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canabidiol

‘Sim’ que vem tarde demais

Anvisa libera canabidiol, mas para enfermeira cabofriense não adianta

26 março 2016 - 10h53
‘Sim’ que vem tarde demais

RODRIGO BRANCO

 

A batalha da enfermeira cabofriense Aline Barbosa para dar mais qualidade de vida para sua filha, história publicada pela Folha na edição de 2 de agosto de 2014, acabou há 11 meses. A pequena Maria Fernanda, de três anos, acabou morrendo de infecção generalizada, vítima de complicações causadas pelas crises de epilepsia que sofria desde os seis meses de idade, mas não tinham diagnóstico conhecido.

Mas o fim do drama poderia ter sido diferente, não fosse a burocracia das autoridades de saúde pública do país. Na semana que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou para fins terapêuticos a prescrição médica e a importação de medicamentos e produtos com canabidiol (CBD) e tetrahidrocannabinol (THC), substâncias encontradas na maconha, a reportagem ouviu a enfermeira que, a princípio alheia, depois admitiu que o comprometimento do organismo da criança poderia ter sido muito menor se o tratamento com os derivados da ‘cannabis sativa’ fosse autorizado antes.

– Se ela tivesse feito o tratamento correto desde o início, talvez o quadro fosse outro. Talvez não tivesse havido o excesso de convulsões e o comprometimento que houve no fígado e nos rins. Infelizmente, o estrago foi grande e não teve mais como – lamenta.

Há um ano e meio, Aline já comentava sobre as difi- culdades para o tratamento da filha, desde conseguir um médico para liberar a receita até a importação de forma clandestina do caro remédio, mas falava com esperança. As crises, antes frequentes, tinham se tornado raras. No entanto, já na ocasião, a demora para liberação do medicamento por parte da Anvisa era motivo de angústia. Agora, a cabofriense espera que a decisão da agência beneficie outras famílias. Mas ainda assim ela prevê dificuldades.

– Agora está legalizado, mas a burocracia para conseguir o remédio ainda é muito grande. Além disso, médicos capacitados e com coragem para prescrevê-lo são raros no mercado – avalia.

Por nota, a Anvisa destacou que os produtos não foram registrados no país e, portanto, não têm sua segurança e eficácia avaliadas e comprovadas pela vigilância sanitária brasileira. A agência alertou que, por essa razão, os produtos à base de canabidiol e THC podem causar reações adversas inesperadas.

– Muitos desses produtos não são registrados como medicamentos em seus países de origem, não tendo sido, portanto, avaliados por qualquer autoridade sanitária competente. Assim sendo, não é possível garantir a dosagem adequada e a ausência de contaminantes e tampouco prever os possíveis efeitos adversos, o que implica riscos imprevisíveis para a saúde dos pacientes que os utilizarão – diz o texto.