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COMBATE AO CORONAVÍRUS

Turismo e comércio concordam com proibições, mas preveem baque na economia

Prefeituras pedem cooperação da população às medidas de restrição publicadas na segunda (16) e terça (17)

17 março 2020 - 18h09Por Rodrigo Branco

As cenas de praias e terminais rodoviários cheios no fim de semana nos municípios da região no fim de semana não deixaram escolha para os prefeitos de Cabo Frio, Arraial do Cabo e Búzios que, na segunda (16) e na terça (17), apertaram as restrições turísticas para evitar a disseminação do novo coronavírus (Covid-19). No entanto, ao mesmo tempo que medidas como proibição de ônibus de excursão e de passeios de barco são vistas como fundamentais para a saúde pública, preocupam o trade turístico e o comércio com relação à manutenção econômica durante o período de suspensão das atividades.

Ciente do impacto econômico e social das proibições, o secretário de Turismo de Cabo Frio, Paulo Cotias pediu a compreensão e a adesão dos moradores e dos segmentos econômicos para a superação da crise. Cotias admite que haverá prejuízos, mas argumenta que, em caso de a situação sair de controle, será muito maior.

– Entendemos que as medidas de prevenção são, a princípio, duras e levamos tanto em consideração a supremacia do interesse público e o dever constitucional de zelar pela saúde coletiva, quanto a necessidade de minimizar ao máximo as possíveis perdas econômicas. Entretanto, as perdas econômicas que certamente serão realidade, já são por si só menores em um caso de propagação desenfreada, cujas consequências passam a ser muito mais drásticas e duradouras – adverte o secretário, que faz parte de comitê gestor de crise instituído pelo prefeito Adriano Moreno (DEM).

O presidente da Associação dos Hotéis e Restaurante de Cabo Frio, Carlos Cunha, classificou as medidas como uma ‘pancada’ para os empresários. Cunha prevê momentos difíceis e disse que vai conversar com a Prefeitura no sentido de tentar o prolongamento dos prazos de pagamento de impostos e tributos, para compensar a perda financeira que haverá no período de paralisação das atividades.

– A gente entende que as medidas são necessárias, mas financeiramente, para nós, é uma catástrofe. Os telefones não param. São clientes querendo cancelar pacotes que já haviam comprado. Não temos como medir o prejuízo porque não sabemos quanto tempo isso ainda vai durar. Estamos tentando que o turista não cancele, apenas adie, mas até isso é difícil porque não sabemos aonde isso vai parar. Está complicado, os boletos não param de chegar. Estamos tentando negociar com os credores para adiar os pagamentos – comentou.

O cenário também é visto com preocupação no comércio. A presidente da associação do segmento, a Acia, Patrícia Cardinot, concorda com as medidas de prevenção da Prefeitura, mas afirmou que a crise do coronavírus chegou em um momento em que o setor começava a se recuperar de um longo momento de depressão econômica.

Assim como o setor hoteleiro, a empresária também pretende conversar com os governos municipal e estadual sobre possíveis parcelamentos e prorrogações de prazos para os comerciantes conseguirem respirar financeiramente. Patrícia acredita que o momento é de cortar custos.

– Que a população saia desse momento tenso e tenha calma. É momento de enxugar os gastos nas nossas empresas, fazendo algum tipo de contenção. Não demitindo, nada disso, mas fazendo algum tipo de economia. Aproveitando para desligar o ar condicionado, deixando o ambiente mais ventilado, que é algo que pode ser feito para o nosso comércio – ensina ela.

Em Arraial, o suspense quanto ao futuro próximo não é menor do que na cidade vizinha. O prefeito Renatinho Vianna fez uma publicação nas suas redes sociais em que relata a dificuldade de tomar a decisão de restringir o caso e proibir os passeios de barco.

“Somos um dos maiores destinos turísticos do país, e sempre trabalhamos muito para positivar e fortalecer o turismo em nossa cidade. Atraímos turistas de todas as nacionalidades o ano inteiro e sei da importância disso para a economia cabista. Muito me entristece tomar uma medida de paralisação de atividades turísticas em função de um risco iminente à saúde da nossa população. Mas é minha responsabilidade priorizar a segurança e os interesses coletivos”, postou.

Dona de duas embarcações que saem diariamente da Marina das Praias dos Anjos, a empresária Mônica Gazio concordou com a atitude, embora preveja dificuldades em meio à incerteza de quanto tempo a crise vai durar.

– Do fundo do coração, acho que isso foi necessário. Vai trazer um impacto danado, isso é óbvio. Para o nosso bolso e para os nossos marinheiros vai nos prejudicar e muito. Mas para a nossa saúde foi importante isso ter acontecido. Trabalhamos com turismo e recebemos gente do mundo inteiro. Nós somos propícios a pegar isso e a gente não sabe até que ponto é a fatalidade desse vírus. O financeiro a gente corre atrás depois. Sem a saúde não somos nada – conforma-se.

Vice-presidente do Conselho Municipal de Turismo e futura presidente do Convention Bureau da cidade, a empresária Márcia Augusta diz que o momento é de evitar que haja epidemia na cidade, sem perder de vista uma forma de minimizar os prejuízos.

– Estamos incentivando que os hospedes e visitantes da cidade, que ao invés de cancelarem as suas reservas em hotéis, pousadas e em passeio de barcos e outra atividades náuticas,  que possam concentrar pessoas, que elas façam o adiamento, para um momento seguro e saudável, para prevenir a propagação do vírus. Estamos elaborando uma carta de conscientização dos perigos que o vírus representa para população e viabilizar o cancelamento das reservas de nossos estabelecimentos, no período de 15 dias, prorrogáveis. Os danos causados pelo vírus impacta os negócios, as nossas metas e o nosso planejamento, mas temos que lidar com esta crise com responsabilidade e entender que neste momento a meta deve ser a saúde de todos nós, a prevenção e a intenção de unir forças para vencer esta etapa e mudar de estratégia para que sejamos um destino com ações responsáveis e sérias – conclui.

 

 

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