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Cartão Dignidade

REVIRAVOLTA: Cartão Dignidade pode continuar

Apesar de rumores, secretário está otimista com permanência do programa

27 setembro 2015 - 08h58

A próxima semana será de apreensão para os cerca de 120 mil passageiros que se beneficiam do Cartão Dignidade em Cabo Frio. Isto porque ela coincide com o fim do prazo dado pelo prefeito Alair Corrêa (PP) para a entrada de novos recursos que garantam a manutenção do programa, duran­te uma de suas últimas aparições públicas, na entrega do cargo de interventor da Saúde, há um mês.

Com o aguardado empréstimo bancário emperrado, cresceu nos últimos dias os rumores de que o projeto, de fato, será extinto a partir de quinta-feira, dia 1º. In­clusive, circula entre funcioná­rios da empresa de ônibus que opera na cidade, que não quise­ram se identificar, a versão de que o benefício será cortado já nesta semana.

No entanto, apesar da boataria e das pressões, o clima no Gover­no passou a ser de otimismo. Uma reunião para tratar do assunto aconteceu anteontem na Prefeitu­ra e, de acordo com o secretário municipal de Transportes, Victor Moreira, houve avanços para a manutenção do projeto, conside­rado um dos carros-chefe da ad­ministração municipal.

Sem dar detalhes do encontro, o secretário disse que o prefeito acenou com a possibilidade de assumir os custos com o cartão que, possivelmente, passariam a ser bancados com a verba econo­mizada com cortes de despesas na máquina pública. Victor Mo­reira citou, por exemplo, que a Prefeitura vai acabar com a frota de carros que serve ao secretaria­do, que passará a trabalhar com os próprios veículos.

– Estive com o prefeito ontem (anteontem) e fiquei muito satis­feito com o que ouvi. Ainda não é possivel dizer isso como 100% de certeza, mas é praticamente certo que o Cartão Dignidade vai continuar. O prefeito não disse quais são, mas está tomando to­das as medidas para que ele con­tinue – garantiu o secretário.

Um dos entraves, no entanto, seria a renegociação entre a Pre­feitura e a empresa de ônibus, que chega a três meses. Como a estimativa é de que o custo men­sal do programa é de R$ 2,5 mi­lhões, a dívida beiraria os R$ 8 milhões. Os termos do parcela­mento estão a critério da Prefei­tura e da secretaria de Fazenda.

Victor Moreira também tratou de rechaçar a versão de que o fim do cartão é algo consumado, con­forme rumores citados no início da reportagem.

– Algumas pessoas falam coi­sas para desestabilizar politica­mente, apostando no pior para a população, mas estamos traba­lhando com muita ênfase para manter o cartão. É questão de aguardar mais alguns dias – diz.

No fim de março, durante co­letiva para o anúncio da reforma administrativa e do corte de 4 mil servidores, o prefeito Alair Cor­rêa já tinha anunciado o aumento da tarifa de R$0,50 para R$1,50, com o objetivo de diminuir a sangria nos cofres municipais, mas com o agravamento da cri­se, a medida se tornou ineficaz, a ponto do desabafo do mandatário diante dos jornalistas há um mês.