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retrospectiva 2016

Retrospectiva 2016: um ano para riscar

Atrasos salariais, protestos, caos na Saúde, feminicídio, ruas esburacadas, Educação de portas fechadas, falência de um município... Que ano!
 

30 dezembro 2016 - 15h55Por Filipe Rangel e Gabriel Tinoco | Fotos: Arquivo Folha
Retrospectiva 2016: um ano para riscar

Nos últimos anos, Cabo Frio fincou o pé em uma poça de lama que, como areia movediça, sugou até o último fio de espe­rança de dias melhores. Enquanto afun­dava, a cidade conseguia ver a própria ru­ína, que tomou forma em buracos na rua, salas de aula vazias, hospitais superlota­dos, monumentos furtados, lixo espalha­do e, principalmente, contracheques que não chegavam. Todo o rancor voltou-se, naturalmente, contra a figura do prefeito Alair Corrêa. Sua saída, neste fim de se­mana, sela uma espécie de recomeço – a retomada da esperança. Confira na retros­pectiva do ano por que 2016 foi um ano que não vai deixar saudades...

Janeiro                     

O ano começou com a saída do coman­dante da PM na região, o tenente-coronel Ruy França. Ele foi substituído pelo co­ronel André Henrique. Dias depois, a pri­meira crise política: Alair Corrêa pediu a exoneração coletiva de seus secretários e, ao mesmo tempo, suspendeu as matrícu­las da rede pública. O impasse na Edu­cação gerou um momento curioso: a sus­pensão das matrículas deu-se por conta da falta de pagamento aos servidores da Educação, que, por sua vez, alegavam que a Prefeitura tinha o dinheiro do Fundeb; Alair, então, disse que daria o dinheiro do Fundeb para o Sepe administrar e propôs uma ‘aposta’ aos servidores.

Fevereiro

Na Saúde, o Carnaval trouxe de vez o caos para hospitais operando com capa­cidade reduzida, além do agravamento do problema de doenças relacionadas ao mosquito da dengue. Na Educação, resul­tado da crise: escolas municipais viraram casas de veraneio, sem nenhum controle de onde a renda do aluguel foi aplicada. Politicamente, o grande fato foi o pedido de cassação de Alair Corrêa, que chegou a entrar na pauta da Câmara, mas nunca saiu do papel. O prefeito ainda foi acu­sado de desviar verba do Ibascaf pela as­sociação de fiscais. Foi neste mês, ainda, que começou a polêmica do empréstimo de R$ 200 milhões que Alair queria con­trair a troco dos royalties.

Março

As aulas na rede municipal, que deve­riam começar no início do mês, começa­ram pela metade. Na Câmara, os verea­dores Taylor Jasmin e Celso Campista trocaram farpas: Taylor debochou dos erros ortográficos de Celso, que chamou o colega de ‘barrigudo’. A violência tam­bém não deu trégua e dois casos em es­pecial comoveram a cidade: primeiro, um PM foi assassinado; depois, um homem matou a sogra por ter seu namoro proibido por ela.

Abril

O mês foi aberto com a triste face da violên­cia: a adolescente Tai­ná Cesáreo foi assassi­nada por conta de uma briga entre gangues rivais no Parque Eldo­rado. Infelizmente, ter­minou da mesma forma: o professor Nivaldo Mar­ques (foto), querido na cidade, foi assassinado de forma brutal.

Maio

Tendo seus primeiros esforços neutra­lizados em março, Alair voltou à carga para tentar o empréstimo de R$ 200 mi­lhões, que até foi aprovado pela Câmara, mas posteriormente barrado pela Justiça. Seus adversários, no entanto, apontaram que ele queria o dinheiro para fazer sua própria campanha eleitoral e concorrer em outubro. Falando em eleições, co­meçou em maio a composição de chapas para o pleito, com Marquinho Mendes lançando-se como principal candidato. Perto do fim do mês, um dos episódios mais lamentáveis do ano: em dois dias, duas jovens foram assassinadas, Rayzza Ribeiro e Daiana Borges, engrossando a lista do feminicídio na cidade.

Junho

O mês da intensificação dos proble­mas: o cemitério quebrado, escolas fe­chadas e a Educação em greve. Alair rea­giu propondo parcelar salários e dizendo que grevistas receberiam por último. É claro, foi ‘apedrejado’ pelos servidores.

Julho

No lastro do caos espalhado no mês anterior, julho foi o mês dos protestos: pneus queimados na ponte, recorren­tes manifestações no centro da cidade e uma greve geral marcaram o início do segundo semestre no governo Alair, que por sua vez, pulou do barco e anunciou definitivamente que não concorreria a um segundo man­dato em outubro.

Agosto

Logo no início do mês, a passagem da tocha olímpica deu o que falar em Cabo Frio. Para uns, a realização de um sonho; para a maioria, protestos que acabaram na delegacia. No entanto, agos­to foi o começo da montagem do cenário eleitoral: Marquinho, Adriano Moreno, Janio Mendes, Paulo César, Cláudio Lei­tão e, depois, a surpresa Carlos Augusto Felipe lançaram-se candidatos. As Olim­píadas voltaram à pauta no fim do mês, quando o jogador de vôlei de praia Bru­no Schmidt (na imagem, à direita), que começou a carreira em Cabo Frio, ganhou a medalha de ouro.

Setembro

Setembro desenvolveu-se em duas frentes. Na primeira, Janio, Adriano e Paulo César digladiaram-se para tentar tirar votos de Marquinho Mendes, que es­tava folgado na liderança, nos trinta dias anteriores à eleição. Na segunda, conti­nuaram as ofensivas contra Alair Corrêa: protestos, recomendações do MP para impeachment e a exoneração de seus pa­rentes que eram secretários.

Outubro

No dia 2, Marquinho Mendes conquis­tou nas urnas um terceiro mandato como prefeito de Cabo Frio. Em Arraial, deu Renatinho Vianna; em Búzios, André Granado; e, em São Pedro, Chumbinho. A Câmara foi bastante renovada, com dez novos vereadores eleitos. Impedido na Justiça, o prefeito eleito de Cabo Frio começa sua peregrinação na Justiça pelo registro com vitória no TRE. No fim do mês, o presidente da Câmara, Marcello Corrêa, foi flagrado num bar divertindo-se enquanto estava de licença da Casa. O motivo alegado da licença: estafa.

Novembro

Novembro foi um dos meses mais vio­lentos do ano. Assassinatos na periferia e até nas zonas mais movimentadas da noi­te da cidade, como o Boulevard Canal, que virou um palco sangrento. No fim do mês, Alair enviou à Câmara um projeto de lei criando mais cargos na administra­ção pública, medida que foi encarada por políticos da cidade como uma tentativa de sabotar o sucessor, Marquinho.

Dezembro

Em clima de fim de festa, dezembro foi o mês que ilustrou o fundo do poço em Cabo Frio. Os salários atrasaram cada vez mais e as manifestações contra Alair Cor­rêa tornaram-se praticamente diárias, in­clusive fechando a Ponte Feliciano Sodré por vários dias. Objetos de cobre como bustos e brasões oficiais foram saqueados sem ninguém encontrar os responsáveis. Num último golpe à alegria do cabofrien­se, uma menina de dez anos (foto) foi decapita­da por uma lancha na Praia do Forte.