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Um dia jogando Pokémon Go em Cabo Frio

Monstrinhos na Praia do Forte, ginásio na Câmara: a loucura começou

04 agosto 2016 - 16h41
Um dia jogando Pokémon Go em Cabo Frio

Por Filipe Rangel

A comoção que havia em torno da espera por Pokémon Go no Brasil chegou ao fim na noite de quarta (3), por volta das 18h. Imediatamente, os fãs dos monstrinhos virtuais em Cabo Frio ganharam as ruas da cidade e a Folha foi junto para entender essa febre. Joguei durante a noite de lançamento e na manhã e na tarde desta quinta (4). Descobri que a Câmara Municipal é um Ginásio Pokémon, que a Prefeitura é um Pokéstop e que uma caminhada tranquila na Praia do Forte pode te render indesejáveis encontros com Magikarps ou a surpresa de achar um Squirtle superforte. Mais que isso, constatei que, de um jeito ou de outro, a paisagem da cidade mudou: ou agora ela é vista com monstrinhos espalhados por aí ou é vista com gente fixada na tela do celular, caçando os mesmos monstrinhos. Pelo menos assim será enquanto a febre durar.

Minha "jornada" começou às 18h30 de quarta, na sede da Folha. O aplicativo, depois de baixado e instalado, pede para você criar seu personagem e, então, escolher seu Pokémon inicial. Foi minha primeira surpresa: na redação, ao lado de um dos computadores, havia um Charmander me olhando. Taquei a pokébola no bicho e conquistei meu primeiro monstrinho. Dali, fui explorar os arredores com o diagramador do jornal, Luis Gurgel, um fã da franquia. O mapa do jogo – que simula exatamente o mapa de Cabo Frio – apontava que na Sociedade Musical Santa Helena havia um Pokéstop (ou seja, um lugar demarcado onde os treinadores podem ir buscar itens como pokébolas ou poções). Fomos até lá e presenciei mais um confronto divertido entre a realidade e a ficção: um Exeggutor e um Pinsir estavam em frente à convenção do vereador Adriano Moreno, candidato a prefeito. Entre bandeiras e gritos de campanha, Pokémons e pokébolas sendo lançadas neles.

 

Amigos conferem seus Pokémons na orla da Praia do Forte

 

Depois do expediente, fomos até a praia. ATENÇÃO: a Praia do Forte é o local que os treinadores mais gostam – pelo menos por enquanto. Logo de cara uma mãe apareceu com a filha, celulares à mão. Depois, uma dupla de meninos de cerca de vinte anos. Em seguida, quatro rapazes um pouco mais velhos. A praia concentra um grande número de Pokémons, principalmente os do tipo água – sim, o jogo distribui os monstrinhos de acordo com as características físicas da cidade. Então, onde há água, há Pokémons de água. Desci a Nilo Peçanha e encontrei um outro quarteto. Eles pareciam estar voltando do Tamoyo, outra Pokéstop. Como já estava tarde e é perigoso ficar andando com o celular dando sopa por aí, encerrei a primeira parte da minha jornada.

Lição 1: cuidado para não assustar as outras pessoas

As primeiras horas da segunda fase da minha jornada me ensinaram a primeira lição: cuidado, porque as pessoas ainda não estão acostumadas ao Pokémon Go ou nem ao menos sabem o que é. Eis o que aconteceu: pouco antes das dez eu já estava na Praia do Forte para procurar mais treinadores e monstrinhos. Estava zanzando pela orla, capturando preguiçosamente Magikarps (um peixe com pouco valor, mas que depois de um tempo pode ficar poderosíssimo), quando me deparei com um Poliwhirl. Este é um Pokémon razoavelmente bom se você é um iniciante, então não poderia deixar a chance passar. Acontece que ele estava na direção de uma dupla de pescadores que papeava encostada no guarda-corpo do deck. Não perdi tempo e apontei meu celular para os dois (na verdade, para o Poliwhril) e comecei a tacar as pokébolas. Como eu sou um treinador fraco e ele é um monstrinho forte, ele resistia às minhas investidas. Demorei a capturá-lo, o que significa que fiquei feito um aparvalhado, com o celular apontado para os pescadores, por um minuto ou mais. Eles pareceram não gostar muito, eu reparei e percebi que precisava, dali em diante, me policiar mais.

