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UERJ

Situação da UERJ vira pesadelo para estudantes da região

Alunos de Cabo Frio falam da decepção com situação de universidade estadual

09 agosto 2017 - 08h31Por Texto e foto: Rodrigo Branco
Situação da UERJ vira pesadelo para estudantes da região

Manuella Peixoto foi para UFRJ: "Falta prioridade. A gente vê a Educação cada vez mais sucateada"

Entrar em uma universidade pública é o sonho de consumo de praticamente todos os estudantes que cursam o último ano do En­sino Médio. Passar no vestibu­lar é considerada a coroação de muito esforço e de horas em sala de aula e com a cara nos livros. No entanto, para os alunos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a maratona está com gosto amargo, por cau­sa de uma crise sem precedentes na conceituada instituição de en­sino e pesquisa.

As constantes greves por falta de pagamento nos salários dos professores e funcionários e a precariedade na estrutura decep­cionam os jovens de Cabo Frio que tanto lutaram por uma vaga e agora estão com futuro incer­to. Há alguns dias, a reitoria da instituição anunciou que as aulas estão suspensas até o fim do ano letivo de 2017.

– Insegurança, estresse, ansie­dade. Sou apaixonada pela uni­versidade, mas essa instabilida­de acaba com meu psicológico. Eu me sinto atrasada, impossibi­litada de trabalhar e sem ideia do dia que irei me formar. Eu estou perdida. Não sei se mudo de uni­versidade ou se fico, pois eu me mudando parece que abandonei o barco, que fugi da luta – desa­bafa Juliana Bigonha, 23, cabo­friense do Jardim Flamboyant, que está no terceiro período de Odontologia.

O lamento da jovem, ela ga­rante, não se traduz em arrepen­dimento por ter ingressado na universidade. Brenow Freitas, 22, também diz que não voltaria atrás na decisão de entrar para a instituição, mas não se mos­tra otimista por uma solução de curto prazo. O rapaz se preocupa com a situação dos bolsistas e de funcionários terceirizados.

– Eu tenho uma vida até tran­quila, mas e quem depende das bolsas fornecidas pela faculda­de? Ou simplesmente necessi­tam do bandejão para se alimen­tar? Fora os terceirizados, sem receber há meses, que já ouvi que passam fome. Acho que a instituição vai passar por isso, mas só no próximo governo, pois foi o atual que afundou o Rio na crise – diz Brenow, que é do Foguete e cursa Engenharia Cartográfica.

Já Manuella Peixoto, 19, pou­co esperou para mudar de rumo. A estudante logo pediu transfe­rência para o curso de Direito na UFRJ. Ela se disse desapontada depois de todo o esforço, in­cluindo as mais de dez horas di­árias de estudo no ano passado. Consciente, a jovem culpa o Go­verno do Estado pela situação.

– Falta prioridade. A gente vê o governo dando isenções para empresas e a Educação cada vez mais sucateada. Muitas pesqui­sas estão sendo levadas para o exterior por falta de aparelha­mento. Para mim, além de fal­ta de prioridade, é uma falta de visão. De tudo o que se podia cortar, a Educação é o menos apropriado. Afundamos ainda mais na crise por não produzir conhecimento – raciocina.

Professor de História do In­vest e do Instituto Santa Rosa, Melch Gomez prepara alunos para o vestibular e concorda com Manuella.

– O desmantelo é cristalino e eu acredito que já passou da hora da gente se levantar e co­brar do governo do estado uma posição quanto a esta agonia. A Uerj com suas portas fechadas, decididamente, compromete o desenvolvimento dentro do nos­so estado – avalia.

Entretanto, apesar de todos os problemas, há quem não abra mão dos objetivos. No caso de Clara Branco, 18, cursar uma das melhores faculdades de Medicina do país. Após tirar conceito ‘A’ na primeira etapa, a moça prepara-se para a segunda fase, em dezem­bro. E para tudo o que mais vier.

– Eu me entristeço muito por ver colegas que passaram e ain­da não tiveram aula. Mas tenho esperança num ensino público de qualidade. Quero entrar e lu­tar junto – planeja.

Em resposta à reportagem, a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Social disse que “reconhece a importância da Uerj e tem con­centrado esforços na busca de so­luções para superar o atual quadro de dificuldades da instituição”. Se­gundo a pasta, o secretário Gustavo Tutuca irá se reunir em breve com a reitoria da Uerj para entender todos os passivos e custeios. Por fim, a secretaria disse que Governo do Estado aposta no acordo de re­cuperação fiscal com o Governo Federal para normalizar os ser­viços até outubro.

Juliana Bigonha se diz insegura e estressada