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Um mês após vazamento de óleo, maricultura está parada em Arraial

Fiperj diz que liberação da atividade depende de conclusão de análise da Petrobras

07 maio 2019 - 09h11
Um mês após vazamento de óleo, maricultura está parada em Arraial

Enquanto em Cabo Frio, a instalação de uma fazenda marinha de cerca de sete quilômetros de extensão está próxima de ser concretizada, em Arraial a produção de mariscos e mexilhões está paralisada por força de uma ação da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento a pedido do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio). O motivo é o vazamento de óleo que ocorreu nas proximidades da costa de Arraial, há mais de um mês.

Um ofício do ICMBio do dia 11 do mês passado pede a suspensão das atividades de maricultura na área da reserva extrativista de Arraial do Cabo até que ‘os órgãos oficiais apresentem resultado satisfatório para a qualidade dos produtos’. Um dos fundadores da fazenda marinha cabista, que funciona na região da Praia do Forno, há mais de 15 anos, o biólogo marinho Giancarlo Molinari diz que o local fornece mariscos para São Paulo, Campos, Rio de Janeiro e a própria Região dos Lagos. Molinari questiona a decisão dos órgãos federal e estadual, embora reconheça que não tenha feito um estudo para embasar sua opinião.

– Para interditar a fazenda marinha, embargar a venda da fazenda, teria que embargar tudo porque se você alega que a fazenda e o costão estão contaminados, é sinal que todo o pescado, moluscos e crustáceos que se alimentam de algas estão contaminados também – opina. 

A assessoria de comunicação da Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Fiperj) informou que o Escritório Regional da Baixada Litorânea entrou em contato imediatamente com a Secretaria Municipal do Ambiente, órgãos ambientais, como Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Instituto Chico Mendes (ICM-Bio), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e a Marinha do Brasil para que possam, em conjunto, ajudar na apuração da origem do óleo e, principalmente, auxiliando os maricultores no que for necessário para amenizar os impactos causados pelo desastre ambiental.

Segundo a entidade pesqueira estadual, os técnicos da Fiperj visitaram os locais afetados pelo vazamento de óleo da Petrobras com o objetivo de avaliar as reais condições dos maricultores atingidos pelo óleo. O órgão diz ainda que acompanha o cotidiano dos pescadores na região e em todo o estado do Rio de Janeiro, e em relação às fazendas, não há previsão que os locais afetados sejam liberados ao retorno da produção, mas os técnicos da Fiperj acreditam que somente após a conclusão da análise contratada pela Petrobras.  

A reportagem entrou em contato com o ICMBio e com a Petrobras para pedirem um posicionamento sobre o assunto, mas não recebemos resposta.