre foi muito carinhoso e atencioso com todos. Ele foi professor de judô do meu marido desde quando ele tinha oito anos de idade e também foi professor dos meus filhos. Era uma pessoa extraordinária, que sempre pensava no bem de todos. Ajudou muita gente, muitas crianças e adolescentes que viviam uma vida perdida nas drogas – relembra Viviane.
 

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