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LEGADO

Uma homenagem a José Roberto Mendes: uma vida marcada pelo humanismo

Médico e empresário deixa lições de solidariedade

05 fevereiro 2021 - 10h45Por Julian Viana
Uma homenagem a José Roberto Mendes: uma vida marcada pelo humanismo

A empatia e o amor ao próximo são as marcas deixadas pelo médico e empresário José Roberto Mendes da Rocha, que morreu na última sexta-feira (29), aos 73 anos, vítima de Covid-19. A Folha ouviu relatos de amigos e familiares do profissional humanista que marcou a trajetória com lições de solidariedade. 

Na intimidade, doutor José Roberto era somente o Zé, pelo tratamento carinhoso de Andréa Loureiro Pais, com quem o médico foi casado nos últimos 18 anos. Durante o depoimento para a reportagem, as recordações vierem em forma de palavras e de lágrimas. Andréa diz ter se tornado uma pessoa melhor por causa dele, a quem atribui um legado de amor, ética, generosidade, beleza e paz. 

– Ele foi a pessoa mais generosa que tive a oportunidade de conhecer em toda a minha vida. Ele foi um exemplo de pai e amigo. Ele foi o melhor companheiro que eu poderia ter. Ele foi o melhor amor que eu tive. O Zé tinha uma doçura ímpar. Vivi com ele durante 20 anos e durante todo esse tempo ele abria a porta do carro para mim, puxava a cadeira para que eu pudesse sentar e me abraçava com amor – rememora, emocionada.

À filha mais velha, Liziane Azambuja Mendes da Rocha, José Roberto deixou a lição sobre o valor do esforço e do respeito ao próximo, ela ressalta.

Ela lembra que não foram raras as vezes em que, ao ser abordado com pedidos de ajuda financeira, tirava aleatoriamente uma nota da carteira, mesmo de valores mais altos como R$ 50 e R$ 100, e as entregava para a pessoa que pediu.

Outras marcas de Zé além da generosidade, segundo Liziane, eram a dedicação e a coragem. Mesmo ciente dos riscos, jamais deixou de trabalhar na empresa que criou, o Centro da Imagem, para realizar os exames de ultrassom nos pacientes. Também não hesitava entrar em comunidades consideradas perigosas para fazer seu trabalho filantrópico. 

– Ele entrava nas favelas para ajudar os meninos que ficavam nas ruas e cuidava também de algumas crianças. Ele mesmo fazia a segurança delas para evitar casos de pedofilia, por exemplo – recorda-se. 

Os laços de afeto eram mantidos mesmo com quem não dividia mais o mesmo teto. Sua primeira esposa, Laureliz Azambuja da Rocha, embora tenha se divorciado há anos do José, carrega em sua história de vida um pouco de suas lembranças com ele. 
– O José Roberto sempre foi admirável. Qualquer coisa que ele se propusesse a fazer, ele faria bem feito. Posso afirmar com todas as letras que ele era um homem vocacionado para servir ao próximo – ressalta. 

Reconhecimento e gratidão dos amigos 
Amiga do médico há décadas e fundadora de várias instituições filantrópicas da cidade de Cabo Frio, Joelma Fidalgo conta que José Roberto sempre a acompanhou e incentivou. 

– Éramos amigos desde a nossa juventude. Em todo o meu trabalho de filantropia na cidade de Cabo Frio, ele esteve junto comigo. Ele me acompanhou em todos os momentos. Irei sentir muita falta dele. Ele deixa um legado incrível de amor ao próximo. Ajudava muitas pessoas nesta cidade. Ia nas favelas, visitava as pessoas e conhecia a realidade de cada situação. 

O diretor do Hemolagos Marcelo Paiva Paes conhecia José Roberto desde 2009, na época em que atuou como secretário de Saúde no município de Arraial do Cabo. Quatro anos depois, trabalharam juntos, quando assumiu a direção do banco de sangue regional. Marcelão se recorda que tinha uma relação fraternal com o amigo e colega de profissão que, para ele, teve papel fundamental na Medicina da região. 

– Ele representou um salto grande, ao não se satisfazer em voltar para o interior e ficar fazendo a medicina ‘meia bomba’ para ganhar dinheiro e pronto. Ele trouxe as novas tecnologias de imagem, foi um pioneiro neste sentido – relembra Marcelo. 

Antes de se formar em Medicina, José Roberto começou a cursar Teologia. Em função de sua formação metodista, sempre se mostrou estar disposto para ajudar as outras pessoas. Nas palavras de Marcelo Paes, um ‘artesão da empatia’. 

– Ele nunca recusou um único pedido de favor. Ele sempre dizia que essa ação fazia com que ele colocasse mais um tijolo em sua casa celestial. O que ficará dele é a imagem de um homem bom.De um homem culto e sem inveja – conclui Marcelão. 

Maria das Graças Trindade Perelló é aposentada, depois de 35 anos de trabalho junto com José Roberto no Centro da Imagem. Ao longo das mais três décadas de convívio profissional, Maria das Graças desenvolveu uma relação de respeito, admiração e gratidão. 

– O doutor José Roberto foi pra mim além de patrão, um amigo, conselheiro e irmão. Sou muito grata por tudo que fez por mim. Ele foi uma pessoa que não media esforços para ajudar a quem precisava e sei que muitas pessoas são gratas a ele também. A profissão dele era sua vida, não tinha hora, nem tempo ruim. Para todos que o conheceram, ele era uma pessoa pra lá de especial – relembra.

Moradora do bairro Boca do Mato, Maria Tereza da Penha era uma das inúmeras pessoas a quem José Roberto ajudou ao longo da vida. Tereza do Mocotó, como é conhecida, não perdeu a oportunidade de demonstrar sua gratidão. Ela destaca a simplicidade do médico e empresário. 

– Nas horas mais difíceis da minha vida, ele sempre esteve me ajudando e resolvendo os problemas de toda a minha família. Ele não se importava que eu era pobre, vivia descalça e andava descabelada. Ele não olhava para isso. Ele era um amigo verdadeiro, um amigo fiel. Ele me ajudou bastante. Eu ligava para ele, e ele prontamente me ajudava. Ele era um amigão e não tem dinheiro algum que pague tudo aquilo que ele fez por mim. Ele me ajudava a comprar os meus remédios. Sempre foi muito prestativo para mim e para a minha família.
 

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