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Sem compreensão: cabofrienses detonam novo aumento de impostos de Temer

Presidente declarou que população entenderia reajuste sobre combustíveis 

22 julho 2017 - 10h51Por Texto e foto: Rodrigo Branco
Sem compreensão: cabofrienses detonam novo aumento de impostos de Temer

Mal cotado na preferência popular, o presidente Michel Temer deu um verdadeiro tiro no pé ao declarar que a população ‘compreenderia’ o novo aumento de 7% nos impostos, no caso o PIS/Cofins sobre os combustíveis, anunciado na quinta-feira. Pelo menos nas ruas de Cabo Frio, as pessoas ouvidas pela reportagem condenaram a decisão do governo, que deve encarecer outros produtos e deixar o orçamento do brasileiro ainda mais apertado.

– Ninguém vai compreender nada. Como vai aumentar se ninguém tem dinheiro pra nada? Só os políticos. Nunca vi isso, o supermercado está vazio – indigna-se o aposentado Nélio Coelho, 50.

Incrédulo ao ler as manchetes de jornal na banca da Praça Porto Rocha, o militar Gilberto Barros, 43, diz que falta gestão ao governo.

– A carga tributária do Brasil é uma das maiores do mundo e ele ainda faz isso. Estão conduzindo a economia de forma errada. Em vez de aumentarem impostos, tinham que enxugar os gastos supérfluos – arrisca-se.

O estivador Valério Alex Rodrigues, 46, credita a declaração de Temer por achar o brasileiro ‘passivo’.

– Está tudo comprado: reforma trabalhista, reforma da Previdência. A gente está na mão deles. Fazem o que querem com o trabalhador. Se fossem para a rua e parassem o Brasil de verdade, não fariam o povo de gato e sapato – dispara.

Com outras palavras, o policial militar Almir Burbon, 59, concordou com Valério, mas mostrou-se conformado com a situação.

– A gente até compreende, entre aspas, porque já virou rotina. Temos que compreender tantas coisas que mais essa é o de menos. A população aceita tudo – pondera.

Contudo, para a auxiliar de saúde bucal Ana Paula Andrade, 36, a história não é bem assim.

AUMENTO DA INFLAÇÃO: Especialistas veem aumento como reflexo de má gestão do governo federal

O aumento na já pesada carga tributária brasileira não foi mal recebida apenas pela população. Empresários e especialistas ouvidos pela Folha criticaram a decisão da equipe de Temer e acreditam que o aumento do PIS/Cofins sobre os combustíveis deve trazer efeitos colaterais na economia.
Para o especialista em petróleo e gás e colunista da Folha, Leandro Cunha, um reflexo quase imediato deve ser o encarecimento do preço nos fretes. Apesar disso, Cunha acredita que os preços nos postos não devem disparar.

– Há algumas semanas, a Petrobras tinha feito uma redução no preço dos combustíveis. Nesse caso, a margem de redução dada antes pode compensar. Mas na cadeia produtiva, o aumento pode impactar segmentos econômicos como indústria e comércio, pois nossa matriz de transporte é terrestre – explica.

Para o vice-presidente da Federação dos Convention Bureau do Estado do Rio, Radamés Muniz, o empresariado e a população serão os maiores prejudicados pela medida.

– Mais uma vez, o governo demonstrou sua incapacidade de fazer gestão. Ele passa para o setor produtivo, aquele que emprega, a má gestão do dinheiro público. O país já tem uma das maiores cargas tributárias do mundo e taxam ainda mais o setor produtivo. Tem uma hora que vai ficar insuportável – critica Radamés, prevendo impactos no setor hoteleiro cabofriense, impulsionado em sua maioria pelo transporte rodoviário.

Já o economista e consultor Sérgio Monteiro acredita que a maior taxação pode aumentar a pressão inflacionária.

– Pode até aumentar a arrecadação, mas deve diminuir o consumo. Isso coloca mais madeira na fogueira da crise. É mais um tiro no escuro – analisa.

 

 

 

– Particularmente, não estou compreensiva. Essa mudanças estão fora do normal. Ninguém que eu conheça está satisfeito. Os beneficiados são sempre eles – condena.

Pelo jeito, decididamente, as ruas de Cabo Frio seriam território hostil para Temer, caso o presidente resolvesse passar umas férias por aqui.

Irritação nas redes – A Folha fez uma enquete sobre o assunto em sua página no Facebook e, da mesma forma, choveram críticas tanto ao aumento da carga tributária como às palavras do presidente. Até a manhã deste sábado (22), a postagem tinha o alcance de 2.591 internautas.

“Não compreendo, temos o combustível mais caro do mundo e um país campeão em criar tributos e taxas”, comentou Wanderson Porto Vianna.

Para Nathan Barbosa, não houve surpresa no anúncio de Temer.

“Governos ilegítimos nunca ouviram o povo. O aumento de impostos estava previsto desde o início, lá em maio de 2016, e mesmo assim o povo alimentou os candidatos que votaram sim pela família”, postou, lembrando o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Por outro lado, outros aderiram a teoria de que o brasileiro é um ‘povo pacífico’.

“Mas claro que vai entender, brasileiro tem preguiça de brigar o (sic) cobrar seus direitos. Não fosse assim, já teríamos posto o congresso abaixo”, acredita Marcos Gouveia.

AUMENTO DA INFLAÇÃO: Especialistas veem aumento de impostos como reflexo de má gestão do governo

O aumento na já pesada carga tributária brasileira não foi mal recebida apenas pela população. Empresários e especialistas ouvidos pela Folha criticaram a decisão da equipe de Temer e acreditam que o aumento do PIS/Cofins sobre os combustíveis deve trazer efeitos colaterais na economia.
Para o especialista em petróleo e gás e colunista da Folha, Leandro Cunha, um reflexo quase imediato deve ser o encarecimento do preço nos fretes. Apesar disso, Cunha acredita que os preços nos postos não devem disparar.

– Há algumas semanas, a Petrobras tinha feito uma redução no preço dos combustíveis. Nesse caso, a margem de redução dada antes pode compensar. Mas na cadeia produtiva, o aumento pode impactar segmentos econômicos como indústria e comércio, pois nossa matriz de transporte é terrestre – explica.

Para o vice-presidente da Federação dos Convention Bureau do Estado do Rio, Radamés Muniz, o empresariado e a população serão os maiores prejudicados pela medida.

– Mais uma vez, o governo demonstrou sua incapacidade de fazer gestão. Ele passa para o setor produtivo, aquele que emprega, a má gestão do dinheiro público. O país já tem uma das maiores cargas tributárias do mundo e taxam ainda mais o setor produtivo. Tem uma hora que vai ficar insuportável – critica Radamés, prevendo impactos no setor hoteleiro cabofriense, impulsionado em sua maioria pelo transporte rodoviário.

Já o economista e consultor Sérgio Monteiro acredita que a maior taxação pode aumentar a pressão inflacionária.

– Pode até aumentar a arrecadação, mas deve diminuir o consumo. Isso coloca mais madeira na fogueira da crise. É mais um tiro no escuro – analisa.