Meu tour pela praia não rendeu muito. Achei um Squirtle fortíssimo, mas não consegui capturá-lo – era forte demais pra mim. Ele estava em frente ao Bob's da praia e, quando avisei aos outros treinadores que estava por ali, eles foram correndo. Por ali também estavam Gabriel Centurione, 20, Taissa Rodrigues, 19, e Marcos Tovalino, 19. O trio é do Rio de Janeiro, está passando um pequeno fim de semana prolongado em Cabo Frio e decidiu explorar a cidade de um jeito diferente: caçando Pokémons. 

– Eu acabei de baixar o jogo. Estou capturando uns aqui na beira da praia, mas ainda estou bem no comecinho – disse Gabriel.

 

O Squirtle sacana que me fez perder um bom tempo e então deu no pé

 

Jogando com segurança

Uma das maiores preocupações para os jogadores de Pokémon Go é a segurança e eu mesmo pude sentir isso na pele. Andar com o celular tão à vista, o tempo inteiro, não é uma boa ideia, principalmente se os bichinhos resolverem aparecer em um lugar sem movimento. Algum tempo depois da minha incursão à Praia do Forte eu fui rodar pelo centro da cidade. Eu partia do seguinte princípio lógico: onde há mais gente, há mais Pokémons. Mergulhei na Avenida Nossa Senhora da Assunção até a Praça Porto Rocha e, para a minha surpresa, não havia nenhum treinador por lá. Mas, ali perto do antigo cinema e da Igreja Matriz (que é um Pokéstop, assim como as outras igrejas católicas e várias evangélicas) tinha uma aglomeração de Pokémons. O que leva a outra questão de segurança: os treinadores devem ter muito cuidado para não atravessar a rua jogando e muito menos dirigir capturando bichinhos, como o próprio aplicativo faz questão de avisar.

Frustrado com o desmoronamento da minha tese, fui andar pelo Boulevard Canal. De novo, vazio. Mas os treinadores começavam a aparecer conforme eu ia andando em direção ao São Bento e, de repente, ficaram mais numerosos. Três meninas e quatro rapazes estavam andando em círculos, próximo à Estação de Tratamento de Esgoto (que é um Ginásio Pokémon), espalhando a notícia de que por ali havia um Bulbassauro. O local estava pouco movimentado, mas, por sorte, havia uma dupla de policiais militares fazendo ronda na mesma hora. Capturei o tão falando Bulbassauro e segui viagem, de volta para o paraíso dos treinadores: a Praia do Forte.

Onde há aglomeração, há lure

Minha terceira ida ao local me ensinou ainda mais. A praia é um ótimo lugar para treinadores, sim, mas a Praça das Águas é ainda melhor. Entre os chafarizes e a Praça da Cidadania havia dezenas de treinadores. Fui até os quiosques, mas a coisa estava um pouco devagar, então olhei de novo o meu mapa e vi uns confetes roxos caindo sobre um ponto específico da Praça das Águas. Aquilo nunca havia aparecido antes para mim, então fui conferir. Quando cheguei por lá, havia nada menos que dez jogadores aglomerados no curto espaço da ponte que passa sobre o riacho artificial. "Jogaram lure aqui no lugar", disse-me um deles. Isso significa que alguma alma caridosa (bem, nem tanto assim, já que o samaritano também tira proveito da situação) acionou um item chamado lure module por lá, o que atrai Pokémons das redondezas para aquele local em específico. Dois outros juntaram-se a eles, mas a turma logo se dispersou: é que o tal lure só dura por meia hora e, naquele momento, já estava chegando ao fim.

