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trilhas a pé

Trilha para o desconhecido

Cabo Frio abriga paisagens fantásticas, ignoradas por muitos

02 junho 2015 - 11h26
Trilha para o desconhecido

 

Fernanda Carriço

Caverna dos Escravos? Com morcego e tudo? Praia Fofa? Como assim não tem areia? Pode não parecer, mas em mais de 40 anos de Cabo Frio, eu achei que conhecesse cada cantinho dessa cidade, mas não. Graças a um convite dos rapazes do Trilhas a Pé eu pude olhar para minha Terra Amada de um jeito como nunca pode. E, sim. Cabo Frio tem uma caverna e uma praia de cascalho (sem areia, apenas pedras arredondadas).

Ao longo da semana, o tempo não parecia permitir a aventura até que depois de consecutivos dias cinzentos, fui brindada por um sol irradiante e um céu irretocável. Para se aventurar comigo, meu amigo jornalista Diogo Reis e os idealizadores do projeto de trilhas, Igor e Rodrigo. O ponto de encontro e partida, a Ilha do Japonês.

Frequentei a Ilha a vida toda, mas nunca havia percebido que existe muito mais naquele pedaço do Parque Estadual da Costa do Sol. No caminho oposto do entrada da Ilha é que começa a trilha. Passamos por antigas salinas, onde ainda se vê a marcação no chão que indica que ali já foi um dos pontos econômicos fortes da cidade. Seguimos adiante, começando a ganhar a mata. Acompanhados por todas as borboletas que dão um show nesse outono, o caminho fica mais bonito a cada passo, pois a virgindade da mata tem seus encantos. Não há dificuldade física em fazer a trilha proposta por eles, mas em alguns momentos tem que dar uma agachada para vencer a mata.

– Nós sempre deixamos a trilha pronta para receber quem vem. Abrimos caminho para que não haja dificuldade – explica Igor Soares.

A curiosidade maior era poder chegar na tal caverna que nunca ouvi falar. E depois de uns 40 minutos de caminhada, eis que no meio da mata, uma construção encantadora. Confesso que fiquei com medo dos morcegos que habitam ali, mas não há como não querer entrar na escura Caverna dos Escravos.

– Antigos dizem que ela foi feita na época da colonização para que os índios pudessem esconder seus filhos para que não fossem levados pelos colonizadores para serem escravos. Outros dizem que a caverna foi feita pelos índios a mando dos colonizadores a procura de metais preciosos. Não há nenhum relato cientifico – explica o outro idealizador do projeto Trilhas a Pé, Rodrigo Robaina.

Depois do encantamento com a Caverna, muitas fotos e selfies, partimos para a segunda parada, o Mirante do Papagaio. Neste momento o caminho começa a ficar mais íngreme e a mata mais fechada, mas nada que dificulte o caminhar. Da Caverna para o mirante, levamos mais ou menos uma meia hora a mais de trilha. Mas o mirante chega justamente na hora do cansaço. Perfeito para relaxar, fazer um lanche para repor as energias e para alimentar a alma também. A vista total da Ilha dos Papagaios, Praia Brava e Farol da Lajinha é um presente que recompensa qualquer esforço da trilha.

– Aqui sentamos para lanchar, relaxar, curtir mesmo o visual. E daqui também podemos vez a nossa próxima parada, a Praia Fofa – explica Igor.

E é pra lá que partimos depois dos minutos de contemplação do espetáculo do mar no seu infinito mistério. Mais uns 25 minutos de trilha e nos deparamos com uma praia realmente fofa, onde as pedras arredondadas parecem ter sido esculpidas a mão.

– As pedras são redondas devido a fortes ondas que fazem com que elas batam uma na outra criando um formato esférico e liso, esse processo leva centenas de anos. Ela também é chamada de Praia da Pedra Polida – nos conta Rodrigo.

A programação do Trilhas a Pé ainda inclui uma visita a Praia Brava, onde o mergulho no mar finaliza toda a caminhada. Mas nos despedimos da Praia Fofa e voltamos para o ponto de partida. Afinal, já haTrilha

para o desconhecidovíamos sido presenteados com cenários únicos e incríveis.

– Eu conhecia lugares esquecidos da cidade, onde o estado não chega. Agora, eu conheci onde ninguém chega. Incrível como essa cidade continua me surpreendendo, disse Diogo, em tom de gratidão.

Sobre o Trilhas a Pé

O projeto Trilhas a Pé começou em 2013. Eles criaram o”catálogo de aventura”, que contém cerca de 13 trilhas divididas por nível de dificuldade, parcerias com Instrutores de rapel e salto de Asa Delta. E não se limitam a Cabo Frio. Neste final de semana, por exemplo, eles farão uma trilha em Arraial do Cabo: da Prainha á Praia do Forno.

– Procuramos sempre ter novas ideias para satisfazer nossos amigos e cliente, temos muitos projetos para realizar em 2015 e em 2016. Já temos 567 clientes cadastrados de 2013 até maio de 2015. Contamos com três monitores, sendo dois sempre usados em todas as trilhas e o terceiro é usados apenas dependendo da quantidade de pessoas, que vão, de cinco a 15 aventureiros (clientes) usamos dois monitores, acima de 15 usamos um terceiro. Tudo muito seguro – explica Igor Soares, que ainda ressalta que os interessados podem procurar fazer contato pela página do Trilhas a Pé no Facebook.

Fotos : Diogo Reis