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Sem ter com quem deixar filhos, pais de alunos lamentam greve da Educação

Responsáveis esperam solução rápida para impasse entre prefeitura e professores

15 junho 2016 - 09h47Por Rodrigo Branco
Sem ter com quem deixar filhos, pais de alunos lamentam greve da Educação

Professores em greve já fizeram várias reuniões com pais e responsáveis para explicar os motivos da atitude (Divulgação)

A oportunidade de trabalho, boa, teve que ser deixada de lado, pois Márcia de Oliveira não se sente segura em deixar o filho de 11 anos sozinho na casa onde moram na Vila do Ar.

A rotina do garoto tem sido sempre a mesma: levantar cedo, se arrumar e assistir a apenas duas horas e meia de aula (das 7h30 às 9h) na escola em que estuda, a Maria Daria Saldanha, no Jardim Esperança.

O horário irregular do filho mais novo – a dona de casa é mãe ainda de outro rapaz, de 17 anos, que cursa o 2º ano do Ensino Médio no colégio Elza Maria Santa Rosa Bernardo, no mesmo bairro – não apenas prejudica o ano letivo do garoto como mina as chances de Márcia de voltar ao mercado de trabalho.

– Não tenho como resolver nada porque não posso deixar o meu filho sozinho em casa. Precisaria de toda a manhã para resolver, mas como ele volta mais cedo, não dá. Ele vai para assistir duas aulas e volta. A escola não pode ficar aberta até o meio-dia porque faltam funcionários na cozinha – relata.

Com filhos ainda mais novos, de cinco e oito anos, o trabalhador da Construção Civil Alexandro dos Santos também lamenta a situação. Sem poder contar com uma pessoa para cuidar diariamente das crianças, o rapaz precisou faltar ao trabalho ontem para ficar com a mais velha, que estuda na escola Evaldo Salles, no Peró. Ele não tem como contar com a esposa, que é diarista e trabalha em dois lugares diferentes a semana toda.

– É complicado porque atrapalha muito (a greve). Atrapalha muito. Hoje (ontem) eu tô perdendo serviço. Nem pensar expor meus filhos ao risco – diz, referindo-se ao seu emprego.

Ansioso com a indefinição, Alexandre se diz irritado com a direção do Sepe. Segundo ele, o movimento grevista é “político”, embora ele ressalte que também não defende a prefeitura.

– Eles trabalham só para impedir o empréstimo, porque aí o governo deixaria de desviar o dinheiro da Educação, colocaria tudo em dia e eles perderiam o motivo para ficar em greve. Os pais sofrem muito e estão sem voz – acusa, dizendo ter entrado na Justiça para tentar resolver a questão.

Solidária na preocupação com o futuro dos filhos, a dona de casa Márcia tem outro ponto de vista. Para ele, os profissionais “não têm culpa, estão lutando pelos seus direitos”.

– Acho uma pouca vergonha, mas eles (professores) têm contas pra pagar. Eles não podem trabalhar tendo contas pra pagar. Ficamos de mãos atadas. Brigar com o professor não adianta. Têm outras pessoas por trás disso – alega.

Questionada sobre o que falava, foi contundente.

– Os políticos é que tem que ver isso. Chegou a época dos tapinhas nas costas e dos apertos de mão – dispara.

OAB condena declarações de prefeito

A postagem feita pelo prefeito Alair Corrêa em seu blog pessoal anteontem, no qual afirma que os funcionários da Educação que não estão em greve terão prioridade no pagamento dos salários do mês de maio, semana que vem, pegou mal não apenas entre os servidores, mas na principal entidade de advogados da região, a OAB de Cabo Frio.

Enquanto o presidente Eisenhower Dias, foi lacônico e se limitou a dizer que não concordava com a atitude, o secretário-geral Renato Gonçalves foi além e disse que a postagem expôs servidores “ao ridículo”, que podem entrar com medida liminar caso comprovem que houve diferença no tratamento.

– Em primeiro lugar, salário é prioridade porque tem caráter alimentar. Com uma declaração dessas o prefeito está fazendo uma diferenciação, como se os funcionários grevistas estivessem cometendo algum tipo de erro – argumentou.

De acordo com Gonçalves, a atitude deve ser tomada pelo próprio sindicato dos servidores da Educação por tratar diretamente dos interesses da categoria.

– Cabe mandado de segurança, caso ele não pague a todos os funcionários. Ele pode responder também por improbidade administrativa, no meu entendimento, mas também por danos morais, por exporem essas pessoas ao ridículo – explica, afirmando ainda que a entidade está pronta para ajudar caso seja acionada.

Conforme noticiado na edição desta terça (14), Alair Corrêa também atribuiu a dificuldade de manter os salários em dia à aprovação do Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações (PCCR), em 2013, mas alegou que os atrasos não tem passado “de 15 dias”.

– Comunicamos aos funcionários que permaneceram no trabalho que começaremos o pagamento por vocês. Em tempo: ressaltamos que não pagamos os salários em dia, porque nossa arrecadação não permite que o façamos. Nossa folha de servidores é de R$ 37 milhões e a arrecadação mensal é de R$ 34 milhões. Antes do PCCR a folha de pagamento dos servidores era de R$ 25 milhões e a arrecadação de R$ 55 milhões – alegou.