 

Jogadores reunidos para pegar Pokémons aos montes no efeito do lure

 

Decidi testar se eu conseguiria reunir também um pequeno grupinho através da boa ação do lure. Então, fui até a adega Galiotto (um Pokéstop) e acionei a geringonça lá. Sabia que o resultado não seria imediato e, como estava perto da nossa antiga sede, no Parque Central, resolvi dar um pulo para ver se a Folha dos Lagos havia sido transformada em Pokéstop ou Ginásio Pokémon. Felizmente, não. Digo felizmente porque nos mudamos e seria bem mais legal se a nossa nova sede, no Centro, fosse agraciada com um dos títulos.

Sua casa é um Ginásio ou um Pokéstop? Não entre em pânico

A checagem foi rápida, então entrei no carro e explorei desde o Braga até o início da Estrada de Arraial. Descobri que a Universidade Estácio de Sá é um Pokéstop (o que é bom para quem estuda por lá e gosta do jogo). Tomei a Avenida América Central (para coletar essas informações eu deixava o jogo ligado no banco do carona e, quando chegava a um lugar estratégico, estacionava para pegar o telefone e poder ver o mapa das redondezas; lembrem-se: nada de dirigir jogando) e me surpreendi com o lugar escolhido para ser Ginásio Pokémon: o boliche. Desci pela Avenida Lecy Gomes da Costa até a Joaquim Nogueira e fiz outra descoberta (sempre estacionando e conferindo): o São Cristóvão é um lugar extremamente frutífero para capturar Pokémons.

 

Boliche da cidade é um Ginásio Pokémon e tem um ameaçador Pinsir dentro

 

Reparei, também, que muitas pequenas igrejas evangélicas – e também a paróquia católica de São Cristóvão – foram transformadas em Pokéstops. Mas isso nem é o pior. As casas de algumas pessoas também foram! Inclusive a casa de um amigo meu, o Tamer, que é fã do jogo. Ele achou engraçado, mas provavelmente muita gente não vai achar quando der de frente com uma aglomeração em frente ao portão. 

Felizmente, eu pelo menos não consegui identificar que a casa de alguém tenha virado um Ginásio Pokémon. Para quem ainda não sabe (ou seja, todo mundo que não joga o jogo), um ginásio funciona assim: existem três grupos – amarelo, vermelho e azul. Esses grupos podem tomar os ginásios. A esta altura, já devem estar todos tomados na cidade. A graça da coisa, além de colecionar os bichinhos, é conquistar ginásios para seu time e desmoralizar os ginásios alheios. Isso se dá por meio de batalhas entre seus Pokémons e os que estão de guarda nos Ginásios, que têm líderes e outros guardiões.

Um desses guardiões é o estudante Ricardo Ianelli, 24, mas ele pretende abdicar do posto em breve.

– Eu vinha jogando há mais de um mês ilegalmente, usando aplicativos que burlam o GPS, por isso meus Pokémons são tão mais fortes que os outros, mas desisti. Entreguei minhas contas para o jogo e agora vou abrir uma nova, para jogar legalmente. Vou esperar apagarem minha conta pra recomeçar a jogar, dessa vez curtindo o jogo. Jogar por modos não autorizados tira totalmente a graça. Hoje em dia eu vejo as pessoas ficando maravilhadas porque pegam Pokemons com 100CP (CP são os Combat Power, que representam a força do Pokémon; um iniciante consegue Pokémons com até 50CP, por exemplo). Eu olho pros meus com mais de 2000CP e não sinto prazer algum. Joguei por curiosidade, agora quero jogar por diversão – ele conta.

Considerei me aventurar numa batalha em um dos Ginásios, porque a ida a São Cristóvão tinha me proporcionado um Pokémon chamado Tangela com quase 400CP, o mais forte que eu tenho, e eu estava me sentindo no topo. Mas então chequei um Ginásio ali pelo Braga e meu adversário tinha quase 3000CP. Dei pra trás e resolvi seguir o plano inicial: conferir se a minha manobra do lure havia dado certo. Passei em frente ao Galiotto novamente e nada: nenhuma vivalma além dos trabalhadores e pedestres convencionais. Decepcionado, resolvi seguir em frente e pegar mais um monstrinhos, mas então me deparei com o maior vilão do jogo: minha bateria acabou.