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Revolta após morte no Hospital da Mulher

Bebê morre após horas de espera, é enterrado como indigente e família se revolta

09 abril 2019 - 09h09
Revolta após morte no Hospital da Mulher

A revolta de uma família chegou ao extremo após mais uma morte no Hospital da Mulher de Cabo Frio no último fim de semana. A morte ocorreu na manhã de sábado, após horas de espera por atendimento. Como se não bastasse, o bebê ainda foi enterrado como indigente porque a documentação não foi liberada a tempo pela unidade de saúde. A família se revoltou e fez uma manifestação na unidade hospitalar na noite de domingo.

Ontem a reportagem da Folha falou com o pai do bebê, Renato Machado. Ele registrou Boletim de Ocorrência na delegacia e disse que vai levar o caso à Justiça. Para ele, houve negligência médica na morte do menino Arthur.

– Mataram meu filho. Chegamos no hospital na sexta às 23h e só fizeram o parto no outro dia às 7h18. O médico se recusou a atender a minha mulher a noite toda, até passou uma outra paciente que ia fazer parto normal na frente dela. Passou muito da hora. Quando foram fazer o parto o meu filho já estava morto – lamenta Renato.

A saga da família começou no dia 1º de abril, quando a mulher de Ricardo, Daniela, foi levada ao Hospital da Mulher para fazer o parto, já que estava com 42 semanas de gravidez (9 meses). Após exames, a equipe médica disse à família que ainda não havia chegado a hora, e orientou que a mãe voltasse para casa. Na sexta-feira a família foi, primeiro, ao Hospital Missão de São Pedro, mas ouviu que Daniela não poderia ser internada pelo SUS na cidade por ser moradora de Cabo Frio. A família, então, foi até o Hospital da Mulher, onde Daniela foi internada, mas teve que esperar cerca de oito horas pelo atendimento.

Em nota, a Secretaria de Saúde não rebateu as acusações de negligência médica, mas disse que o “procedimento padrão em caso de morte de recém-nascido foi cumprido”. “O Hospital da Mulher emitiu a certidão de óbito para a família, que foi ao cartório pegar a guia de sepultamento – a mesma foi entregue à funerária. O procedimento padrão requer que esta guia seja apresentada de novo à unidade de saúde, para que o corpo seja liberado. Assim foi feito; só que neste caso, os representantes da funerária é que foram requerer o corpo. O sepultamento não é de responsabilidade do Hospital e sim da funerária”. Diz ainda a nota: “É importante ressaltar que nos colocamos à disposição dos familiares para esclarecimentos e somos solidários à dor da perda. Mas não podemos apoiar ações que depredem o patrimônio público e coloquem em risco servidores e até pacientes que estejam na unidade.”

Já a Secretaria de Saúde de São Pedro da Aldeia informou ter solicitado mais informações à direção do Hospital e Maternidade Missão de São Pedro sobre a paciente citada e segue aguardando os esclarecimentos. 

“Vale destacar que a gestão da unidade não é da prefeitura aldeense, trata-se de um hospital filantrópico, classificado como hospital geral e com convênio municipal. A Secretaria destaca que a gestão pública aldeense preza pelo melhor atendimento para a população”, diz nota.

Enterro como indigente por falta de documentos – Mesmo com a morte do bebê confirmada, a tristeza da família não tinha acabado. Segundo Renato, ele recebeu de uma assistente social do Hospital da Mulher o contato de uma funerária que poderia realizar o enterro do bebê sem custos, por possuir convênio com a Prefeitura de Cabo Frio. Renato disse que chegou a pagar uma taxa de R$ 125, mas não recebeu documento comprovando o pagamento. Mas a grande surpresa veio quando ele estava tentando liberar a documentação no hospital para realizar o sepultamento.

– Eu estava no hospital e minha família estava no cemitério do Jardim Esperança. Meu sogro me ligou para perguntar onde estava o corpo do bebê. Quando eu liguei para o cara da funerária, ele me disse que o bebê já tinha sido enterrado como indigente. Mas eu não assinei nada autorizando o sepultamento. Ele mesmo assinou e enterrou – disse Renato.

A confusão ficou ainda maior porque a família queria arrumar o corpo do bebê, que não tinha passado por nenhuma preparação. Foi então que, de acordo com a família, o coveiro do cemitério decidiu, por conta própria, e sem nenhuma autorização, retirar o caixão da cova. O caixão foi aberto e a família colocou uma roupa no bebê, que, até então, estava enrolado em faixas. Com roupas e uma placa de identificação, o corpo foi novamente enterrado.

A Prefeitura de Cabo Frio também foi questionada sobre isso, mas não enviou resposta.

Manifestação no Hospital da Mulher – Após o enterro, a família decidiu fazer uma manifestação no Hospital da Mulher. Cerca de 20 pessoas estiveram no local na noite de domingo. Houve tumulto durante a tentativa de invasão. Cadeiras e lixeiras da recepção foram danificadas. A Polícia Militar foi acionada para conter os manifestantes. 

Sobre isso a Prefeitura de Cabo Frio enviou um comunicado. O texto diz que “uma funcionária do Hospital da Mulher levou um soco no rosto ao tentar impedir que manifestantes invadissem o prédio” e que “cerca de 20 pessoas chegaram gritando e dizendo que quebrariam o hospital por conta da morte de um bebê, no dia anterior”. Informou ainda que “o guarda municipal que faz a segurança do local tentou conter a entrada dos manifestantes segurando o portão de acesso ao interior do prédio”. 

“Um dos manifestantes tentou pular o balcão da recepção.  Como não conseguiu, agrediu a recepcionista com um soco no rosto, quebrou cadeiras, lixeiras e danificou o portão de acesso ao interior do Hospital. De acordo com funcionários, na hora da invasão havia três grávidas aguardando atendimento no local. Após a confusão, os manifestantes deixaram o local prometendo retornar. A Secretaria de Saúde pediu apoio da Guarda Municipal e da Polícia Militar, a fim de manter a ordem no local”, diz o comunicado enviado pela Prefeitura de Cabo Frio.

Renato afirma que a família estava revoltada com a situação e disse que vai entrar na Justiça contra o médico responsável pelo atendimento e contra a Prefeitura de Cabo Frio.

– Registrei boletim de ocorrência contra o médico, contra o hospital, prefeitura, todo mundo.