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entrevista

Roberto Pillar: 'Quando assumimos a Saúde não tinha oxigênio, nem ambulâncias'

Secretário critica gestão anterior e diz que Hospital da Criança pode virar regional

20 abril 2017 - 03h35
Roberto Pillar: 'Quando assumimos a Saúde não tinha oxigênio, nem ambulâncias'

Pillar – A de pacientes graves: neurocirurgia, UTI. São as áreas mais críticas e que demandam um atendimento mais ágil. A gente tem neurocirurgião na rede, mas não consegue ter todas as cirurgias aqui, tem que mandar para fora. Temos aqui três UTIs privadas, convênio com o SUS, que é o Santa Izabel, o São Miguel e o Santa Helena. O Santa Izabel usa a UTI para oncologia, não está no sistema. O CDA (Santa Helena) usa a UTI para cardiologia, para os pacientes dele, então só tem os dez leitos do São Miguel. Dez leitos para a região toda. É muito pouco. A gente criou uma UPG (unidade de pacientes graves) no ano passado, que é uma unidade intermediária até conseguir uma vaga na UTI, mas vamos ter que ampliar isso talvez fazer uma UTI municipal. Estou conversando com o prefeito e se essa situação não se resolver por meio de convênio, o município terá que ter sua própria UTI.

Folha – Foi feito inventário para saber o que falta? Financeiramente, qual o rombo encontrado?

Pillar – Primeiramente, a gente tem que ver o que tinha para poder fazer um inventário do que tem. Custamos a levantar porque várias notas de entrega de material sumiram. Tivemos que pedir a segunda via. O patrimônio estava todo incompleto. Tivemos que juntar todos os processos para saber o que entrou nos últimos quatro anos. Fizemos um levantamento grande do que tinha, do que foi comprado. Procuramos o que foi comprado e muitas coisas não foram encontradas. Está num relatório que estamos levantando e vamos passar para a Controladoria do município, para fazer uma tomada de contas especial. E não só material, mas também o financeiro. Foi sacado muito dinheiro no final do ano sem comprovação, sem anotação. Falaram que foi para pagar folha da UPA, mas não tem nenhuma comprovação disso. Também encaminhamos para a Controladoria do município para que a gente possa fazer o fechamento das contas para saber o que foi realmente gasto no final do ano.

Folha – Você levará essa questão ao Ministério Público também?

Pillar – Não é uma questão minha. A decisão é do prefeito. Estou vendo a parte técnica.

Folha – Passada a fase emergencial, quais os planos para o futuro próximo?

Pillar – Ainda estamos numa fase de reestruturação porque privilegiamos o atendimento da emergência. No segundo mês, começamos a reinaugurar os postos ambulatoriais, os PAMs, que estavam fechados. Temos 37 ESFs (Estratégia de Saúde da Família) e 18 estavam sem médicos. Então tivemos que recolocar médicos em todos esses ESF’s. E isso aí acontece o seguinte: começam a ficar inconsistentes as informações para o Ministério da Saúde e começamos a perder verba. Só nesse mês, perdemos R$ 50 mil dos ESF’s por conta de inconsistência do cadastro. Tivemos que recadastrar todo mundo agora. Tínhamos 220 mil cadastros e destes, 120 mil inconsistentes, ou seja, sem CPF, cartão SUS, endereço completo ou de homônimos. Vai levar uns seis meses para concluir esse trabalho. Outra c

com o teto financeiro do município. Quando passamos para gestão plena em 2014, a Secretaria Municipal à época não ficou atenta ao fechamento do teto e ficou abaixo do que se produzia em Cabo Frio. Isso permaneceu até agora. Então a gente tem um teto de R$ 2,8 milhões e a Secretaria de Saúde que tem a produção dela como maternidade, pronto-socorro, as cirurgias não recebe nada do Ministério da Saúde. Por isso que fechou tudo também, não tinha financiamento.

Folha – Quanto Cabo Frio deixa de ganhar por estar inadimplente?

Pillar – Por essa situação não deixa de haver repasse. É uma transferência automática, fundo a fundo. Então não tem essa exigência para repasse. O que acontece é que não se informa como faz, então por isso é que se perde. O ESF, você tem que informar toda a produção, não informa, você perde repasse. A UPA, quando nós saímos, deixamos com uma qualificação, recebia R$ 500 mil por mês da UPA. Todos os municípios recebem isso, Cabo Frio recebe R$ 300 mil porque perdeu a qualificação da UPA por falta de informação. Então essas coisas que perdemos não foi por causa de inadimplência não, foi por causa de competência mesmo, por falta de administração, que deixou acabar tudo.

Folha – O Hospital da Criança será reaberto?

Pillar – O Hospital da Criança está todo destruído, sem condições de uso. Como temos pediatria em outros locais, preferimos nesse momento não fazê-lo agora. Pegamos um andar do Hospital da Mulher e transformamos em pediatria. São 12 leitos. No Jardim Esperança, são dez leitos e nas UPAs, oito leitos. O problema é que o Hospital da Criança se tornou muito grande para atender só Cabo Frio, porque tem 40 leitos e a nossa média de internação é 10, 15 crianças no pique. Temos uma parte que é preparada para UTI, com centro cirúrgico. Estamos trabalhando num projeto junto ao Estado para regionalizar o Hospital da Criança. Não podemos ter uma UTI pública no Hospital da Criança e pagar isso, se ela vai ser usada pelos outros municípios por medida judicial. Então é melhor já abrir para o Estado, para a região toda. Se não der certo, futuramente vamos reabri-lo, mas o ideal seria reabri-lo de forma regional.

Hospital da Criança foi encontrado em péssimas condições (Divulgação)

Folha – Como o senhor avalia as tentativas, sempre frustradas, de fazer um consórcio intermunicipal de Saúde?

Pillar – O consórcio é uma tentativa que nunca foi para frente porque Cabo Frio é uma cidade polo. Então o consórcio precisa partir de Cabo Frio e sempre partiu dos outros municípios. Falamos com o secretário estadual para começar o consórcio pelo Hospital da Criança. O presidente do consórcio hoje é o prefeito de São Pedro (Cláudio Chumbinho), mas há um movimento para que seja o Marquinho. Tenho conversado muito com ele e com os outros secretários sobre isso. E tem outra coisa importante que é o Samu, aquele atendimento móvel de ambulância, que pode fazer parte do consórcio. Já conversei com o chefe estadual da rede de emergências para tentarmos trazer o Samu para cá, mas só podemos trazer por meio de consórcio. Então o consórcio vai ser necessário para Cabo Frio e para região, mas não pode ser feito de forma amadora e política.

Folha – Como está vacinação contra a febre amarela no município?

Pillar – A campanha vai continuar até que todos sejam vacinados. A meta é 170 mil, mas já vacinamos mais de 90 mil. Hoje a procura diminuiu muito, mas a gente vai continuar até que toda a população seja vacinada. Esse é um compromisso do Estado. Então pode ser que até o final do ano todos estejam vacinados.

Folha – Qual o benefício de ter um médico como prefeito?

Pillar – Ele é da área da Saúde, mas ao mesmo tempo, tem preocupação com as outras áreas. Ele é um gestor, então ele acaba deixando de ser um pouco médico para ser gestor. Acho que para Secretaria de Saúde tem que ser um médico para estar em contato com todos os hospitais e com todos os médicos, mas um prefeito-médico ajuda porque não estamos conversando com um leigo, está conversando com um colega, que entende mais as coisas. Mas depende também de outras coisas, da disposição do prefeito, da sua gerência. 

Opção para Hospital da Criança é regionalizá-lo, diz secretário (Dviulgação)